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Placas de som e o seu papel em um homestudioPergunta comum de quem faz música com computador - "Onde é que ligo a minha guitarra"
Tornar
o seu humilde computador num estúdio de alta qualidade não traz
benefícios nenhuns se não possuir algo onde possa ligar um cabo do
tipo jack. Se
está a pensar em gravação som ao vivo utilizando o seu computador,
então deverá pensar em adquirir a placa de som mais adequada para o
trabalho.
Uma
grande parte dos computadores traz incluída uma placa de som de alguma
espécie. Se o seu computador possui colunas e produz beeps e
barulhos é porque possui uma placa de som. A maioria dessas placas são
desenhadas para jogos, multimídia e reprodução de CD/DVD, e por isso
estas não estarão adequadas à gravação áudio de estúdio profissional.
De qualquer forma é um ponto de partida e explicar-se-á o
equipamento adequado mais adiante.
A
fotografia acima, à direita, mostra uma placa "Creative Labs
SoundBlaster Live", uma placa de som tradicional. Foi daqui que o nome
"placa de som" proveio, pois é uma placa que encaixa na placa mãe e
fornece ao computador um sistema de som. Os tipos de placa de que
iremos falar raramente virão neste formato, só o nome se mantêm. Uma
convenção de códigos de cor para as entradas e saídas das placas de som
foi desenvolvida, o que veio facilitar as coisas. Agora eu sei que
as sockets são mini jacks mas poderá pegar numa guitarra ritmo, por um aplicador e ligá-la a socket (entrada)
para microfones cor-de-rosa. Uma solução ligeiramente mais avançada
seria por o som a sair de um pré amplificador ou caixa de efeitos e ir
stereo pela entrada azul - isto irá dar um input razoável no
computador pronto a ser gravado. Está a espera que a gravação do som
saia bem? Se pensar nisso, deverá ter gasto entre 750 € a 1500 € no
computador, em principio o mesmo na sua guitarra e no entanto os seus
sonhos e esperança na criação de músicas estão dependentes de uma
entrada mini jack de uma placa de som que provavelmente virá incluída no seus sistema de um modo gratuito. A placa de som interna (built in)
é um ponto de partida mas também está muito distante de onde queremos
estar. Queremos algo feito a pensar no trabalho de gravação, que possua
as ligações correctas e que tenha uma qualidade de som ao nível de um
estúdio e resistente o suficiente para poder ser utilizada quando
alcoolizados.
Tendo
em conta a premissa base que queremos gravar uma guitarra e um
microfone de forma simultânea, aqui estão alguns bons exemplos.
Line 6 Tone Port
Existem
2 modelos, UX1 e UX2 (na imagem). O UX2 possui 2 entradas para
microfone comphantom power, 2 entradas guitarra/baixo, entrada de linha
stereo, saídas para mesa de mistura e monitores, saída para
auscultadores e na frente medidores VU designáveis. Possui
também jackspara footswitch para controlo start/stop
sobre software. Vem incluído efeitos Gearbox e software de modelação
retirado do Pod, conferindo-lhe uma vasta colecção de grandes tons de
guitarra. Então possui entradas reais, knobs reais, medidores
e não lhe parece com nada do que estava à espera que uma componente de
computador pode-se parecer. Traz incluído alguns programas de gravação
simples, para que possa começar a testar as funcionalidades da placa de
imediato. Ambas as unidades são capazes de gravar a 24 bit e 48 kHz.
Liga-se ao computador através de uma entrada USB, que também será
responsável pelo fornecimento de corrente. A UX2 custa £149 e a UX1 (1
microfone, 1 entrada de guitarra e sem medidores) custa apenas 150 € .
Edirol UA-4FX
Uma
caixa prateada da Edirol que possibilita gravação stereo ou através de
dois canais mono a 24 bits e até 96kHz. Possui uma única entrada
XLRphatom power para microfone e outra entrada Hi-Z para guitarra
em conjunto com uma unidade de efeitos. Estão disponíveis 14 efeitos
nas entradas e saídas. Pode não ter o mesmo aspecto que o Tone
Port mas compensa isso pelo facto das suas ligações possuírem
entradas e saídas ópticas S/PDIF e um interface MIDI incorporado. A
UA-4FX liga-se via USB, que serve também como fonte de alimentação e
traz incluído também alguns programas de gravação para o ajudar a
começar. O preço ronda os 200 € .
