LADSPA

No início do ano 2000, o programador Richard W. E. Furse propôs à comunidade um esqueleto do que seria uma API simples para plug-ins de áudio no Linux. Sua proposta foi estimulada e grandemente melhorada por diversas discussões na lista Linux Audio Developers. Essas discussões levaram, enfim, à atual LADSPA - Linux Audio Developers Simple Plugin API, ou seja, essa história inicial de "interface simples" continuou no nome definitivo.

É importante frisar a palavra SIMPLES do acrônimo. Plugins LADSPA não aspiram pelo mesmo nível de interação complexa com seus irmãos proprietários, os plug-ins VST. Entretanto, esse "simples" não quer dizer "débil": há plug-ins LADSPA em profusão, todos poderosos e de excelentes qualidade.

Parte da simplicidade do LADSPA está na maneira com que trata da interface com o usuário: simplesmente ... não trata! O programa hospedeiro, o sistema operacional e o ambiente gráfico em uso devem cuidar de coisas como desenhar janelas e criar botões. Portanto, ao contrário dos plugins VST, que têm cada um a sua interface gráfica definida, os plug-ins LADSPA têm uma "cara" diferente para cada programa em que forem usados - embora as funções e controles sejam os mesmos. Por serem assim tão simples e não dependerem de uma interface específica, os plugins LADSPA podem ser usados até mesmo com aplicativos em modo texto.

Outro resultado bem-vindo da simplicidade do LADSPA foi sua facilidade de integração com aplicativos já existentes. A API foi rapidamente adotada por desenvolvedores e, nos últimos quatro anos, a tecnologia LADSPA tornou-se praticamente obrigatória em programas de áudio e música para Linux. A variedade de aplicativos que adotaram a API inclui gravadores multipistas em disco rígido, processadores digitais de áudio, seqüenciadores MIDI, sintetizadores em software, editores simples de áudio e mesmo reprodutores de multimídia.

A chamada responsividade em tempo real dos plug-ins LADSPA é normalmente muito boa, mas lembre-se de que depende de um kernel do Linux preparado para baixa latência e um subsistema de som moderno como o ALSA ou o JACK. Os desenvolvedores do LADSPA aceitaram bem a simplicidade da API, que sofreu pouquíssimas mudanças substanciais desde que foi lançada a versão 1.0. Uma extensão digna de nota é a Resource Description Framewok (RDF),  um excelente mecanismo para categorizar os plugins, ajustar os valores padrão e permitir presets adicionais.

A figura acima mostra o RDF a todo vapor com uma lista de plugins LADSPA na máquina virtual de percussão Hydrogen.

Caso você esteja utilizando uma distribuição Linux otimizada para áudio, a LADSPA já estará completamente instalada e devidamente configurada. Os usuários da distribuição Mandrake, atualmente Mandriva podem encontrar o SDK da LADSPA e uma respeitável coleção de plugins no site do Thac. Não tema, a LADSPA mantém a promessa de simplicidade até mesmo durante a sua instalação e configuração.

Obtenha o código fonte aqui, descompacte em seu diretório pessoal e entre no recém-criado diretório ladspa_sdk. Leia o arquivo README, siga as suas instruções e entre no diretório src. Edite o makefile, rode o comando make para compilar o SDK, depois torne-se root e rode make install. Pronto! Você está apto a instala e usar alguns plugins LADSPA.

Verifique alguns desses links. Há lugares que você vai querer visitar: a coleção de plugins de Steve Harris, o "cinto de utilidades" TAP - Tom´s Audio Plugins - de Tom Szilagyu, os excelentes filtros de Fons Adriaensen, os brinquedinhos de Tim Goetze e Mike Rawes ... Tente todos, você irá se maravilhar!

 

A figura acima mostra o TAP Reverberator aberto e sendo aplicado a uma trilha no excelente editor de áudio Audacity.

O Linux também pode usar outras tecnologias de plug-ins de áudio. Uma delas é a Multimedia Applications Integration Architecture (MAIA).  O MAIA foi uma tentativa de resolver as insuficiências do LADSPA. Desenvolvido como uma API genérica e multiplataforma, tinha ênfase especial em sistemas, no entanto a PAI do MAIA não encontrou seu nicho entre os desenvolvedores; talvez por isso mesmo não tenha visto nenhum desenvolvimento desde 2001.

A incursão mais importante na área de plug-ins talvez seja o DSSI - Disposable Soft Synth Interface. Foi projetado para ser um "LADSPA para instrumentos", como informado em seu site oficial. Ou seja, o DSSI está para a LADSPA assim como o VSTi está para o VST. Foi criado para resolver um sem-número de problemas existentes na implementação de sintetizadores em software para Linux, especialmente no que toca ao controle via protocolo MIDI. E, além de tudo, uma surpresa agradabilíssima: a interface oferece uma "ponte" para rodar plugins VSTi! Até o presente momento, o DSSI foi implementado apenas no Rosegarden (um seqüenciador de MIDI e áudio digital comparável a qualquer Cubase ou Sonar do Windows); se ele será adotado ou não pelos desenvolvedores ainda é cedo para afirmar. Na nossa opinião é uma API promissora e muito útil. Veja a figura abaixo com o Rosegarden rodando uma instância do xsynth  de Sean Bolton, que é uma prova de conceito de sintetizadores.