O seu site de Tecnologia Digital aplicada à Música. Aqui você encontra informações técnicas relativas à construção de seqüências MIDI, gravações de áudio, loops, compactação de arquivos, manuais traduzidos para o português de softwares musicais consagrados, download de softwares, plug-ins e utilitários para quem utiliza a informática como ferramenta musical, além das notícias mais atuais do que está acontecendo no mundo da música digital.

GUIAS E VÍDEOS EM PORTUGUÊS   DICAS E ARTIGOS ON-LINE     DOWNLOADS     AUDIO E MIDI NO LINUX   BALCÃO DE TESTES     NOVIDADES    FALE CONOSCO

 

Guia de Operação - Rosegarden

índice | próximo capítulo


4 Gerenciando Instrumentos

Vamos supor que queremos reproduzir uma determinada trilha em particular usando o som dulcimer ou, também, que temos uma trilha de áudio que esteja precisando de um pouco de equalização. Em qualquer dos dois casos, precisaremos de uma introdução ao conceito de instrumento. Os instrumentos são configurados no diálogo Instrument Parameters, e qualquer número de trilha pode ser endereçado para reproduzir através de um mesmo instrumento.

 

4.1 Instrumentos

O capítulo anterior apresentou o conceito de dispositivo, que não passa de uma construção que o Rosegarden usa para encapsular informação do que se encontra do outro lado de uma conexão de reprodução ou gravação, e fazer com que as capacidades deste equipamento estejam disponíveis para uso. Com o dispositivo em mãos estamos com o instrumento.

Cada dispositivo possui 16 instrumentos numerados de #1 até #16. Quando trabalhamos com dispositivos MIDI de reprodução, cada um destes instrumentos utiliza um canal de saída MIDI (o mesmo canal que o número do instrumento por padrão, desde que esta relação não tenha sido alterada), um endereçamento de banco/programa/variação, e qualquer controlador inicial que desejemos que afete o canal associado. Estes instrumentos nos permitem juntar até 16 coleções de programas/controladores por dispositivo e endereçar estas combinações a qualquer número de trilhas. Caso o seu servidor JACK esteja ligado e ativo, e caso você tenha compilado o Rosegarden adequadamente, você deverá ter ambos os dispositivos: Audio e Synth plugin, somados aos poucos ou muitos dispositivos MIDI que por ventura possua disponível. Cada um deles possuirá 16 instrumentos.

Quando trabalhamos com áudio e synth plugins, estes instrumentos cumprem o mesmo propósito que os canais MIDI, nos permitindo então configurar até 16 diferentes combinações de plugins LADSPA, configurações de volume, pan, programas (para synth plugins), e assim sucessivamente, para depois aplicar estas combinações em qualquer quantidade de trilhas diferentes.

Vamos ilustrar este assunto com alguns diagramas que representam os três tipos de instrumentos comuns. Aqui apresentamos um exemplo de instrumento MIDI que reproduzirá usando o programa hammered dulcimer. Todas as trilhas que foram endereçadas para reproduzir através deste instrumento, reproduzirão utilizando a primeira porta de saída na SB Live!, programa 16 do banco 0 0, com volume inicial 100, e um volume de reverb inicial 97. Este instrumento se mostrará como "Sound Blaster Live! (1) #12 (Hammered Dulcimer)" no menu.

NOTA: Apesar do número do instrumento e do canal coincidir por padrão, é possível alterar esta relação. Isto será feito neste exemplo. O instrumento #12 será reproduzido no canal 6.

 

 

Este é um típico instrumento Synth Plugin. Seu som dependerá do Synth Plugin que utilizarmos, porém todas as trilhas endereçadas para reproduzir por este instrumento possuirão o mesmo som. Sua saída passará pelos plugins de EQ e Reverb, e se apresentará como Synth Plugin #12 no menu.

Este é um típico instrumento de áudio. Qualquer trilha endereçada para reproduzir através deste instrumento possuirá sua saída conectada através de plugins de EQ e Reverb, e se apresentará como Audio #12 no menu.

