 |
|
O seu site de Tecnologia
Digital aplicada à Música. Aqui
você encontra informações
técnicas relativas
à construção de
seqüências MIDI,
gravações de áudio, loops,
compactação de arquivos, manuais traduzidos para
o
português de softwares musicais consagrados, download de
softwares, plug-ins e utilitários para quem utiliza a
informática como ferramenta musical, além das
notícias mais atuais do que está acontecendo no
mundo da
música digital. |
|
CURSOS EM VÍDEO
CUBASE
SONAR X1
SONAR 7
SONAR 6
SONAR 5
SONAR 4
MASTERIZAÇÃO
MIXAGEM
REASON
SOUND FORGE 9
SOUND FORGE 8
A ARTE DA MIXAGEM
FINALE 2007
ADOBE PREMIERE PRO
AUDITION
PHOTOSHOP
AFTER EFFECTS
MANUAIS
CUBASE 6
CUBASE 5
SONAR X1
LOGIC PRO 9
SONAR 8
SONAR 7
SONAR 6
SONAR 5
SONAR 4
SONAR 3
SONAR 2 XL
CAKEWALK PRO AUDIO 9.0
PRO TOOLS M-POWERED
PRO TOOLS HD
PRO TOOLS MIX
PRO TOOLS TDM
PRO TOOLS LE
CUBASE 3 SX/SL
NUENDO 3
ABLETON LIVE 7
ABLETON LIVE 6
ABLETON LIVE 5
REASON 4
REASON 3
REASON 2.5
MAGIX SAMPLITUDE
FRUITYLOOPS
SOUND FORGE 10
SOUND FORGE 9
SOUND FORGE 8
SOUND FORGE 7
SOUND FORGE 6
SOUND FORGE 5
SOUND FORGE 4.5
ACID PRO 6
ADOBE PREMIERE PRO
SONY MEDIA VEGAS 8
SONY MEDIA VEGAS 7
SONY MEDIA VEGAS 6
SIBELIUS 5
DVD ARCHITECT 4
GVOX ENCORE
MELODYNE EDITOR
ANTARES AUTO TUNE
WAVES RESTORATION
NI ABSYTH
NI AKOUSTIK PIANO
NI B4
NI ELEKTRIK PIANO
NI BATTERY 3
NI KONTAKT
M-AUDIO AUDIOPHILE 2496
M-AUDIO DELTA 1010LT
REAPER
A ARTE DA MIXAGEM
A ARTE E A CIÊNCIA DA MASTERIZAÇÃO
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:
1. GUIAS E TUTORIAIS GRATUITOS - Clique aqui.
2. Todos os Guias e Vídeos comercializados e disponibilizados
gratuitamente em nosso site são produzidos por nossa
equipe.
3. Todos os Guias e vídeos foram produzidos baseados em Softwares com suas VERSÕES OFICIAIS E REGISTRADAS.
4.
Todos os Guias são fornecidos em formato PDF, para serem
lidos/impressos com o utilitário Adobe Acrobat Reader versão 7.0
ou superior.
5. As aulas em vídeo são em formato AVI, codec de
licença livre, e podem ser assistidas em qualquer player
compatível (Windows Media Player, MPlayer, QuickTime
e outros).
6.
A entrega dos Guias pode ser feita por remessa de link para efetivação
de download, quando esta opção estiver disponível, por intermédio de
mensagem de correio eletrônico.
7. A entrega dos vídeos é feita por Remessa Postal Registrada.
|
Pequeno tutorial sobre Mixagem usando a
biblioteca de samples Garritan Orchestra
Por Dan Kury,
traduzido e adaptdado por Germano Lins
Introdução:
Tenho exercido a profissão de
engenheiro de gravação a mais de trinta anos, e ainda aprendo coisas
novas a todo momento. Vou tentar lhe dar uma visão do meu jeito de
fazer música com computadores. Caso use um Mac, ou um PC, ou ambos,
você é o produtor e o engenheiro, e sendo assim, deve possuir bons
conhecimentos sobre ambas atividades.
