Nesta parte, faremos uma análise de como os volumes das peças estão distribuídos de acordo com alguns estilos mais comuns, tais como, rock, pop, blues, jazz, country e eletrônico. Faremos tais análises a partir de níveis de volume, por alguns motivos básicos:
• ser de mais fácil identificação, ou seja, dá para se ter certeza do volume usado, ao contrário de configurações de efeitos, compressores ou até mesmo técnicas de microfonação.
• é um ponto extremamente característico das épocas e estilos musicais, muito mais do que efeitos ou outro tipo de processamento.
• Situa nos em relação a estética ou “aparência” da música em relação ao estilo, mas nos deixa livre para criar novos sons a partir da manipulação dos efeitos e compressores.

As gravações citadas servem como referências e ilustrações para cada item discutido e foram cuidadosamente selecionadas.
Os níveis de volume considerados, são os propostos na seção background e foram extraídos de “The art of mixing – A visual guide to recording, engineering and production”- de David Gibson.
Tais análise foram feitas, para servir de um ponto de partida para mixagem dos estilos mais comuns. Não são regras ou normas, mas dicas.

Caixa
O volume da caixa depende, como já foi dito, do estilo, da canção e do que está na mente dos integrantes da banda, assim como do vocal. O volume da caixa variou com o tempo do nível 2 ao 5 e isso foi, provavelmente, impulsionado pelo Rock`n Roll assim como ao final da década de 60 e década de 70 a dance pela music e o disco.
Volume aparente 2
Várias formas de Rock como Led Zeppelin por exemplo têm a caixa na frente assim. Cuidado, na confundir caixa com bastante volume com caixa com bastante reverb. Muitas vezes há montes de reverb e, no entanto, pouco volume. Para a caixa ser usada com esse ela precisa ter um bom som, “gordo” e agradável. Muitos estilos requerem caixas mais agudas e por isso acabe soando meio irritante com níveis como este de volume. Musicas com andamentos mais lentos costumam ficar ótimas com a caixa nesse nível, dá-se a sensação de haver mais espaço, inclusive para reverb. Inclusive o próprio reverb da caixa costuma estar nesse volume. Exemplo “In my place”- Coldplay – A rush of blood to the head.
Volume aparente 3
Este é o volume mais usual. A caixa é usada assim em heavy metal, blues, e agora, em country e musica sertaneja (aqui no Brasil). Exemplo: She`s gone country – Alan Jackson – Greatest Hits.
Volume aparente 4
Big Bands, rock nacional e rock da década de 50 e 60 costumam usar a caixa neste volume (razoavelmente “atrás”). Algumas baladas usam a caixa assim, ao invés de usar nosso nível dois (vale a pena fazer duas mix uma em cada nível e comparar). Hip Hop normalmente usa a caixa neste nível por causa do tempo acelerado e do arranjo cheio. Exemplo: “A hard day`s night” – Beatles e a maioria das gravações da banda.
Volume aparente 5
Big Bands e alguns estilos de música brasileira costumam usar a caixa nesse nível. Exemplo: “I let a song out of my heart”- Duke Ellington e outras gravações de swing dessa época.

Bumbo
Novamente, o estílo determinará o volume desta peça na mix. O rock foi claramente responsável pelo aumento do volume do bumbo, assim como o metal que o elevou mais um pouco. Em seguida, o hip hop e o rap e atingiu o ápice da montanha! Podemos encontrar volumes altíssimos de bumbo em muitos estílos de música moderna, até Peter Gabriel tem um bumbo bem no estílo rap ( rap boom) no disco us.
Volume aparente 1
Raramente temos esse nível de volume, exceto quando pensamos em rap boom daí teremos bumbo aqui.
Volume aparente 2
Rap booms, house e hip hop estão aqui. O bumbo em heavy metal também aparece nesses níveis. As vezes em baladas ele fica por aqui e em alguns poucos casos blues e reggae.Exemplo: “Jaded”- Aerosmith – Just Push Play
Volume aparente 3
Esse é o nível mais comum para a maioria dos estilos de música, especialmente rock, blues, jazz e country music/musica sertaneja. Exemplo: “In my place” – Coldplay, “Hair of the dog”- Guns`n Roses – The spaghetti incident.
Volume aparente 4
Jazz e new age, e um grande número de baladas estão aqui. É interessante que muitas das músicas do Hendrix têm o bumbo nesse nível, assim como rock antigo. Segundo consta o grave nas músicas era reduzido, na época do vinil, por causa do tamanho físico da faixa no disco. Quanto maior o grave, e aí o volume do bumbo adiciona grave à faixa, maior a energia e maior o tamanho físico da faixa. Então, pra se caber 10 faixas num disco, elas não podiam ser muito grandes e por tanto não tinham tanto grave. Isso se tornou comum na década de 60. Exemplo: “Lonesome town”- Paul McCartney – Run devil run.
Volume aparente 5
Big bands costumam usar o volume do bumbo tão baixo assim. : “I let a song out of my heart”- Duke Ellington.