 

Perceba que todos os exemplos são "instrument #12", no entanto, produzem resultados bem diferentes, isto porque cada um deles é o "instrument #12" de um dispositivo completamente diferente.

 

4.2 Endereçando uma trilha para um dispositivo e deste para o instrumento

O primeiro passo no processo de endereçamento é dirigir uma trilha até um dispositivo em particular. O dispositivo que for usado determinará se dados de MIDI ou de áudio poderão ser reproduzidos nesta trilha. Para efetuar este endereçamento de dispositivo, clique com o mouse na área correspondente, mantendo-o pressionado por um determinado momento até que seja apresentado um menu de contexto.

 

São apresentados dois menus, primeiramente o dispositivo e depois o instrumento da trilha.

Neste exemplo escolhemos o dispositivo “Roland SC-33", que está conectado através do Estudio Rosegarden para reproduzir por ALSA na porta 64:0, e sendo assim, o Roland Sound Canvas que está conectado no PC.

Logo após o endereçamos ao instrumento #6 deste dispositivo. Antes de capturarmos a tela, já o havíamos configurado para reproduzir usando o programa Piano 1 através do diálogo Instrument Parameters (daqui a pouco falaremos dele), e dessa forma o nome já aparece entre parêntesis no segundo menu. Caso um instrumento não tenha, todavia sido direcionado para fazer uso de um programa em particular, somente aparecerá o número de instrumento neste menu, como é o caso da maioria dos instrumentos que são apresentados.

 

 

Repare também que o instrumento #10 possui (D) entre parênteses, indicando que este instrumento é utilizado para reproduzir percussão (Drums). Para que possa reproduzir sons de percussão dependerá das capacidades do equipamento MIDI ou do sintetizador por Software representado por este dispositivo, e provavelmente dependerá deste instrumento, o fato de permanecer com o endereçamento ao canal #10 por padrão. Neste exemplo, foi arranjado de antemão que o instrumento reproduza utilizando o kit de percussão Power. Os instrumentos restantes não estão endereçados, e na maioria dos equipamentos compatíveis com General MIDI, ou sintetizadores por software, estes instrumentos, provavelmente reproduzirão utilizando o programa de Piano por padrão, com volume e outros controladores configurados em valores neutros também por padrão. Alguns equipamentos somente reproduzem quando explicitamente é endereçado um programa de instrumento.

 

4.3 Parâmetros dos instrumentos MIDI

Estando a trilha com suas saídas endereçadas a um dispositivo MIDI de reprodução e a um instrumento, subentende-se que ela é uma trilha MIDI, o diálogo Instrument Parameters mostrará controles similares, estes controles permitem reendereçar o canal de instrumento e selecionar um programa de instrumento. Dependendo de como esteja configurado o sintetizador/soundfont, poderão acontecer situações diferentes aqui.

 

4.3.1 Instrumentos General MIDI Simples

Endereçar um programa "Harpsichord" para a um dispositivo básico General MIDI somente requer a utilização do menu Program para configurar o nome do instrumento adequado.

 

 

 

4.3.2 Programas GS e variações de instrumento

Com qualquer dos dispositivos GS que estão na biblioteca podemos selecionar tanto o programa como a sua variação. Por exemplo, Church Org 3 é uma variação de Church Org 1. Para chegar aqui, selecione Church Org 1 dentro do menu Program, e depois selecione alguma das possíveis variações no menu Variation.

 

 

4.3.3 Instrumentos de percussão

A maioria dos equipamentos MIDI possui alguma forma de reproduzir percussões usando um banco de sons de percussão que está mapeado em várias teclas do teclado. Os equipamentos General MIDI básicos possuem somente um kit de percussão standard e não é necessário nada mais do que endereçar um instrumento para que reproduza no canal 10 com o objetivo de fazer uso dele. A maioria dos equipamentos de alta qualidade e muitos soundfonts oferecem alternativas a este kit standard.

