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Em um ambiente de audição
real, como numa sala de concertos, o ouvinte fica mais perto dos
instrumentos de cordas do que os da percussão.
Isso devido ao fato de que
num certo dia, muito tempo atrás, alguém decidiu que os instrumentos de
percussão, tímpanos, bumbos e outros, ficassem posicionados nas últimas
filas da orquestra de forma a não abafar os sons dos instrumentos mais
suaves como violinos, violas e sopros.
Realmente uma grande idéia
essa! Recomendo uma quantidade razoável nas cordas, um pouco mais nos sopros, e mais ainda nos metais (trombones, trompas e trumpetes) e percussão. Perceba que a quantidade de adição de reverb está diretamente ligada ao posicionamento dos diversos instrumentos na orquestra com relação ao espectador. Isso criará a simulação perfeita de um ambiente de audição real. Particularmente não sou contra a idéia de utilizar diferentes configurações de reverbs em diferentes instrumentos, mas com a capacidade de enviar volumes individuais de cada trilha de instrumento, não entendo vários reverbs sejam necessários para simular um efeito realístico. Além do que, o computador processará mais rápido com menos reverbs sendo aplicados.. Aqui darei uma boa dica. Quanto mais alto for um solo de clarinete numa sala de concertos, maior será o seu reverb. Ao encorpar os clarinetes poderemos criar novas energias e entusiasmo com aumento de reverb. Este aumento reverb não acontece em um ambiente real, mas funciona maravilhosamente numa mixagem. Uso essa técnica a anos, e sempre dá certo! Unidades de Reverb sofisticadas possuem uma variedade enorme de configurações, reverb time (RT), também chamado de Decay, pre-delay e room size (tamanho do ambiente). O reverb time é quanto tempo o som continua a repercutir até que deixe de ser ouvido, a parte a seguir da reverberação é considerada como reverb tail. Pre-delay é a quantidade de tempo antes da primeira reflexão do som ser ouvida. Isto é causado pelo rebote do som em uma superfície refletora como uma parede, por exemplo. Quartos que têm paredes perpendiculares tendem a ser mais reverberantes porque o som bate numa parede e é enviado para a parede oposta, onde rebate e volta para primeira parede, o que aumenta o tempo de reverberação. Room size é a configuração que permite ao usuário escolher o tamanho do ambiente que está tentando simular. O processador do reverb calcula esses ajustes e usa um algoritmo para simular a ressonância do ambiente escolhido.
Caso possua um reverb de
convolução, será muito provável que ele lhe permita colocar cada
instrumento em um local específico no palco.
Com esta tecnologia de
impulso de resposta (IR), somos capazes de usar múltiplas configurações
de diferentes distâncias e os resultados poderão ser bastante eficientes
e agradáveis, mas não é
necessário. Todos à bordo!
O que é Bus?
Visto que o áudio trafega num determinado sentido, é importante compreender o encaminhamento da cadeia do sinal, ou fluxo do sinal, como muita gente chama. O som entra no canal, e é distribuído em diferentes lugares do módulo: EQ, faders, bem como nos botões aux send. Portanto, vamos falar deste tráfego, tráfego lembra automóvel... mas como estamos falando de vários instrumentos e vozes, melhor será chamar de ônibus, ou Bus.
Se quisermos que todas as
trilhas de metais (brass) sejam enviadas para um grupo em separado, precisamos
configurar um canal aux.
Este canal aux possui uma
entrada e uma saída.
Vamos atribuir o bus estéreo (7-8),
à entrada, e a saída como master fader.
Estas atribuições instruirão
o mixer a conectar algumas coisas umas nas outras, de forma que um bus é
uma conexão entre um ou mais sinais de áudio que possuam um destino
comum.
Vamos lá! Todos à bordo!
EQ Equalizar ou não equalizar, eis a questão. A freqüência de resposta dos samples das bibliotecas Garritan é muito boa. Desde que o usuário tenha criado um bom equilíbrio entre os instrumentos, assim como um arranjo de cordas agradável e coerente, não há nenhuma necessidade para equalizar. Isso não significa dizer que nunca uso EQ nas bibliotecas Garritan, apenas quer dizer que podemos ter uma excelente sonoridade sem precisar equalizar.
Usamos a equalização, que
chamarei daqui por diante apenas de EQ, para manter
todas as freqüências iguais. Frequentemente os
equalizadores causam mais danos do que benefícios.
Caso você seja um engenheiro
experiente, bem, essa é uma outra história.
Usar EQ num instrumento ou
voz pode ser muito eficaz para eliminar as freqüências ofensivas,
irritantes.
A EQ também pode ser usada
para destacar um determinado instrumento dos outros.
Com a automação, podemos usar EQ
apenas numa frase pequena, até mesmo numa única nota, quem decide é
você.
A figura acima mostra um equalizador de cinco bandas padrão dos plug-ins da Digital Performer. Este equalizador permite ajustar volume (ganho), a freqüência, e a largura de banda. Caracteriza-se por possuir cinco bandas, como já disse, e dois filtros, LF (low frequency - baixa freqüência) LMF (low mid frequency - média baixa freqüência) MF (mid frequency - média freqüência) HMF (high mid frequency - média alta freqüência) e HF (high frequency -alta freqüência).