Tambores
Depende do estílo de música mas, principalmente da vontade do engenheiro e da banda. Porém, o brilho dos tambores faz uma grande diferença no quanto eles são mascarados pelo resto dos elementos da mixagem. Costumam variar de 1 a 6.
Volume aparente 2
As vezes os tambores são colocados neste volume por ter uma duração curtíssima e serem tocados de forma espaçada. Quando eles não soam muito longos, podem ser colocados nesta faixa: ele passa antes de você saber! Também, porque os tambores são normalmente cheios de boost mais do que a gente imagina. Geralmente, quanto mais eles são usados na música, mais baixos eles tendem a estar. Exemplo: “Full circle”- Aerosmith – Nine Lives.
Volume aparente 3
Este é o volume mais comum para a maior parte das canções, mas não mais alto do que o rítmo em si (bumbo, caixa e hat). Exemplo: “Walk on”- U2 – All that you can`t leave behind.
Volume aparente 4
Os tambores não são normalmente muito altos nas musicas em geral, algo por aqui. Muito disso é por causa dos vazamentos dos pratos nos microfones dos tambores. Quando isso acontece, pode ser porque o som dos pratos foi também captado a partir da reflexão deles nas peles dos tambores. Com isso, o vazamento desses sons fica muito evidente se o volume do tambor estiver alto, e ainda, o som dos pratos se torna muito irritante devido a faixa de freqüência captada pelo mic do tambor. Por isso, pra não prejudicar a sonoridade dos pratos, os tambores ficam mais baixos, principalmente, quando precisam ser brilhantes e cheios de equalização. Exemplo: “Elevation” – U2 - All that you can`t leave behind.
Volume aparente 5 e 6
Dificilmente os tambores são postos nesse nível de volume. Somente em situações muito especial ou então se o técnico esqueceu dos tambores!

HiHat
Os detalhes da canção contam muito na hora de ajustar os volumes do hat. Eles normalmente variam de 2 a 5 e são um pouco difícil de controlar totalmente, principalmente pelos vazamentos no over-head. Outro problema é o vazamento no microfone da caixa que os deixam irritantes se a caixa não for microfonada com cuidado a fim de se evitar esse isso.
Volume aparente 2
Em heavy metal e R&B o hi-hat normalmente aparece em níveis bem altos de volume. Hip hop e jazz também costumam estar por aqui. Exemplo: I Know – Helmet – Betty.
Volume aparente 3 e 4
Hi-hats normalmente flutuam nessa faixa de volume, principalmente no rock`n roll. Exemplo: Knockin`on heaven`s door – Guns`n Roses – Use your illusion II.
Volume aparente 5
Apesar dos hi-hats não ocuparem muito espaço na mix, eles são muito presentes mesmo com volumes muito baixos. Isso se dá pela faixa de freqüência e por serem “pontiagudos”. Então mesmo em níveis pequenos de volume, eles ainda podem ser ouvidos claramente. Exemplo: Testify – Phil Collins – Testify, no refrão desta faixa o (3:00) os HiHats estão bem discretos e deslocados para esquerda, mas mesmo assim são bem perceptíveis.

Pratos e Over Heads
Fica difícil dividir os pratos das outras peças, eu diria impossível. Ao colocarmos os microfones de over head, toda a bateria será captada. A escolha dos pratos também é muito importante se a intenção for deixar os over heads altos na mix. Para isso, os pratos devem ser mais curtos e suaves, para não se tornaram irritantes no contexto.
Tenho observado que de uns 10 anos para cá o volume dos over heads tem aumentado muito. A estética atual esta girando em torno do som mais puro, ao invés do que se praticava ao final da década de oitenta e começo de noventa. Talvez os técnicos tenham se cansado da era high tech, muitas vezes de mal gosto, e começaram a buscar uma sonoridade mais natural, porém bem gorda e comprimida. Isso fica claro, por exemplo, no disco Nine Lives do Aerosmith.
Volume aparente 2
Não é muito usual colocar os overs aqui, mas em alguns tipos de rock pode acontecer. Um exemplo é Led Zeppelin, quase tudo deles!
Volume aparente 3 e 4
Muitas vezes eles estão aqui. Esse é o nível onde há uma mistura boa entre as peças e os over heads. É interessante escutar só os overs e equalizá-los como só estivessem eles, sem muito exagero claro, e então colocar as outras peças até chegar num som agradável, que faça sentido com a estética da música. Exemplo: Remember me – Journey – Armageddon the album.
Volume aparente 5 e 6
Mesmo em baixos volumes é nítida a presença dos pratos na mix. Porém, a sonoridade da bateria toda fica distinta. Baixos níveis de over head são usados principalmente quando se deseja um som “limpo” do instrumento. Música sertaneja e gospel são exemplos.