A produção de áudio é um
processo crucial no que tange à tornar a sua música realista e
agradável aos ouvidos dos outros.Frequentemente, os usuários fazem os
ajustes necessários, edições MIDI, aplicam efeitos, e em seguida
ignoram a produção de áudio completamente.
O Essencial:
Em primeiro lugar, o mais importante. Espero que você possua um par de
monitores decente em seu home-studio. Caso não possua, perca algum
tempo ouvindo os seus CDs favoritos em uma loja de monitores, nela você
poderá ouvi-los em diferentes tipos de monitores. Não compre os que têm
baixos profundos e freqüências altas muito brilhantes, ao invés disso
compre o par de monitores que produza a sonoridade de médias
freqüências mais natural, como aquelas do piano, do violão, das cordas,
e o mais importante, onde a voz soa melhor. Precisamos de ser capazes
de ouvir claramente a parte que estamos trabalhando e sobre como ela se
enquadra, ou se encaixa, com as outras peças da música. Mantenha-se
longe das grandes lojas de eletrônicos. Dirija-se a uma loja que
trabalhe somente com equipamentos profissionais. Normalmente essas
lojas são pequenas. Você não vai obter uma sonoridade profissional se
mixar em monitores de um mini-system caseiro. Fique logo sabendo que
isto tem um custo. Um bom par de monitores profissionais custa em torno
de R$ 1.500,00.
Muitas pessoas confundem o que é MIDI e o que é áudio. Canso de ler
mensagens em listas de discussão de áudio falando em "tentar" converter
suas trilhas de MIDI em áudio. Isso não é possível (converter). Uma
trilha MIDI contém informações sobre quando cada nota inicia, sua
intensidade, caimento, e outras coisas, e quando ela deve parar de soar
(note off). Do ponto de vista técnico, uma trilha MIDI não pode ser
convertida para uma trilha de áudio. A trilha MIDI tem que ser
reproduzida em um sintetizador ou por uma biblioteca de samples. O
sintetizador ou sampler então irá então reproduzir o som adequadamente.
E sendo assim, o som poderá ser gravado em uma trilha de áudio e em
seguida você poderá ouví-lo.
A fase de criação de uma produção MIDI, passa na mão de pessoas
diferentes. O músico arranjador que cria as trilhas MIDI, o engenheiro
de gravação e o produtor que trabalharão nelas depois da fase de edição
MIDI estar concluída.
O processo de criação de uma verdadeira produção MIDI se divide em duas
partes distintas. A primeira é a edição das notas na trilha MIDI,
enquanto que a segunda é a forma como o instrumento, por meio de ser
som, vai ser mixado no todo da canção.Programas de notação musical como
Finale, Sibelius e outros, permitem que as notas sejam escritas sob
forma de partitura musical, e para algumas pessoas, essa é a forma mais
conveniente de criar e editar notas MIDI. Será necessário uma DAW
(audio digital workstations - computador) para manipular com precisão
tudo o que é necessário. Mesmo que você não seja um virtuoso pianista
ou tecladista, ter um teclado com um decente modwheel e alguns faders,
é algo, diria, imprescindível, você não irá se arrepender. Caso adquira
um teclado controlador MIDI, certifique- se de que seu mod wheel (roda
de modulação) esteja em um controle separado e possua molas de boa
qualidade. Não adquira teclados sem esse controle ou que compartilhe
vários controles em um só.
Quando começo a mixar, procuro imaginar que a trilha MIDI é o som de um
microfone na gravação. Ou seja, procuro editar as notas de forma que a
trilha MIDI soe como se ela tivesse sido gravada com um instrumento de
verdade. Ouça as trilhas MIDI uma a uma, em separado. Algumas
transições e passagens de notas costumam não ser naturais, e outras
notas podem estar muito altas ou muito suaves. Devemos pois, corrigir
estas falhas em primeiro lugar. Cada trilha MIDI deve ser ouvida, ou
por assim dizer, observada com um microscópio. Devemos ser pacientes
neste momento.
Uma das coisas que tornam as bibliotecas de samples interessantes, é a
quantidade de articulações para cada instrumento que podemos escolher.
Quanto mais você tem, mais perto de obter de forma muito impressionante
e realista o som, porém, usando mais articulações e mais edições, o que
torna todo processo bastante moroso. Uma vez que estamos a preparar um
conjunto de notas, é imperativo que todas as peças se encaixem
perfeitamente juntas.