Presonus Firebox
Outra
caixa prateada, mas bem mais bonita, a Firebox da Presonus traz uma
compatibilidade extrema para uma pequena caixa. Na zona frontal, a
placa conta com uma entrada de microfone (+48v) e outra para guitarra,
no entanto na parte traseira possui mais duas entradas stereo , uma
entrada analógica e outra digital S/PDIF, que podem ser muito úteis se
quiser ligar equipamento externo, como por exemplo um módulo de som,
teclado ou um sampler. Como alternativa poderá também usar duas das
seis saídas para envio de efeitos para uma unidade exterior de efeitos
e usar as restantes como entrada para os efeitos depois de processados.
A qualidade do som é de 24 bit e até 96kHz, a ligação é feita através
de Firewire. A Firebox possui um interface MIDI incluído
e vem equipada com alguns programas de gravação. O preço de venda ronda
os 300 € pois a Presonus fabrica alguns dos conversores
analógico/digital mais profissionais do mercado e é utilizada a mesma
tecnologia na placa Firebox, o que significa que poderá tirar o máximo
proveito se trabalhar com aparelhos da mesma marca.
Presonus Firepod
O
Firepod é uma versão alargada da Firebox, esta placa possui 8 entradas
para microfone na frente, duas destas podem ser usadas como entradas
para instrumentos. Possui uma elevada qualidade 24 bit e gravação até
96kHz. Possui saídas para mesa de mistura e monitores, S/PDF e MIDI.
Poderia gravar uma banda inteira com esta placa? Se der uma vista de
olhos na figura em baixo, a Presonus mostra como poderia montar o
equipamento todo. Talvez faltem algumas entradas, mas isso é um
problema de fácil resolução comprando um módulo extra de canais. Com um
preço a rondar os 740 € não se pode considerar uma peça cara.
Uma nota rápida sobre ligações
Se uma placa de som não é encaixada na mother board como é que pode estar ligado a um computador?
Existem duas portas para ligar estes tipos de placas externas: USB e IEEE1394 também conhecida comoFirewire.
A
opção USB é mais popular em PC´s com tecnologia Intel e embora ligações
do tipo USB1 sejam um pouco lentas, a maioria dos computadores
apresentam já USB 2.0 muito mais rápida e capaz de gerir alterações em
áudio multi pistas.
A tecnologia Firewire é
propriedade da Apple que também poderá estar disponível em PC´s embora
apenas em raras exceções. Pode adquirir uma placa Firewire para o seu PC por apenas 15 € . O uso mais frequente para Firewire é
com câmaras digitais e discos duros externos. Este tipo de ligação é
muito rápido e tende a ser escolha para a maioria de placas de som
multi canais.
Outro
cenário - Quando deseja um pouco de tudo mas está habituado a trabalhar
com equipamento externo e sente-se um pouco infeliz em realizar todo o
seu trabalho através do mouse.
M-Audio Project Mix I/O
Sim
é uma mesa de mixagem digital mas no entanto esta foi projetada para
ser utilizada em gravação áudio com computador. Tal como o Firepod este
aparelho liga-se através de Firewire e possui oito
pré amplificadores de microfone, ao contrário do Firepod possui uma
superfície de controlo oferecendo um controlo táctil sobre os seus
programas de gravação. Possui botões rotacionais, botões e display LCD
muito útil para monitorizar o que está a controlar a cada altura. Se
necessitar de mais entradas, terá mais 8 canais sobre ADAT e S/PDIF
digital. A Project Mix I/O consegue também correr a versão M-Powered da
Digidesign´s do famoso programa Pro Tools, o standard da indústria no
que toca a programas de gravação áudio. Poderá adquirir este aparelho
por 1400 € é mais barata do que adquirir uma mesa de mistura digital
"stand alone" mas obviamente não é uma compra casual.
Sampling e disputa sobre a qualidade digital
Bit e sample rates são
prioritários no que toca a placas de som, isto porque a placa de som é
responsável pela qualidade ou exactidão da conversão de sinal analógico
para dados digitais.
