Xabier Blanco
Traduzido por Germano Lins
O MIDI é um grande desconhecido para muitos usuários; aqui iremos tratar de explicar o que é o protocolo MIDI e quais são suas aplicações práticas e criativas.
Noções básicas: a linguagem MIDI
MIDI (Musical
Instruments Digital Interface) é a linguagem que utilizam atualmente
muitos instrumentos para se comunicar entre si, enviar e receber dados e
sincronizar-se. Nasceu dentro o mundo dos sintetizadores como resposta a uma
necessidade dos músicos: controlar vários equipamentos com seus
comandos e fazer layers com vários sons entre eles. Os primeiros resultados
desta nova tecnologia foram mostrados no North American Music Manufacturers
Show de 1983 em Los Angeles. A demonstração consistiu em dois
sintetizadores de diferentes fabricantes conectados por MIDI com um par de
cabos; o representante de uma dessas empresas tocou em um dos
sintetizadores... e o público ficou estarrecido ao ver que os dois teclados
soavam juntos! Da mesma forma como dois computadores podem se conectar via
modem, dois instrumentos que suportem o protocolo MIDI podem se comunicar. A
informação MIDI possui um caráter notadamente musical: se refere a
comandos play-stop, ativação de nota, tempo, volume, etc, mesmo que seu uso
avançado possibilite muito mais coisas.
Neste ponto vale a pena uma explicação para os mais novatos. Um dos mitos
mais recorrentes entre os não iniciados é que o MIDI é algo material, um
formato de som por si mesmo. Isso tem levado a tópicas e errôneas expressões,
tais como, "ouça este MIDI que acabo de fazer", "estou buscando o MIDI desta
canção", e o mais inocente de todos eles, "quero transformar este WAV em
MIDI". Todos estes conceitos são baseados em uma má compreensão do que é MIDI.
O MIDI é um protocolo de comunicação, um conjunto de comandos que circulam
entre dispositivos MIDI dando ordens aos mesmos com respeito ao que devem
fazer. O que soa são os aparatos, os instrumentos, "o MIDI" que, ademais,
possui outras funções fora a de controlar a execução de sons. Quando alguém
pergunta "como transformar WAV em MIDI", está na mesma situação que aquele que
possui uma foto digital (um JPG, por exemplo) de um texto e quer que essa foto
seja convertida em formato TXT para que possa trabalhar em um processador de
textos. Assim como o WAV e o JPG são "fotos" digitais de uma realidade
material (o som e a imagem), o MIDI e o TXT são linguagens que indicam a
certos dispositivos o que estes devem fazer. No caso de um sintetizador, o
MIDI lhe diz que notas devem soar, devem ser tocadas, em qual volume, etc.; e
no caso de um processador de textos, o TXT lhe diz quais caracteres devem ser
apresentados, em que formato... É certo que existem as tecnologias OCR para
ler caracteres a partir de uma foto, mas esta técnica está implementada muito
insípidamente no áudio digital. Existem programas por aí que podem identificar
tonalidades a partir de um wav e construir mensagens MIDI a partir delas, mas
normalmente somente funcionam com WAVs mono e não muito complexos.
Voltando ao nosso tema,
convém falar um pouco do funcionamento interno desta linguagem para entender
como se comporta. A base da comunicação MIDI é o byte (uma
unidade de informação digital). Cada comando MIDI possui uma sequência de
bytes específica. O primeiro byte é o byte de estado (stauts
byte), que informa ao dispositivo MIDI que função ativar. Codificado nesse
byte de estado vai o canal MIDI. O MIDI opera em 16 canais diferentes. As
unidades MIDI aceitarão ou irão ignorar um byte de estado dependendo de em
qual canal estejam configuradas para receber dados. Somente este byte de
estado possui codificado o número de canal, já que os demais bytes da cadeia
se assume que circulam no canal indicado pelo byte de estado.
