Microfones

A palavra microfone vem do vocabulário grego que quer dizer “ Mikros ” , pequeno + “ Phone ”, som. O Microfone foi inventado por David Hughes no ano de 1878 e
é um aparelho que transforma, através de fenômenos diversos
(eletrodinâmicos, piezelétricos, eletrostáticos, etc.), as vibrações
mecânicas de uma membrana que recebe ondas acústicas em variações de
corrente. Esta operação
de transformar ondas acústicas em sinais elétricos é chamada
transdução. É tido como transdutor qualquer aparelho capaz de
transformar um tipo de energia em outro. Alguns
bons exemplos de transdutor é a lâmpada que transforma energia elétrica
em energia luminosa, o alto-falante que transforma energia elétrica em
ondas acústicas e no caso do Microfone, transforma o som recebido
(ondas acústicas) em sinal elétrico, cujas variações representam tão
fielmente quanto possível as do som recebido. A figura abaixo é uma representação de uma onda acústica depois de convertido para tensões elétricas: 
No
que se refere à transdução da onda acústica para sinal elétrico, os
microfones podem ser classificados, basicamente, em dois tipos:
dinâmico e capacitivo. O microfone dinâmico consiste
de um diafragma fino acoplado a uma bobina móvel dentro de um campo
magnético. Quando o som atinge o diafragma, este se move para dentro e
para fora, e este movimento da bobina dentro de um campo magnético
produz uma variação de corrente na bobina (e conseqüentemente uma
variação de tensão em seus terminais) análoga à variação da pressão
atuando no diafragma. A seguir temos um gráfico do sistema de um microfone dinâmico: 
Este
tipo de microfone é muito utilizado em apresentações ao vivo porque é
fácil de usar e dispensa o uso de alimentação elétrica. Mas, por outro
lado, possuem uma baixa sensibilidade, ou seja, é um microfone “ Duro ”
. Já o microfone capacitivo, também conhecido como microfone "condenser", usa o princípio de um capacitor variável, consistindo de um diafragma montado bem próximo a uma placa fixa. Uma
carga elétrica polarizada fixa é mantida entre a placa e o diafragma e,
conforme este se move com a pressão sonora, a voltagem entre a placa e
o diafragma varia analogamente. Atualmente,
a carga polarizada usada na maioria dos microfones condenser é
implementada com um "eletreto" pré-polarizado, uma camada carregada
permanentemente na placa ou na parte posterior do próprio diafragma. A
polarização por meios externos normalmente é usada somente nos
microfones de estúdio de mais alta qualidade. Este
tipo de microfone já são mais “ macios ” devido à leveza e
flexibilidade da membrana usada. Este tipo de microfone geralmente é
alimentado por uma pilha de 1,5 volts ou por Phantom Power onde a alimentação ocorre através do próprio cabo do microfone que será visto mais adiante. Abaixo temos o diagrama simplificado do microfone a condensador: 
O CAPACITOR
Um
capacitor é simplesmente constituído por 3 peças sendo 2 peças
condutoras idênticas (Armaduras) e uma peça isolante (dielétrico)
colocada entre as outras duas.
Um
capacitor pode armazenar energia elétrica, mas, não é usado como
alimentador. Para que se tornem claras as suas aplicações, é necessário
fazer o estúdio de seu funcionamento.
Antes
de entrar na parte sobre diretividade, gostaria de citar aqui mais dois
tipos de microfones que fizeram grande nome no decorrer dos tempos.
MICROFONE DE FITA
Devido
à “ dureza ” do microfone dinâmico, foi criado um microfone onde o
nível de distorção era bem menor e o som mais macio. O microfone possui
este nome, pois o conjunto de diafragma e bobina é substituído por uma
fita muito fina de plástico ou metal que fica suspensa (pelas pontas)
entre os pólos de um potente campo magnético ficando seu corpo livre
para se movimentar. Este microfone marcou época nos anos 40 e 50 onde
era muito usado em programas de rádio.
Quando
o sinal incide sobre a fita, esta vibra proporcionalmente à intensidade
do som, atravessando as linhas do campo magnético onde são induzidas as
variações resultantes. Isto faz surgir em seus terminais uma pequena
tensão.
Por
isso este tipo de microfone necessita de um transformador elevador de
sinal e casador de impedâncias, já que a impedância da fita é muito
baixa.
MICROFONE A CARVÃO A
cápsula do microfone a carvão contém grânulos de carvão, fechada por um
diafragma que vibra por efeito de ondas sonoras e exerce maior ou menor
pressão sobre as partículas de carvão, o que faz variar a intensidade
da corrente que passa por elas. Um
ponto fraco do telefone de Bell era o dispositivo emissor que originava
um sinal elétrico muito fraco. O físico inglês David Hughes no ano de
1878 substituiu este dispositivo por outro a que chamou microfone. O
microfone era composto por 3 peças de carvão. Uma delas tinha a forma
de uma barra pontiaguda nas extremidades, pelas quais assentava nas
outras duas peças, também em forma de barra. 