O volume é medido em decibéis
(db) (não confundir com Ré bemol - Db). Oitava, esse termo é conhecido. Interessante como a música tem tudo a ver com a matemática, assim como muitas outras coisas nesse nosso universo. Quando o baixista toca a corda mais grave de seu instrumento acústico, temos um E (Mi), algo em torno de aproximadamente 80hz. A nota mais aguda de um piano é de 4186 Hz ou 4.186 kHz. Quando a corda do baixo se movimenta para frente e para trás, ela faz esse movimento, ou seja vibra, 80 vezes por segundo. Nosso tímpano (dentro do ouvido) vibra também 80 vezes por segundo, e por isso, somos capazes de reconhecer essa nota grave do baixo e também podemos entender como ela se relaciona com as cordas. Caso o baixo seja elétrico e esteja conectado a um amplificador, o cone do alto-falante do amplificador irá vibrar também 80 vezes por segundo, criando as ondas sonoras que atingem os nossos ouvidos da mesma forma que a nota tocada no baixo acústico. É fascinante, não? Então, tudo isso tem a ver com a mixagem musical. Tudo! Realmente tudo! Se você entender como o som se origina, você pode facilmente descobrir o que fazer para torná-lo ainda melhor, apenas com um pouco de reflexão. Portanto, quando um som não é bom o bastante, você será capaz de definir a sua EQ muito especificamente e eficazmente, ao invés de girar os botões de uma forma sem sentido. Você já deve ter ouvido falar do Lá natural, ou do Lá 440, não é? Se não, então você nunca mexeu com música. O primeiro Lá acima da nota Dó central do piano produz 440 vibrações por segundo, ou seja 440 Hz. O Lá oitava abaixo deste é de 220hz, ou seja, a metade. E, se descermos mais uma oitava, encontramos o Lá com 110hz. Pura matemática! Estou falando disso porque quando trabalhamos com equalizadores lidamos com freqüências, e estas são expressadas em Hz. Selecione uma flauta na sua biblioteca de samples, ou no seu teclado caso não esteja usando samples. Grave-a em uma trilha de áudio e em seguida insira um EQ nesse canal para atuar em seu som. Observe que ao dar ganho nas baixas freqüências, o som da flauta não é alterado. Quanto mais perto você varrer o botão de freqüência na faixa da flauta, mais o controle afeta. Experimente, teste, mas seja cuidadoso quando usar EQ, uma mexida pequena no botão significa uma grande alteração, e poderá ter um efeito negativo, e isso quase sempre acontece, no seu som. E tenha muito cuidado caso esteja usando um equalizador sobre todo um conjunto estéreo. Você poderá ouvir uma freqüência que não lhe agrada. Se você não souber que freqüência é, você poderá definir o ganho em uma das bandas elevando-a, e em seguida, utilize o botão Q para varrer. Quando você chegar perto da freqüência pretendida, ela começará a ficar alta. Assim que tenha encontrada a freqüência a ser alterada, abaixe o seu ganho para menos de 0db, de forma a cortar a freqüência e fazer com que ela não sobressaia ou fique encoberta pelas outras freqüências.
Panning O termo Pan vem de Panorama. Queremos esta harpa na esquerda, no centro ou na direita? Este é o botão que determina onde os sons dos instrumento serão exibidos a partir de uma perspectiva panorâmica do campo estéreo. Não existem regras aqui, não tem "receita de bolo". Há no entanto, algumas formas bem tradicionais de configurar o panorama estéreo de determinados instrumentos. Mas, se você não quiser segui-las, ninguém poderá dizer que você estar errado. Ora bolas! Você é o engenheiro! Você decide onde a harpa vai ficar! Eu pessoalmente, não gosto do fato de que a maioria das orquestras posicionam os primeiros e segundos violinos no lado esquerdo do palco. Prefiro colocar os segundos violinos numa posição oposta aos primeiros violinos, o que cria um bom equilíbrio, falando em termos de freqüência, da panorâmica. Eu também, pessoalmente, não gosto dos contrabaixos e cellos posicionados no mesmo lado, isto faz com que todas as respostas de baixas freqüências fiquem mais em um dos alto-falantes. Procuro deixar sempre os cellos à direita, onde eles normalmente ficam, e os baixos um pouco mais perto do centro. Este posicionamento cria um maior equilíbrio, na minha opinião. A resposta de baixas frequencias é reforçada porque os contrabaixos agora estão soando nos dois alto-falantes. Esta configuração de pan também ajudam aos baixos soarem melhor em um som de automóvel, muitos sistemas de som automotivos têm graves problemas de fase.
Gosto de fazer certas
loucuras com os sopros, acho isso divertido e na minha opinião, isso dá
muita graça à mixagem.
Espalho-os pelo campo estéreo
sem dó nem piedade, não hesito em colocar alguns totalmente à esquerda e
outros totalmente à direita.
Agora, devemos nos lembrar que, se um oboé está totalmente à direita, e
nada mais está lá, ele vai se destacar, mesmo estando com um volume
muito baixo. Aliás, esta é uma boa forma de destacar instrumentos,
quando não queremos, ou não podemos, usar o volume para isso.