Algumas das funções que podem ativar o byte de estado são estas: Note On, Note
Off, System Exclusive (SysEx), Patch Change, e outras mais. Sendo assim,
dependendo do byte de estado, lhe seguirão um número diferente de bytes. Por
exemplo, o estado Note On informa ao dispositivo MIDI que comece a soar uma
nota. Desse jeito, serão necessários dois bytes adicionais ao de estado; um
que indique a tonalidade da nota (pitch byte) e outro que marque a intensidade
da mesma (velocity byte). Este último byte de velocity é o que determina com
que força a nota foi tocada. Ainda que nem todos dispositivos MIDI aceitem o
byte de velocity - especialmente os mais antigos ou alguns modernos, porém bem
baratos-, continua sendo um byte requerido para completar a cadeia.
E... por que falamos tudo isso sobre este sistema de dados? É importante agora
salientar uma limitação da linguagem MIDI, que é a sua transmissão em
série. Por um cabo MIDI trafegam todos esses bytes que citamos
anteriormente... porém, um após o outro, um de cada vez. Isto tem implicações
práticas: por exemplo, se possuímos um teclado controlador conectado a um
sampler e estamos enviando dados MIDI para o sampler desde o teclado, ao
tocarmos um acorde de várias notas, estas não irão chegar todas juntas ao
sampler, e sim uma depois da outra. Este processo acontece em grande
velocidade e não há atrasos audíveis neste exemplo, mas, em uma cadeia
interconectada de dispositivos MIDI sim, poderão ocorrer problemas, como
mostraremos a seguir. Por tudo isso, é muito importante ter uma idéia clarado
que realmente transmitem os dados MIDI: quais bytes, e qual a sua ordem.
Conexões e cadeias MIDI
Com certeza você já conhece
as conexões de 5 pinos dos teclados ou aparatos MIDI, etiquetadas como IN,
OUT e THRU. Ao redor destes três conectores girará todo nosso sistema
MIDI.
Pelas
portas MIDI IN de um aparato serão recebidas todas as mensagens MIDI e
pela porta MIDI OUT cada aparato enviará, por sua vez, as suas
mensagens. A conexão MIDI THRU é algo que confunde os mais
inexperientes, mas não tem nenhum mistério e é de grande utilidade para
configurar uma cadeia. O que faz a porta MIDI THRU é simplesmente copiar os
dados que são recebidos pela porta MIDI IN desse aparato e enviá-los novamente
para fora. Aida que da porta MIDI THRU saiam dados MIDI, não devemos
confundi-la com a porta MIDI OUT; desta última saem somente os dados enviados
pelo mesmo aparato, enquanto que da porta THRU sai a cópia dos dados recebidos
pelo aparato em sua porta MIDI IN.
Qual é a utilidade desta MIDI THRU? Basicamente, conectar os aparatos uns com
os outros em uma cadeia, de forma que todos respondam a uma fonte de
dados MIDI inicial. Como exemplo prático, se temos um sequenciador MIDI do
qual nascem todas nossas mensagens MIDI de controle e queremos enviá-las
para 2 aparatos diferentes, teríamos que estabelecer a seguinte cadeia:
![]()
No nosso esquema, o
sequenciador envia seus dados MIDI pela saída MIDI OUT (A); estes dados são
recebidos pelo sintetizador através de sua MIDI IN (B), e reenviados pela MIDI
THRU (C) até o sampler, que os recebe, logicamente, pela sua MIDI IN (D).
Dessa forma, os dados do sequenciador estariam sendo recebidos pelos dois
aparatos, já que o primeiro (sintetizador) os recebe diretamente pela sua MIDI
IN, e ao mesmo tempo os copia e os reenvia pela sua MIDI THRU até o sampler.