 

4.3.4 Kits de percussão GS

Os kits de percussão GS e os programas Capital Tones/General MIDI funcionam ambos no banco 0 0. Caso um canal em particular no hardware esteja configurado em modo de bateria, este canal responderá a trocas de programa reproduzindo kits de percussão alternativos; de outra forma reproduzirá programas e variações do modo usual. Aqui, para nossos propósitos, é suficiente saber que o canal 10 normalmente é o modo de percussão por padrão.

Com o objetivo de acessar o grupo de programas alternativos do banco 0 0, devemos marcar a opção [x] Percussion, e após selecionar um novo kit no menu Program. Neste exemplo selecionamos o kit Power para o Sound Canvas.

 

 

4.3.5 Percussões alternativas em outros bancos

O caminho para muitos outros equipamentos, e para a maioria dos soundfonts, consta em colocar kits de percussão alternativos dentro do banco 1:0. Para conseguir o kit TR 808 no soundfont "PC51f.sf2" que utilizamos normalmente na SB Live!, selecionamos o banco 1:0 e o programa 26.

 

 

NOTA: Preste particular atenção ao fato de que como estes programas de percussão não estão no mesmo banco que os programas GM, a opção Percussion não está selecionada.


 

4.3.6 Botões de controladores

Podemos alterar os valores de controladores por padrão ajustando os botões giratórios (knobs). Um texto explicativo é apresentado (em inglês) informando o modo correto de utilizá-los.

 

 

NOTA: Caso os botões não possuam uma aparência clara como os que aqui são mostrados, possivelmente será necessário incrementar o contraste de cor no KDE. Contrastes baixos produzem muita opacidade, ajuste isto no Painel de Controle KDE (kcontrol), localizado em Aspecto e temas -> Cores.


 

4.3.7 Configurando o volume inicial de uma trilha e outros parâmetros

Estes controladores iniciais localizados dentro do Instrumento nos proporcionam a configuração do volume inicial, pan, e configurações similares para a trilha (caso sejam suportados pelo equipamento). Qualquer trilha que esteja endereçada para reproduzir através deste instrumento compartilhará seus parâmetros.

Caso sejam efetuadas alterações nos posicionamentos dos botões de controles durante uma reprodução, as novas configurações devem ter efeito imediato. Caso contrário continuarão somente sendo valores iniciais para o instrumento, os novos valores terão efeito logo que a composição seja posicionada no início. Caso, por exemplo, você queira alterar o valor de pan no meio de uma composição, você o verá fazer inserindo eventos de controle a partir do editor da Lista de Eventos, ou a partir de uma régua de controle, tanto no editor de Matriz ou de Partituras, como será explicado mais a frente.

 

NOTA: Caso você perceba que os seus controladores iniciais não estejam fazendo efeito, o que pode acontecer quando uma alteração é efetuada no meio de uma composição, e esta tenha sido rebobinada até o início, deverá ser feita uma checagem Preferences -> Configurar Rosegarden -> Seqüenciador -> e marcar a opção Send all MIDI Controllers at start of playback (will incur noticeable delay) [x].

 

 

 

 

4.5 Parâmetros dos Instrumentos de Audio

Caso queira usar uma trilha para áudio, será necessário converte-la em uma trilha de áudio, bastando para isso endereçar nela o dispositivo Audio. (Caso não possua nenhum disponível, certifique-se de que o o servidor JACK esteja instalado e funcionando).

 

 

 

4.6 Parâmetros dos Instrumentos de Audio

Os instrumentos de áudio possuem controladores no diálogo Instrument Parameters.

Existe um botão para alteração de estado entre mono/stereo,( ) e vários controles para adicionar plugins e ajustar níveis.

 

 

Caso queira adicionar plugins LADSPA ao instrumento use os botões "<no plugin>" para abrir um diálogo similar a este. Qualquer plugins pode ser usado a partir dos seletores Category e Plugin. Os botões giratórios da metade inferior deste diálogo serão alterados para refletir os controles que estão disponíveis para um determinado plugin: isto poderá variar de apenas um botão até uma tela cheia de botões.

Podemos sobrepor até cinco plugins para cada instrumento no dispositivo de Audio, tudo irá depender do hardware. Alguns plugins consomem muitos recursos do sistema, então, usar muitos plugins poderá causar problemas de performance.