Há um monte de coisas criativas que podemos fazer com os recursos de
áudio numa DAW, podemos até mesmo criar um novo instrumento. Recomendo
gravar cada instrumento em trilhas separadas. Caso seu computador
possua memória suficiente e um processador poderoso, você pode
reproduzir a peça inteira do começo ao fim sem gravando estes
instrumentos. Depois de ter gravado as trilhas de áudio dos
instrumentos, as trilhas MIDI poderão ser desligadas ou arquivadas (o
termo depende do programa utilizado na gravação). Às vezes o nosso
computador não é apenas capaz de tocar todos os sons ao mesmo tempo, de
forma que gravá-los é uma ótima forma de aliviar o stress do
computador.
Aqui está um exemplo do uso de dois sons diferentes de flauta. Flute
solo V, (vibrato) e Flute solo NV (sem vibrato). Utilizei a mesma
trilha MIDI de flauta para gravar esses dois sons diferentes.
Usando automação de fader, podemos aplicar um crossfade da trilha
Flauta NV para a trilha Flute V, monitorar e ter total controle sobre
quando o vibrato deve acontecer. Perca um tempinho e use o mouse
ou o trackball para gravar automação de faders nestas duas trilhas, e
não desita até que consiga com que soe da maneira como você deseja. Na
figura abaixo a linha e os pontos pretos são os dados de automação do
fader de volume. O primeiro MP3 são as duas trilhas de flauta soladas
sem reverb, o segundo MP3 é a forma como a flauta acabou ressonando no
trecho.
MP3 Exemplo: flute_dry.mp3
MP3 Exemplo: flute_mix.mp3
Muitas
bibliotecas de samples não possuem a conveniência do uso da roda de
modulação para a criação de sentimentos e expressões. A GPO permite,
então recomendo que você inicie a sua trilha MIDI com uma linha reta,
ou com os dados da roda de modulação em torno de 70 por cento. Depois
de ter concluído a edição do velocity (ataque), duração, afinação e
etc. você deve apagar todos os dados da roda de modulação, e usar o
recurso overdub para gravar os dados de automação com a roda de
modulação nesta trilha. A função overdub permite gravar novas
performances da roda de modulação, mantendo todas as notas e outros
dados já existentes na trilha MIDI. Tal como a automação de fader que
acabou de ser criada com a flauta, continue movendo a roda de modulação
até que tudo fique a contento. Caso se confunda ou erre alguma coisa
você terá que se certificar de apagar os dados errados na frase ou
trecho. Caso sua DAW não tenha recurso overdub, algo pouco provável,
você ainda tem a possibilidade de gravar os dados adicionais em novas
trilhas e depois escolher aquelas que ficaram melhores. Configure o
mesmo canal MIDI nestas trilhas para que as notas sejam executadas com
o mesmo instrumento.
A próxima
figura apresenta todos os dados que estão na trilha de violinos. Os
dados da roda de modulação são laranja, o pitch bend é azul e vermelho
é o pedal sustain. Observe como algumas notas deslizam entre si. Você
não tem que fazer isso em cada nota, mas usar o mouse para criar estas
curvas de pitch bend faz muita diferença. Às vezes, acabo tendo muita
coisa. Tudo que é demais atrapalha. Tenha cuidado em não fazer com que
essa trilha de violinos soe como uma coisa amadora. Observe a
quantidade de detalhes intrincados que foi criada com a roda de
modulação. Ouça o MP3 e siga as notas, você vai ver como os dados da
roda de modulação fazem que a coisa tenha um sentimento mais humano.
Estes dados de modulação são muito difíceis de criar com o mouse, então
uso a roda de modulação.
MP3 Exemplo: midi_data.mp3
Reverb
A GPO
possui um reverb bem agradável. Selecione um preset que torne o som um
pouco mais agradável. Caso a sua peça seja constituída de um quarteto
de cordas, não aconselho usar presets "concert hall" ou "church". Estes
ambientes são muito grandes, e vão fazer com que a pouca quantidade de
cordas soe ainda menor, em vez disso, você deve usar um preset de
câmara. Aqui você é o juiz, e o tempo perdido na escolha do melhor
preset, ouvindo e testando fará toda a diferença. É justamente aqui que
o trabalho passar a ter uma conotação profissional.