Como podemos imaginar, poderíamos continuar conectando dispositivos MIDI nesta
cadeia, simplesmente enlaçando-os com a MIDI THRU. Por exemplo, se queremos
acrescentar outro sintetizador, poderíamos enviar a MIDI THRU do sampler até
sua MIDI IN. De todos modos, pela questão anteriormente mencionada de que o
MIDI é transmitido em série, não convém enlaçar uma cadeia muito grande
pela MIDI THRU, já que o último aparato desta cadeia poderia sofrer atrasos ao
receber as mensagens. Por esta razão, muitos sequenciadores possuem várias
saídas MIDI, para poder enviar os mismos dados em diferentes séries a
diferentes aparatos sem utilizar as conexões THRU, ou pelo menos reduzindo-as.
Por exemplo, se nosso sequenciador tivesse duas MIDI OUT, o esquema anterior
não necessitaria do uso da cadeia THRU: simplesmente conectaríamos o
sintetizador e o sampler a cada uma das saídas, e ambos iriam receber os dados
do sequenciador ao mesmo tempo.
Mensagens MIDI: teoria
Já sabemos que graças ao MIDI
podemos controlar vários equipamentos, estabelecer relações entre eles
e sincronizá-los. Imaginando que nossos aparatos MIDI são os componentes de
uma tropo de soldados, e nós os capitães, o mais importante agora será
conhecer que ordens podemos enviar para que cumpram sua missão.
Igualmente a uma tropa obediente, nosso equipe de dispositivos MIDI funcionará
corretamente se soubermos quais mensagens devemos lhes enviar e se estas estão
corretas.
Desta forma, nos encontramos com as seguintes categorias de mensagens
que podemos enviar:
Mensagens de canal
Se chamam assim porque atuam
soamente no canal que se determina. São de dois tipos:
· Mensagens de voz: São baseadas na interpretação; por exemplo: Note
on (ativação de uma nota), Note off (desativação), Program
Change (alteração de timbre) ou Control Change (alteração de
controlador, também chamada de CC; estas são numerados de 0 a 127, e algumas
estão determinadas como padrão, por exemplo, CC 7 é o controle de volume e a
CC 10 é o pan).
· Mensagens de modo: Indicam a um sintetizador como deve distribuir as
vozes internas; basicamente são estas: Omni on/off (caso recebam
mensagens por todos os canais -on- ou somente por um determinado -off-) e
Mono on/off (indica se cada canal tocará somente uma nota -on-, ou será
polifônico -off-).
Mensagens de sistema
Não afetam só um canal, e sim
todo o sistema, e são de três tipos:
· Mensagens comuns: por exemplo, as de afinação geral de um
sintetizador.
· Mensagens de tempo real: idealizadas para sequenciadores (start-stop,
mensagens de sincronismo, etc)
· Mensagens SysEx: seu nome deriva de "sistema exclusivo". Servem para
que diferentes dispositivos de uma mesma marca e modelo intercambiem
informação (por exemplo, sobre sons, síntese, efeitos, etc.). Cada dispositivo
MIDI costuma possuir funções próprias, não gerais a todos demais dispositivos,
e por isso estas mensagens são necessárias, são "exclusivas" dessa marca e
modelo.
Mensagens MIDI: prática
Certo.O que preciso para meu
trabalho prático? Descartando os tipos de mensagens mais elementares e de
menor importância (por ejemplo, não irá fazer falta perder muito tempo sobre
os evidentes usos das mensagens Note on-off ou mensagens de afinação), a
resposta já está em seus próprios nomes: por isso vamos nos ater naquelas que
são necessárias dominar para controlar nossos caros equipamentos com o
máximo de precisão.
·
Alteração de banco e programa (patche/instrumento): Possuímos um
sintetizador ou sampler repleto de sons interessantes, mas, como acessar a
eles a partir do exterior, por exemplo, a partir de um outro teclado? A
resposta é dada por estas duas mensagens: Bank Change e Patch Change.
São as que indicarão ao dispositivo MIDI qual timbre deve soar por cada canal
(lembremos que são mensagens de canal e somente afetarão o canal que
determinemos).