Funcionamento
- Quando falamos diante do bocal microfônico, as esférulas de carvão
são sacudidas modificando-se assim, os numerosos contatos existentes
entre elas, o que tem por conseqüência uma variação da resistência à
passagem da corrente. Este tipo de microfone era muito usado nos
telefones antigos que tinha uma péssima qualidade, mas durava por
muitos e muitos anos.
DIAGRAMA POLAR (diretividade)
O diagrama polar define o
ângulo de captação do microfone e sua variação em função da freqüência.
O diagrama polar apresenta o eixo, ou seja, a Zero grau, e demais
ângulos como 90, 180 e 270 graus. De posse deste diagrama sabe-se o
comportamento do microfone em função do ângulo que o sinal emitido está
em relação ao eixo. A diretividade é dividida da seguinte forma: Cardióide (Unidirecionais): São
chamados assim porque sua curva de resposta tem a forma de um coração.
Este tipo de microfone responde melhor aos sons vindos da frente. Os
sons das laterais são captados com pouca intensidade e seu uso é
indicado para lugares de muito barulho ou para evitar a reverberação em
ambientes fechados. 
Supercardióide: Apresenta
característica parecida com a cardióide, mas, com maior sensibilidade
aos sons vindos da frente, captando um pouco mais os vindos de trás. 
Hipercardióide:
Microfones ultra-direcionais, altamente sensíveis aos sons frontais,
com uma sensibilidade menor do que os anteriores aos sons vindos da
parte de trás. Deve ser apontado com precisão para não captar sons
indesejáveis. Não devem ser utilizados em interiores ou exteriores com
paredes refletoras. Em ambientes reverberantes originam perdas de
definição graves e colorações indesejáveis nas vozes. 
Bidirecional: Também conhecidos como “ Figura de 8 ” são os que captam o som de duas direções opostas, na frente (0° do eixo) e atrás (180° do eixo). São muito usados em estúdios de áudio. Em televisão sua utilização é limitada. 
Omnidirecional: Captam
o som de todas as direções. Muito sensíveis, necessitam estar muito
próximo da fonte sonora para não pegar sons indesejáveis. São indicados
para a captação de festas, orquestras, quando se usa um só microfone. 
DIAGRAMA POLAR: CARACTERISTICA | CARDIÓIDE | SUPERCARD. | HIPERCARD. | BIREC. | OMNIDIREC. | Ângulo de Captação c/ -3dB | -------- | 131° | 115° | 106° | 90° | Ângulo de Captação c/ -6dB | -------- | 180° | 156° | 141° | 120° | Resposta relativa a 90° em dB | 0 | -6 | -8,5 | -12 | 00 | Resposta relativa a 180° em dB | 0 | -00 | -12 | -6 | 0 | Ângulo para resposta nula | ------- | 180° | 127° | 110° | 90° | Fator de distância | 1 | 1,7 | 1,9 | 2,0 | 1,7 |
TABELA DE ÂNGULO DE CANCELAMENTO: Tipo de Microfone | Âng. de Cancelamento | Ang. de Cobertura | Cardióide | 180° | 180° | Supercardióide | 120° | 151° | Hipercardióide | 110° | 141° | Bidirecional | 90° | 2 x 120° | Om nidirecional | ------ | 360° |
POSICIONAMENTO DO MICROFONE
Geralmente, a falta de
experiência de alguns artistas (geralmente cantores, locutores, etc.)
na hora de se posicionar diante do microfone, atrapalha muito na hora
da equalização e regulagem do volume de um microfone. Sem ter uma noção de qual o posicionamento ideal para o tipo de microfone usado, às vezes cantam a mais ou menos 10 centímetros do
microfone, às vezes colocam perto demais da boca, às vezes ficam se
movimentando hora perto, hora longe, sem nenhuma dinâmica. Problemas
desse tipo causam a perda do sinal, onde aparecerão problemas no
resultado final. Problemas como estes podem causar “ microfonia ” Abaixo temos um gráfico do ângulo de posicionamento ideal do microfone para locutores e cantores. 
A
distância ideal para o uso do microfone (na maioria dos casos), é cerca
de dois a três centímetros de distância entre a boca e o microfone.
Microfonia
ou Realimentação Acústica (Acoustic Feedback): Efeito em forma de um
forte silvo de alta freqüência que ocorre quando as ondas sonoras
emitidas por um sonofletor são captadas e re-amplificadas pelo
microfone que as originou. É bem comum a microfonia causar danos a
alto-falantes e amplificadores podendo também trazer problemas de
audição quando a pessoa é muito exposta.
Na maioria dos casos as microfonias são em torno de 3.100 Hz a 5000 Hz.