Algumas perguntas que ouço sobre reverbs:
O que é um plug-in?
Como faço para definir volumes de reverb?
O que é aux send (mandada auxiliar)?
O que significa pre e post?
Todos os instrumentos devem ter a mesma quantidade de reverb?
Devo usar diferentes tipos de reverb para diferentes instrumentos?
Sua
mesa de mixagens, seja ela virtual ou real, possui botões giratórios
(knobs) e faders (botões deslizantes horizontais), e faders (botões
deslizantes verticais) para controlar tudo. Normalmente existe uma
fileira de knobs chamados AUX (de auxiliar) send (envio ou mandada) 1,
2, 3, etc. Estes controles de volume auxiliares distribuem o
volume desse instrumento (um em cada canal) para qualquer lugar. Vamos
usar um destes controles de volume auxiliar para enviar (send) a nossa
flauta para o reverb. Vamos usar o mesmo tipo de botão giratório (knob)
em cada canal de áudio no mixer, porque queremos enviar todos os
instrumentos para ao reverb. A figura ao lado mostra os aux sends
(envios auxiliares), e também indica que estão endereçados ao bus 1.
Perceba também que os botões de pan estão ajustados em diferentes
posições, ou seja, estão enviando o som do canal para posições
diferentes no campo estéreo, isto será descrito mais tarde com mais
detalhes.
Primeiramente você precisará criar, ou abrir uma trilha AUX estéreo ou
"return (retorno)", como em alguns programas é chamado. Esse é o local
onde o reverb irá residir. O termo plug-in é uma referência comum para
um determinado dispositivo que pode ser utilizado dentro da DAW. Antes
da chegada dos computadores no mundo da gravação e mixagem de áudio, um
reverb ou um equalizador era uma equipamento que normalmente ficava em
um rack, agora ele é um software que é carregado na memória do
computador, e o computador fica sendo o responsável pelo processamento
destes dispositivos plug-ins.Agora que temos um retorno sendo mostrado
no nosso mixer, precisamos selecionar o Plug-in de Reverb de nossa
escolha e inseri-lo (insert) no retorno deste Aux. Quando o termo
"insert (inserir)" é utilizado, não significa que o plug-in de efeito
ou de qualquer outra coisa esteja simplesmente "dentro" deste canal
Aux. Não deixe que o termo lhe confunda. Ela não é uma trilha de áudio
gravável, mas sim um canal estéreo onde podemos controlar o volume.
Consulte o manual da sua DAW para aprender como criar e configurar aux
sends (mandadas auxiliares), aux returns (retornos auxiliares), inserts
(inserções) e um fader master.
A mandada auxiliar em cada canal pode ser configurada de duas maneiras
diferentes, Pre ou Post. Que significa pre-fader e post-fader (antes do
fader e depois do fader). Aqui está a chave de tudo! Se tivermos o aux
send de nossa flauta configurado em "post', isto significa que o volume
da flauta trafega pela configuração do fader de volume do canal e segue
para o aux send. Em outras palavras, o fader de volume do canal aumenta
ou diminui o que é enviado para o aux send, sendo assim, quanto mais
levantarmos o fader de volume do canal da flauta, mais ganho será dado
ao botão aux send, que por sua vez dá mais volume ao reverb. Este é o
uso mais comum de controle de reverb. Caso o aux send esteja
configurado como "pre", o fader de volume do canal da flauta não afeta
o volume do reverb, isto porque o aux send está recebendo o sinal da
flauta antes deste passar pelo fader de volume do canal da flauta.
Fixe bem isso: caso o aux send seja "pre", o som da flauta ficará muito
longe de todo o resto, caso o fader esteja demasiado baixo. Quando você
abaixa o fader da flauta, você não reduz o volume do aux send, somente
o som seco (dry - sem processar) da flauta.Com certeza você irá querer
que o fader controle o sinal aux send também que quase sempre estarão
configurados como "post". O termo Wet (molhado) é usado para descrever
o sinal processado com efeito e o termo Dry (seco) é o sinal sem efeito.