O player Kontakt da
biblioteca Garritan traz os instrumentos com seus posicionamentos
normais no campo estéreo. Experimente trocá-los um pouco de lugar, não
tenha medo, como disse antes..... aqui não existe regras! Compressão Compressão. Está baixo! Está alto! Isso é a "via crucis" de qualquer engenheiro de mixagem.
Compressão é uma ferramenta capaz de detectar
a tensão (em volume), e pode ser configurada
para atuar em determinadas faixas de
freqüência, dependendo da sofisticação do compressor. O primeiro exemplo em MP3 é uma demonstração de um dos meus projetos sem nenhuma compressão ou EQ. Dê uma ouvida, em seguida ouça a segunda MP3, e então explicarei porque penso que os compressores não são a ferramenta mágica que todo mundo diz. Não me interpretem mal, não tenho nada contra a compressão, mas definitivamente, ela não serve para música orquestral.
MP3 Exemplo: pre_comp.mp3 MP3 Exemplo: compression.mp3
Agora que você ouviu as duas versões diferentes, volte a ouvir a segunda MP3 e veja se consegue ouvir mais reverb desta vez. Você irá notar que a dinâmica boa foi assassinada com o excesso de compressão. Dependendo dos ajustes, um compressor normalmente responde rapidamente à ataques, isto permite que qualquer pico súbito possa ser capturado pelo compressor, portanto é possível baixar o volume. Pequenos ajustes em threshold, ratio, attack e release, permitem ao usuário definir o comportamento do compressor. Muitos usuários inserem um compressor em suas mixagens, com todos esses ajustes errados. Quando uma passagem alta ultrapassa o limiar (o limite de threshold), o compressor reage puxando volume de volta e, em seguida, quando a passagem cai abaixo do threshold , o compressor deixa de atuar, permitindo que o volume volte para cima. O nível de reverb normalmente é "puxado para cima" e o som resultante é horrível, lastimável. Novamente, dependendo dos ajustes, especialmente de release, o compressor irá efetivamente puxar as passagens mais suaves para cima, quase igualando, ou mesmo igualando, com as passagens que normalmente devem ser mais altas. Para vocais em música pop, este é um truque muito bom, mas para uma orquestra, definitivamente não!
Então cabe a pergunta:
devemos usar compressor no projeto, caso a música tenha muita dinâmica?
Eu digo não. Volte e criar algumas automações no seu fader master. Reduza o volume suavemente e delicadamente com o mesmo cuidado e carinho que você tocou as notas MIDI.
Grupos O que são grupos? Tudo acaba eventualmente passando pelo fader master. Em vez de enviarmos todas as trilhas de áudio e instrumentos diretamente para o fader master, podemos separar os instrumentos em seções (assim como eles são separados em naipes na orquestra), cordas, sopros (palhetas), sopros (metais) e percussão. Todas as cordas seguem em estéreo para um grupo (bus) master, os sopros em outro, e assim sucessivamente. Na última passada teremos o controle global sobre as quatro seções principais. Também podemos colocar um outro aux send para reverb, e com isso temos a opção de adicionar reverbs nessas seções individualmente, se for necessário. Ah, e também poderemos automatizar isso. Leia atentamente o manual de sua DAW para saber como configurar adequadamente os grupos, e aprender a utilizar a automatização de uma forma mais eficiente. Quando eu começo a mixagem, ouço somente os primeiros violinos. Crio uma automação de fader do começo ao fim. Dessa forma acho que tenho mais controle, deixo os primeiros violinos tocando e começo a automatizar os segundos violinos. Uso os primeiros violinos como referência para equilibrar tanto os primeiros como os segundos violinos. Após mixados os dois sets de violinos, coloco a linha em baixo e somente acrescento no momento de cada parte, ou seja, somente abro os faders quando há algo a ser tocado. Depois de mixadas todas as cordas, vou para os sopros de madeira, depois para os de metais e por último trabalho na percussão. Na maioria das vezes, quando mixo os sopros, automatizo sem as cordas, equilibrando cada instrumento e acrescentado ao longo da música. Depois disso ficam faltando apenas alguns ajustes, mas estes ajustes não passam de "perfumarias", tanto que se não os fizer, talvez não façam falta nenhuma. A grande maioria dos mortais não possui computadores com potência suficiente para trabalhar com uma biblioteca de samples orquestrais como a Garritan de uma forma completa. Se este for o seu caso, use o recurso de congelamento que as DAWs possuem. Esta função permite que você grave o som de uma trilha de áudio já incluindo qualquer efeito que esteja aplicado nela. Caso nesse momento você descubra alguma nota errada, você sempre tem a possibilidade de voltar atrás, descongelar a trilha, editar a nota errada, e voltar a congelar. O processo de congelamento é basicamente a gravação de um som em tempo real. Certamente existem muito mais coisas a se falar sobre este assunto fascinante, mas vamos deixar para uma próxima vez. O segredo é: Ouvir com atenção e confiar nos seus ouvidos.
Dan Kury |
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