-Patch Change: Como no restante do protocolo MIDI, dispomos da
numeração 0 a 127 para escolher qualquer som de uma fonte externa. Se tivermos
um sintetizador com 32 memórias para patches (por exemplo, o clásico Yamaha
DX7), para ouvir o som número 20 devemos mandar uma mensagem Patch Change 19
(não 20, porque o 0 já conta como primeiro número). Mas claro, isto nos
limitaria a escolher 128 sons, quando os aparatos atuais podem conter muito
mais. É por isso que estes aparatos ordenam seus sons em diferentes séries de
128 sons, chamadas de "bancos". Sendo assim, um sintetizador com 512 patches
tem que dividi-los em 4 bancos de 128.
-Bank Change: Esta é a mensagem que nos dá definitivamente o acesso
total aos patches de um dispositivo com mais de 128 sons. Continuando com
nosso exemplo de um sintetizador que possui 512 sons, organizados em 4 bancos:
se quisermos selecionar o som 138, ou para entendernos melhor, o décimo som do
segundo banco, temos que enviar uma mensagem Bank Change 1 e a seguir uma
mensagem Patch Change 9. Lembre-se que esta é uma explicação simplificada; la
maioria dos sintetizadores têm números específicos para designar seus bancos;
por exemplo, o banco A de um synth pode requerer uma mensagem Bank Change 64 o
outra, não necessariamente precisa se a 0. Estamos explicando assim para
elucidar melhor. Para saber quais mensagens de banco você deve enviar para o
seu synth, consulte o seu manual.
· Controladores: as mensagens CC (Control Change) nos dão acesso
a montão de funções importantes que afetam a cada canal. Podemos mandar 128
mensagens CC diferentes, e a cada uma atribuir um valor. Por exemplo, uma
mensagem CC 7 (volume) com valor 120 aumentará o volume deste canal por 120.
Uma mensagem CC 10 (pan) com valor 80, colocará a panoramização desse canal
ligeiramente à direita, visto que 64 é o centro. Algumas CC foram
padronizadas, e possuem a mesma função em qualquer dispositivo MIDI, seja ele
de qualquer fabricante. O restante não possui nenhuma função endereçada a
princípio, de modo que cada fabricante atribuir a função que quiser. Para
saber a quais mensagens CC responde o seu dispositivo, você terá que consultar
a sua tabela de implementação MIDI.
· SysEx: Visto que estas mensagens dependem de cada fabricante, não
iremos citar nenhuma em concreto porque, por exemplo, uma mensagem SysEx que
varia a profundidade do efeito "chorus" em um Roland não é válida para um
Yamaha. Mas as vamos destacar porque são as mensagens que permitem acessar as
entranhas dos seus dispositivos. As mensagens SysEx assustam todo mundo, e
realmente possuem uma certa complexidade, mas, se dominadas, abrem um mundo
novo de controle total sobre as máquinas. Então iremos te animar a ser curioso
e investigar sobre as mensagens SysEx, porém não é o objetivo deste texto nos
aprofundarmos nelas.
Equipamento MIDI básico
Sem
sombra de dúvidas, os dispositivos MIDI mais tradicionais são os
sintetizadores. O MIDI foi criado para que eles se comuniquem entre si, e
essa função continua sendo o carro chefe do protocolo MIDI. O MIDI permite
utilizar vários teclados de som a uma só vez; desta forma podemos fazer com
que um som de um synth seja reforçado com um som de outro synth, ou
simplesmente fazer arranjos polifônicos e multitímbricos com várias máquinas
sincronizadas.