Em um ambiente de audição real, como numa sala de concertos, o ouvinte
fica mais perto dos instrumentos de cordas do que os da percussão. Isso
devido ao fato de que num certo dia, muito tempo atrás, alguém decidiu
que os instrumentos de percussão, tímpanos, bumbos e outros, ficassem
posicionados nas últimas filas da orquestra de forma a não abafar os
sons dos instrumentos mais suaves como violinos, violas e sopros.
Realmente uma grande idéia essa!
Hoje em dia, temos vários tipos de reverbs, que simulam ambientes reais
de grandes salas, igrejas, salas menores e um enorme seleção de
"verdadeiros espaços" que podemos usar para simular um verdadeiro
espaço, até mesmo latas de lixo estão disponíveis em algumas
bibliotecas de impulsos.
Recomendo uma quantidade razoável nas cordas, um pouco mais nos sopros,
e mais ainda nos metais (trombones, trompas e trumpetes) e percussão.
Perceba que a quantidade de adição de reverb está diretamente ligada ao
posicionamento dos diversos instrumentos na orquestra com relação ao
espectador. Isso criará a simulação perfeita de um ambiente de audição
real.
Particularmente não sou contra a idéia de utilizar diferentes
configurações de reverbs em diferentes instrumentos, mas com a
capacidade de enviar volumes individuais de cada trilha de instrumento,
não entendo vários reverbs sejam necessários para simular um efeito
realístico. Além do que, o computador processará mais rápido com menos
reverbs sendo aplicados.. Aqui darei uma boa dica. Quanto mais alto for
um solo de clarinete numa sala de concertos, maior será o seu reverb.
Ao encorpar os clarinetes poderemos criar novas energias e entusiasmo
com aumento de reverb. Este aumento reverb não acontece em um ambiente
real, mas funciona maravilhosamente numa mixagem. Uso essa técnica a
anos, e sempre dá certo!
Unidades de Reverb sofisticadas possuem uma variedade enorme de
configurações, reverb time (RT), também chamado de Decay, pre-delay e
room size (tamanho do ambiente). O reverb time é quanto tempo o som
continua a repercutir até que deixe de ser ouvido, a parte a seguir da
reverberação é considerada como reverb tail. Pre-delay é a quantidade
de tempo antes da primeira reflexão do som ser ouvida. Isto é causado
pelo rebote do som em uma superfície refletora como uma parede, por
exemplo.Quartos que têm paredes perpendiculares tendem a ser mais
reverberantes porque o som bate numa parede e é enviado para a parede
oposta, onde rebate e volta para primeira parede, o que aumenta o tempo
de reverberação. Room size é a configuração que permite ao usuário
escolher o tamanho do ambiente que está tentando simular. O processador
do reverb calcula esses ajustes e usa um algoritmo para simular a
ressonância do ambiente escolhido.
Caso possua um reverb de convolução, será muito provável que ele lhe
permita colocar cada instrumento em um local específico no palco. Com
esta tecnologia de impulso de resposta (IR), somos capazes de usar
múltiplas configurações de diferentes distâncias e os resultados
poderão ser bastante eficientes e agradáveis, mas não é necessário.
Todos à bordo!
O que é Bus?
Visto que
o áudio trafega num determinado sentido, é importante compreender o
encaminhamento da cadeia do sinal, ou fluxo do sinal, como muita gente
chama. O som entra no canal, e é distribuído em diferentes lugares do
módulo: EQ, faders, bem como nos botões aux send. Portanto, vamos falar
deste tráfego, tráfego lembra automóvel... mas como estamos falando de
vários instrumentos e vozes, melhor será chamar de ônibus, ou Bus.
Se
quisermos que todas as trilhas de metais (brass) sejam enviadas para um
grupo em separado, precisamos configurar um canal aux. Este canal aux
possui uma entrada e uma saída. Vamos atribuir o bus estéreo (7-8), à
entrada, e a saída como master fader.Estas atribuições instruirão o
mixer a conectar algumas coisas umas nas outras, de forma que um bus é
uma conexão entre um ou mais sinais de áudio que possuam um destino
comum. Vamos lá! Todos à bordo!