 

 

4.7 Parâmetros de Instrumentos Synth Plugin

Como foi mencionado na introdução, o Rosegarden é o primeiro seqüenciador em Linux que emprega a nova arquitetura de plugins DSSI. Caso o servidor JACK esteja corretamente instalado e em uso, e o pacote do Rosegarden tenha sido compilado corretamente, você deverá ter um dispositivo “Synth plugin” disponível. Quaisquer dos 16 instrumentos synth plugin podem tomar um synth plugin diferente, e podem possuir até cinco plugins LADSPA postos em cadeia acima do som básico que é produzido pelo synth plugin.

Comecemos endereçando uma trilha para este dispositivo, e após a um dos 16 instrumentos disponíveis.

 

 

4.7.1 Selecionando um Synth Plugin

Após endereçar uma trilha a um instrumento synth plugin, o diálogo Instrument Parameters mostrará um novo set de controles. Estes são similares aos controles de instrumentos de audio. Para configurar este instrumento synth plugin, clique no botão "<no synth>".

 

Depois será necessário selecionar alguns dos plugins que foram instalados.

 

4.7.1.1 Xsynth

Após selecionar "Xsynth DSSI Plugin" no campo Plugin, o diálogo tomará esta aparência:

 

 

Faça experimentações movimentando os botões para configurar os diversos parâmetros até conseguir um som interessante. Este synth plugin não chega nem perto da complexidade do ZynAddSubFX, mas possuí-lo instalado traz algumas vantagens.

  • Não é necessário configurar endereçamentos JACK, porque ele reproduz através da conexão JACK do Rosegarden.
  • Os valores dos botões são armazenados junto com a composição, o que nos permite criar instrumentos personalizados e grava-los junto.
  • Com 16 instrumentos de plugin, podemos possuir 16 Xsynths, cada um com o seu próprio patch (configuração de instrumento), e seu próprio set de plugins LADSPA.

 

4.7.1.1.1 Editor externo do Xsynth

Ao clicar no botão  abre-se o editor externo do Xsynth para administrar seus controles de um modo um pouco diferente, alterar muitos parâmetros, e para administrar a conexão de instrumentos especiais. Apesar disso não ser necessário, ele é útil para guardar presets com seus próprios nomes no disco e através dele ficamos sabendo que a interface gráfica nativa do plugin é mais informativa que os botões do Rosegarden. O GUI é um módulo independente do Rosegarden, por isso é que sua aparência é  tão diferente.


 

Dica: Este diálogo é incomodamente grande demais para a tela do meu computador. Caso passe por este mesmo problema, lembre-se que ele pode ser arrastado inclusive deixando sua barra de título fora da tela.

 

4.7.1.2 FluidSynth

FluidSynth-DSSI é um plugin construído com o mesmo motor subjacente utilizado pelo QSynth. A implementação do plugin não muito amigável como a do QSynth, no entanto, possui a maioria de suas funcionalidades em um pacote que está integrado dentro da interface de usuário do Rosegarden.

Após selecionar "FluidSynth-DSSI Plugin" a partir do diálogo Plugin, o diálogo se transformará em:

 


 

4.7.1.2.1 O editor externo de FluidSynth

Não existem botões, e tudo deve ser feito através da GUI externa. Clique no botão .

Será necessário carregar um soundfont com o botão .

 


 

4.7.1.2.2 Selecionando um Programa

Estando o soundfont carregado, podermos usar o menu Program para selecionar qualquer um dos programas disponíveis no soundfont, esta interface não separa os sons em bancos individuais por estilo. No entanto, todos os programas disponíveis no soundfont inteiro são apresentados desde o primeiro até o último da lista.

 

 

NOTA: No caso deste soundfont que foi carregado para este exemplo, os kits de percussão extra que se encontram normalmente no banco 10 (como no Qsynth ou SB Live!) estão localizados a partir do programa 128. Portanto, em decorrência disso, somente existe um banco gigantesco.

 


índice | próximo capítulo

 

Copyright 2007 by MUSICAUDIO