Devemos esclarecer aqui a típica confusão de principiante entre
sintetizador e teclado. O sintetizador (ou sampler, depende do caso) é o
gerador de som, e o teclado simplesmente envia mensagens MIDI indicando quais
notas devem ser tocadas e com que intensidade. Como a maioria dos
sintetizadores trazem consigo um teclado, muita gente crê que eles são
inseparáveis. Mas não é assim; existem sintetizadores sem teclado (os chamados
"módulos de som") e teclados sem sintetizador. Estes últimos são os teclados
master ou controllers.
Com a simplificação dos home studios atuais, muita gente utiliza os chamados
teclados master ou controllers, que não possuem nenhum som. Eles simplesmente
enviam dados MIDI para controlar os outros aparatos (por exemplo, synths
virtuais, por software). Isto barateia o seu preço e faz com que a produção
musical seja mais acessível a todos, se bem que os teclados master de boa
qualidade ainda são muito caros. Alguns fabricantes famosos são FATAR
(seu modelo SL-161 na imagem abaixo), Oberheim, Midiman, Roland
e Yamaha.

Domine o seu equipamento externo
O
centro de uma instalação MIDI é o sequenciador, que centraliza a
gravação e reprodução de todas mensagens MIDI, sua edição e sincronização. O
normal é que esteja baseado em um programa de computador, visto que os
computadores oferecem mais potência que qualquer outro sistema de
sequenciamento por hardware, e apresentam os dados em monitores de bom
tamanho, o que facilita em muito a tarefa de sequenciamento. No entanto, para
atuar ao vivo, muitos músicos preferem ainda a segurança dos sequenciadores
hardware; alguns exemplos clássicos destes equipamentos são o Alesis MMT-8
(imagem à esquerda) ou o Roland MC-50. Também ainda são utilizados
velhos computadores Atari e Amiga para esta finalidade.
Os sequenciadores por software mais famosos são sem dúvida o Logic
(imagem abaixo), Cubase e Sonar. O Sonar é o mais usado na América, e
os outros dois são líderes no mercado europeu. Qualquer um deles é altamente
capaz, destacando principalmente o Logic, devido ao seu environment
configurável. Outros programas famosos são o Digital Performer da MOTU ou o
Orchestrator da Voyetra; alguns editores de partituras como o Finale possuem
funcionalidades de sequenciador MIDI, assim como alguns sistemas multipistas
de áudio como o Pro Tools ou o Nuendo. Todos eles manipulam uma grande
quantidade de pista de uma só vez.

Caso possua várias máquinas MIDI e queira ter
controle absoluto sobre elas, tudo deverá estar bem conectado e deve ser
gerenciado principalmente a partir do sequenciador. A partir deste programa
você poderá gravar todos os seus equipamentos por pistas, e depois cortar,
copiar, e editar as sequencias. O normal é começar gravando uma pista base, e
depois ir gravando as demais por cima, enquanto as anteriormente gravadas
soam. Assim a música vai sendo construída e somente se requer a intervenção de
um único músico.
Uma primeira sugestão para conectar vários equipamentos entre eles é a
cadeia THRU, já expiclada anteriormente. Entretanto, caso possua muitos
equipamentos, haverá latência nos últimos dispositivos da cadeia.
A
solução para isso é utilizar uma interface MIDI dotada de várias portas
de saída e não apenas de uma só. Isto evita as cadeias THRU, ou pelo menos as
minimiza: caso sua interface MIDI possua quatro saídas, você poderá dominar
quatro dispositivos diretamente, e todas as mensagens chegarão ao mesmo tempo.
Como já dissemos antes, o protocolo MIDI funciona de forma serial, mas isso
acontece em cada porta; ou seja, se dispomos de várias portas, elas atuarão de
maneira separada, sem acumular seus dados uns aos outros. Existem muitas
interfaces deste tipo no mercado; algumas marcas são a Midiman (à esquerda,
Midisport 2x2), Egosys, MOTU, Steinberg e Emagic. Todas elas oferecem diversos
modelos dependendo de suas saídas e entradas MIDI. Também algumas placas de
som incorporam duas ou mais portas MIDI de entrada e saída, mas são raras e o
normal é que somente venham de uma ou nenhuma.