EQ
Equalizar ou não equalizar, eis a questão.
A freqüência de resposta dos samples das bibliotecas Garritan é muito
boa. Desde que o usuário tenha criado um bom equilíbrio entre os
instrumentos, assim como um arranjo de cordas agradável e coerente, não
há nenhuma necessidade para equalizar. Isso não significa dizer que
nunca uso EQ nas bibliotecas Garritan, apenas quer dizer que podemos
ter uma excelente sonoridade sem precisar equalizar.
Usamos a equalização, que chamarei daqui por diante apenas de EQ, para
manter todas as freqüências iguais. Frequentemente os equalizadores
causam mais danos do que benefícios. Caso você seja um engenheiro
experiente, bem, essa é uma outra história.Usar EQ num instrumento ou
voz pode ser muito eficaz para eliminar as freqüências ofensivas,
irritantes. A EQ também pode ser usada para destacar um
determinado instrumento dos outros. Com a automação, podemos usar EQ
apenas numa frase pequena, até mesmo numa única nota, quem decide é
você.
A figura
acima mostra um equalizador de cinco bandas padrão dos plug-ins da
Digital Performer. Este equalizador permite ajustar volume (ganho), a
freqüência, e a largura de banda. Caracteriza-se por possuir cinco
bandas, como já disse, e dois filtros, LF (low frequency - baixa
freqüência) LMF (low mid frequency - média baixa freqüência) MF (mid
frequency - média freqüência) HMF (high mid frequency - média alta
freqüência) e HF (high frequency -alta freqüência).
O volume é medido em decibéis (db) (não confundir com Ré bemol - Db).
As freqüências são medidas em Hertz (hz) algumas vezes chamado de ciclos por segundo (cps).
A largura
de banda (Bandwidth) é mensurado como "Q", que indica a quantidade de
decibéis por oitava que o equalizador irá afetar quando cortar (cut ou
atenuar) ou aumentar (boost) o volume.
Oitava,
esse termo é conhecido. Interessante como a música tem tudo a ver com a
matemática, assim como muitas outras coisas nesse nosso universo.
Quando o baixista toca a corda mais grave de seu instrumento acústico,
temos um E (Mi), algo em torno de aproximadamente 80hz. A nota mais
aguda de um piano é de 4186 Hz ou 4.186 kHz. Quando a corda do baixo se
movimenta para frente e para trás, ela faz esse movimento, ou seja
vibra, 80 vezes por segundo. Nosso tímpano (dentro do ouvido) vibra
também 80 vezes por segundo, e por isso, somos capazes de reconhecer
essa nota grave do baixo e também podemos entender como ela se
relaciona com as cordas. Caso o baixo seja elétrico e esteja conectado
a um amplificador, o cone do alto-falante do amplificador irá vibrar
também 80 vezes por segundo, criando as ondas sonoras que atingem os
nossos ouvidos da mesma forma que a nota tocada no baixo acústico. É
fascinante, não? Então, tudo isso tem a ver com a mixagem musical.
Tudo! Realmente tudo! Se você entender como o som se origina, você pode
facilmente descobrir o que fazer para torná-lo ainda melhor, apenas com
um pouco de reflexão. Portanto, quando um som não é bom o bastante,
você será capaz de definir a sua EQ muito especificamente e
eficazmente, ao invés de girar os botões de uma forma sem sentido.
Você já
deve ter ouvido falar do Lá natural, ou do Lá 440, não é? Se não, então
você nunca mexeu com música. O primeiro Lá acima da nota Dó central do
piano produz 440 vibrações por segundo, ou seja 440 Hz. O Lá oitava
abaixo deste é de 220hz, ou seja, a metade. E, se descermos mais uma
oitava, encontramos o Lá com 110hz. Pura matemática! Estou falando
disso porque quando trabalhamos com equalizadores lidamos com
freqüências, e estas são expressadas em Hz.