A onda de som que se está a receber é sampleada várias vezes por segundo, o número de vezes é definido pela sample rate. A cada sample é designado um número dos valores disponíveis, determinados pela bit rate.
Quantos mais samples e valores disponíveis melhor ou mais preciso
ficará o sample. Quando a Sony e a Philips inventaram o CD no início da
década de 80, decidiram que 16 bit e 44.1 kHz, era o necessário para
replicar o som analógico na perfeição - isto passou a ser conhecido
como "CD Quality". Foram escolhidos os 16 bits porque provavelmente
eram o máximo que a melhor tecnologia da altura conseguia processar.
A sample rate foi
baseada no teorema de Nyquist. Dr. Nyquist afirmou que o som era
constituído por ondas sínosoidais, e qualquer onda pode ser criada
matematicamente através do conhecimento de dois valores da curva, ou
seja, qualquer som pode ser reproduzida na perfeição utilizando o dobro
de uma sample rate equivalente a frequência do som. Sendo assim um pitch de 10kHz necessitava de uma sample rate de
20kHz para ficar 100% correcta. O ouvido humano consegue processar até
20kHz, sendo assim para se conseguir samplar tudo o que ouvimos
necessitaríamos de uma sample rate 40kHz.
44.1kHz foi adoptada para dar um pouco de margem, já que a ciência
nunca é tão perfeita na realidade. O único problema é que muitas
pessoas afirmam que 96kHz consegue soar melhor, pois afirmam que as
frequências que não são captadas pelo ouvido, exercem uma influência
sobre as audíveis. De qualquer forma o standard DVD optou por 24 bit e
96kHz para ganhar vantagem dos possíveis ganhos na qualidade. Existe
também um problema com o tamanho do ficheiro, em qualidade DVD cada
ficheiro ocupa três vezes do que um em qualidade CD, 30MB por minuto de
stereo em comparação a 10MB, e claro que o áudio de DVD estará em seis
canais que se traduzem em 90MB por minuto e que com tantos dados o CPU
esforça-se muito mais para processa-los. Não lhe posso dizer se estes
valores são suficientes para se notar alguma diferença, no entanto se
trabalhar com ficheiros audio 24 bit o som ficará melhor depois de
processado do que ficheiros em 16 bit.

Drivers
Se precisar de mais uma razão para investir numa placa de som mais profissional, gostaria de lhe mencionar os drivers. Um driver é um pedaço de software que
permite a comunicação entre o computador e os diversos aparelhos a ele
ligado - neste caso a placa de som. Para jogos normais e outros tipos
de multimédia os drivers são escritos para serem muito tolerantes, o
que significa que possuem grandes buffers e delays incorporados para dar tempo suficiente ao computador para que este reconheça e processe todos os dados. Estes delays são
conhecidos como latência e estamos a falar de qualquer coisa de meio
segundo para cima. Num jogo pode não ser nada mas a tocar guitarra é
uma eternidade. As placas de som desenhadas para música profissional
têm de possuir drivers especiais
escritos propositadamente para elas que as tornam muito mais rápidas
até um ponto onde a latência deixa de ser um problema. Qualquer valor
dentro dos 10 milissegundos é considerado na generalidade como
totalmente reproduzível e confere-lhe algum tipo de perspectiva.
Estes são os 4 drivers mais importantes:
ASIO
- Audio Sistem In Out, desenvolvido pela Steinberg, os criadores do
celebre programa de produção áudio Cubase e tornou-se o standard no que
toca a aplicações áudio de baixa latência.
WDM
- Windows Driver Model, é uma versão melhorada para música da Microsoft
Multimedia Driver que consegue oferecer latências muito baixas com
aplicações de musica especificas como por exemplo o Sonar da Cakewalk.
WaveRT
- O novo protocolo de driver para áudio presente no Windows Vista.
Supostamente um melhoramento fabuloso do WDM - tenha este em mente se
estiver a correr o Vista. GSIF - Gigasampler Interface é um driver feito especialmente para correr GigaStudio.
Espero
que esteja a perceber o quão central é a placa de som para o seu
homestudio. Ela fornece osinputs físicos, dita a qualidade da
gravação e determina a performance do sistema.
Artigo Original por Robin Vincent
traduzido para o português por Germano Lins
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