Para gerinciar as bibliotecas de sons dos seus sintetizadores e
editar seus patches via MIDI existem também soluções por software muito
úteis, que evitarão em muitas ocasiões o enfrentamento com esses pequeno
displays desses tipos de máquinas. Quantos já se atreveram a editar sons de um
DX7 através do seu display frontal? Utilizando estes programas você poderá
fazer essas tarefas de forma remota, aproveitando-se da capacidade de
armazenamento e organização de um computador e uma maior clareza e comodidade
graças à tela grande. Sound Diver da Emagic e SoundQuest são dois exemplo de
gerenciadores-editores totais, que incluem soluções para um amplo número de
aparatos, mas existem também uma quantidade enorme de editores mais simples,
que somente se ocupam de uma máquina. A maior parte destes últimos são
gratuitos;
procure na web o que corresponda ao seu sintetizador.
Domine o seu equipamento virtual
Com
a implantação cada vez maior dos sintetizadores e samplers virtuales,
muitos usuários começaram a precisar de um controle mais manual sobre eles. O
mouse não parece convencer na hora de controlar com precisão estes programas,
e é por isso que os fabricantes têm dado uma alternativa: os controladores MIDI externos. Estes dispositivos adotam
a forma de mesas ou consoles com faders ou knobs configuráveis, e se limitam a
enviar dados MIDI como CCs ou sysex, que controlam as funções do software.
Assim como para tocar um sintetizador virtual será necessário um teclado
master que lhe envie mensagens MIDI, para controlá-lo como se fosse um
hardware, com botões giratórios, deslizantes e mias coisas, será necessário
uma destas máquinas. Sua principal vantagem é que não se limitam a um só
sintetizador virtual; ao utilizar o protocolo universal MIDI, podem dominar
qualquer dispositivo software que siga estas especificações. Isto inclui, é
lógico, as máquinas hardware que admitam seu controles a partir de mensagens
CC ou sysex externos.
A oferta de controladores vem aumentando, e desde o clássico Keyfax
Phatboy (foto esquerda) tem aparecido muitos outros, como o Doepfer
Pocket, Native Instruments 4Control, Phillip Rees C16 o em um nível
mais ambicioso, o Kenton Control Freak, Peavey 1600 ou o
Doepfer Drehbank.
Flautas, guitarras... e outras coisas MIDI
Se
tem fabricado toda uma diversidade de aparatos MIDi muito "especiais",
sobretudo no que se refere a controladores. O fato do MIDI ser um protocolo
padrão, standard, universal, faz com que qualquer dispositivo compatível possa
ser integrado na cadeia, e as possibilidades são várias.
Por exemplo, a Yamaha oferece seu controlador de sopro WX5 (à esquerda),
que é uma espécie de saxofone-flauta que envia dados MIDI baseando-se no sopro.
Existem módulos de som especiais para este controlador, como o Yamaha VL-70m, que imita
muito bem os timbres de sopro reais através de modelagem física. Mas como o WX5
é MIDI, ele pode controlar qualquer coisa... podemos tocar um violino ou
marimbas com ele.
Os guitarristas também têm seus próprios dispositivos MIDI. Acoplando uma
interface
MIDI na guitarra pode se converter seu sinal em dados MIDI que poderão
controlar um sintetizador de guitarra (como o Roland GR-30 ou 50)... ou o que
for necessário.
o mundo dos controladores MIDI se converteu numa caixa de surpresas, e cada
vez mais nos deparamos com máquinas inovadores e originais.
Caso você tenha gostado das harpas à laser do Jean Michel Jarre, a Rolando
oferece seus sistemas
D-Beam em muitos de seus teclados e sintetizadores; se trata de uma raio
que, ao ser interrompido em diferentes alturas e ângulos, gera mensagens MIDI
que modificam o som.