Selecione
uma flauta na sua biblioteca de samples, ou no seu teclado caso não
esteja usando samples. Grave-a em uma trilha de áudio e em seguida
insira um EQ nesse canal para atuar em seu som. Observe que ao dar
ganho nas baixas freqüências, o som da flauta não é alterado. Quanto
mais perto você varrer o botão de freqüência na faixa da flauta, mais o
controle afeta. Experimente, teste, mas seja cuidadoso quando usar EQ,
uma mexida pequena no botão significa uma grande alteração, e poderá
ter um efeito negativo, e isso quase sempre acontece, no seu som. E
tenha muito cuidado caso esteja usando um equalizador sobre todo um
conjunto estéreo.
Você
poderá ouvir uma freqüência que não lhe agrada. Se você não
souber que freqüência é, você poderá definir o ganho em uma das bandas
elevando-a, e em seguida, utilize o botão Q para varrer. Quando você
chegar perto da freqüência pretendida, ela começará a ficar alta. Assim
que tenha encontrada a freqüência a ser alterada, abaixe o seu ganho
para menos de 0db, de forma a cortar a freqüência e fazer com que ela
não sobressaia ou fique encoberta pelas outras freqüências.
Panning
O termo Pan vem de Panorama. Queremos esta harpa na esquerda, no centro ou na direita?
Este é o
botão que determina onde os sons dos instrumento serão exibidos a
partir de uma perspectiva panorâmica do campo estéreo. Não existem
regras aqui, não tem "receita de bolo". Há no entanto, algumas formas
bem tradicionais de configurar o panorama estéreo de determinados
instrumentos. Mas, se você não quiser segui-las, ninguém poderá dizer
que você estar errado. Ora bolas! Você é o engenheiro! Você decide onde
a harpa vai ficar!
Eu
pessoalmente, não gosto do fato de que a maioria das orquestras
posicionam os primeiros e segundos violinos no lado esquerdo do palco.
Prefiro colocar os segundos violinos numa posição oposta aos primeiros
violinos, o que cria um bom equilíbrio, falando em termos de
freqüência, da panorâmica. Eu também, pessoalmente, não gosto dos
contrabaixos e cellos posicionados no mesmo lado, isto faz com que
todas as respostas de baixas freqüências fiquem mais em um dos
alto-falantes. Procuro deixar sempre os cellos à direita, onde eles
normalmente ficam, e os baixos um pouco mais perto do centro. Este
posicionamento cria um maior equilíbrio, na minha opinião. A resposta
de baixas frequencias é reforçada porque os contrabaixos agora estão
soando nos dois alto-falantes. Esta configuração de pan também ajudam
aos baixos soarem melhor em um som de automóvel, muitos sistemas de som
automotivos têm graves problemas de fase.
Gosto de
fazer certas loucuras com os sopros, acho isso divertido e na minha
opinião, isso dá muita graça à mixagem. Espalho-os pelo campo estéreo
sem dó nem piedade, não hesito em colocar alguns totalmente à esquerda
e outros totalmente à direita.Agora, devemos nos lembrar que, se um
oboé está totalmente à direita, e nada mais está lá, ele vai se
destacar, mesmo estando com um volume muito baixo. Aliás, esta é uma
boa forma de destacar instrumentos, quando não queremos, ou não
podemos, usar o volume para isso. O player Kontakt da biblioteca
Garritan traz os instrumentos com seus posicionamentos normais no campo
estéreo. Experimente trocá-los um pouco de lugar, não tenha medo, como
disse antes..... aqui não existe regras!
Compressão
Compressão. Está baixo! Está alto!
Isso é a "via crucis" de qualquer engenheiro de mixagem.
Compressão
é uma ferramenta capaz de detectar a tensão (em volume), e pode ser
configurada para atuar em determinadas faixas de freqüência, dependendo
da sofisticação do compressor.
O primeiro
exemplo em MP3 é uma demonstração de um dos meus projetos sem nenhuma
compressão ou EQ. Dê uma ouvida, em seguida ouça a segunda MP3, e então
explicarei porque penso que os compressores não são a ferramenta mágica
que todo mundo diz. Não me interpretem mal, não tenho nada contra a
compressão, mas definitivamente, ela não serve para música orquestral.
MP3 Exemplo: pre_comp.mp3
MP3 Exemplo: compression.mp3
Agora que
você ouviu as duas versões diferentes, volte a ouvir a segunda MP3 e
veja se consegue ouvir mais reverb desta vez.Você irá notar que a
dinâmica boa foi assassinada com o excesso de compressão. Dependendo
dos ajustes, um compressor normalmente responde rapidamente à ataques,
isto permite que qualquer pico súbito possa ser capturado pelo
compressor, portanto é possível baixar o volume. Pequenos ajustes em
threshold, ratio, attack e release, permitem ao usuário definir o
comportamento do compressor. Muitos usuários inserem um compressor em
suas mixagens, com todos esses ajustes errados.Quando uma passagem alta
ultrapassa o limiar (o limite de threshold), o compressor reage puxando
volume de volta e, em seguida, quando a passagem cai abaixo do
threshold , o compressor deixa de atuar, permitindo que o volume volte
para cima. O nível de reverb normalmente é "puxado para cima" e o som
resultante é horrível, lastimável. Novamente, dependendo dos ajustes,
especialmente de release, o compressor irá efetivamente puxar as
passagens mais suaves para cima, quase igualando, ou mesmo igualando,
com as passagens que normalmente devem ser mais altas. Para vocais em
música pop, este é um truque muito bom, mas para uma orquestra,
definitivamente não!
Então cabe a pergunta: devemos usar compressor no projeto, caso a música tenha muita dinâmica?
Eu digo
não. Volte e criar algumas automações no seu fader master. Reduza o
volume suavemente e delicadamente com o mesmo cuidado e carinho que
você tocou as notas MIDI.
Grupos
O que são grupos?
Tudo acaba
eventualmente passando pelo fader master. Em vez de enviarmos todas as
trilhas de áudio e instrumentos diretamente para o fader master,
podemos separar os instrumentos em seções (assim como eles são
separados em naipes na orquestra), cordas, sopros (palhetas), sopros
(metais) e percussão. Todas as cordas seguem em estéreo para um grupo
(bus) master, os sopros em outro, e assim sucessivamente. Na última
passada teremos o controle global sobre as quatro seções principais.
Também podemos colocar um outro aux send para reverb, e com isso temos
a opção de adicionar reverbs nessas seções individualmente, se for
necessário. Ah, e também poderemos automatizar isso. Leia atentamente o
manual de sua DAW para saber como configurar adequadamente os grupos, e
aprender a utilizar a automatização de uma forma mais eficiente.
Quando eu
começo a mixagem, ouço somente os primeiros violinos. Crio uma
automação de fader do começo ao fim. Dessa forma acho que tenho mais
controle, deixo os primeiros violinos tocando e começo a automatizar os
segundos violinos. Uso os primeiros violinos como referência para
equilibrar tanto os primeiros como os segundos violinos. Após mixados
os dois sets de violinos, coloco a linha em baixo e somente acrescento
no momento de cada parte, ou seja, somente abro os faders quando há
algo a ser tocado.Depois de mixadas todas as cordas, vou para os sopros
de madeira, depois para os de metais e por último trabalho na
percussão.Na maioria das vezes, quando mixo os sopros, automatizo sem
as cordas, equilibrando cada instrumento e acrescentado ao longo da
música. Depois disso ficam faltando apenas alguns ajustes, mas estes
ajustes não passam de "perfumarias", tanto que se não os fizer, talvez
não façam falta nenhuma.
A grande
maioria dos mortais não possui computadores com potência suficiente
para trabalhar com uma biblioteca de samples orquestrais como a
Garritan de uma forma completa. Se este for o seu caso, use o recurso
de congelamento que as DAWs possuem. Esta função permite que você grave
o som de uma trilha de áudio já incluindo qualquer efeito que esteja
aplicado nela.Caso nesse momento você descubra alguma nota errada, você
sempre tem a possibilidade de voltar atrás, descongelar a trilha,
editar a nota errada, e voltar a congelar. O processo de congelamento é
basicamente a gravação de um som em tempo real.
Certamente existem muito mais coisas a se falar sobre este assunto fascinante, mas vamos deixar para uma próxima vez.
O segredo é: Ouvir com atenção e confiar nos seus ouvidos.
Desejo uma boa mixagem pra você!
Dan Kury
|
|