MICROFONE IDEAL PARA CADA APLICAÇÃO: Microfone
de mão: O microfone de mão é o tipo mais comum. Muito usado em
entrevistas e por cantores, além de permitir ser segurado pelo usuário,
pode ser fixado em um pedestal, pendurado ou mesmo ser deixado no chão. O
ideal é que ele tenha um amortecedor interno para diminuir os ruídos
com a manipulação e ser bem robusto. Em geral os microfones de mão são
do tipo dinâmico. Lapela: Microfone
projetado para ser usado junto do corpo humano. O microfone de lapela,
também chamado de “ Lavalier ” , é outro tipo muito utilizado. De
formato muito pequeno, é preso à roupa deixando o usuário com as mãos
livres. Ele pode
ser facilmente escondido atrás de qualquer objeto, neste caso o som
deve ser muito bem equalizado para parecer natural. Os microfones de
lapela podem ser ligados diretamente ou através de emissores /
receptores. Quando
são usados Lavalier sem fio, um pequeno transmissor é colocado na roupa
do usuário. Se ele for duplo são usados dois transmissores com
freqüências diferentes. Em geral os microfones de lapela são do tipo
eletreto ou condensadores. Shotgun: O
do tipo Shotgun é projetado para captar sons de distâncias maiores.
Deve-se evitar apontá-lo para superfície dura, como uma parede de
azulejos ou de tijolos, porque elas podem refletir sons de fundo ou
deixar o som "oco". O
Shotgun é muito sensível ao barulho causado pelo vento, por isto deve
ser movimentado com cuidado e, sempre que possível, usá-lo com
quebra-vento de espuma (luva). Em geral os microfones Shotgun são do
tipo Hipercardióide, Supercardióide ou Cardióide. PZM: O
PZM – (Pressure Zone Microphones), é um microfone projetado para captar
o som de várias pessoas. Este microfone iguala o volume de todos os
sons captados dentro de seu alcance. Em geral os microfones PZM são do
tipo omnidirecionais. Abaixo citarei alguns microfones atualmente
disponíveis no mercado que analisando custo / benefício executam bem o
que propõe. Abaixo citarei alguns microfones atualmente disponíveis no mercado que analisando custo / benefício executam bem o que propõe. FABRICA | MODELO | CAPTAÇÃO | TIPO DE TRANSDUTOR | LESON | SM 58 PLUS | SUPERC. | DINÃMICO | LESON | MP 68 | CARDIÓIDE | CONDENSADOR | SHURE | SM 58 | CARDIÓIDE | DINÂMICO | SHURE | SM 58 A | SUPERC. | CONDENSADOR | AKG | C 900 | CARDIÓIDE | CONDENSADOR | AKG | C 4000 B | HIPERC. | CONDENSADOR | BEHRINGER | B2 | CARDIÓIDE | CONDENSADOR | SAMSOM | Q1 | CARDIÓIDE | CONDENSADOR |
POLARIDADE E FASE
Estes termos são freqüentemente usados como tendo o mesmo significado, porém, não é a realidade. Polaridade: Em
eletricidade, mudar a polaridade é fazer a simples reversão do pólo
positivo com o pólo negativo. Não importa se trata-se de CC (Corrente
Contínua) ou CA (Corrente Alternada). Inverter
uma bateria em uma lanterna é a explicação mais simples para este fato.
Se você reverter a polaridade da voltagem que está indo para a lâmpada
da lanterna ela funcionará da mesma maneira, porém, em outros circuitos
eletrônicos, o funcionamento não acontecerá. Um exemplo da mudança de fase em CA (Corrente
Alternada) é a troca da entrada dos terminais de um alto-falante. Se
assim você o fizer, você terá mudado a polaridade do sinal que entra no
alto-falante. Fase: Em
eletricidade, a fase tem relação apenas com a CA (Corrente Alternada) e
deve haver dois sinais. Os sinais devem ser da mesma freqüência e fase
refere-se ao relacionamento delas em um determinado tempo. Se
ambos os sinais alcançarem o mesmo ponto ao mesmo tempo, eles estarão
em fase e se eles alcançarem o mesmo ponto em tempo diferente eles
estarão fora de fase. A
principal questão é quanto eles estão fora de fase, ou explicando de
outra maneira, qual é o deslocamento de fase entre eles. O importante a
ser observado nessas definições é que você pode reverter a polaridade
de um sinal e você pode medir esta mudança, porém, você necessita de
dois sinais para medir um deslocamento de fase.
MICROFONANDO INSTRUMENTOS
Antes
de qualquer coisa, devemos observar que apenas com a mudança no
posicionamento do microfone podemos ter uma grande alteração no timbre. Vamos
utilizar como exemplo um cubo de guitarra. Direcionando o microfone
para o centro do alto-falante, estaremos captando com mais intensidade
as freqüências médias e altas, ao contrário de captarmos o som nas
bordas do alto-falante onde teremos menos intensidade nestas
freqüências tornando o som menos estridente. Da
mesma maneira ocorre com instrumentos, vozes, etc. Não vamos
especificar neste material como fazer a captação ideal, pois, cada caso
é um caso e não existem padrões. Devemos sempre experimentar e criar
nossas próprias técnicas de microfonação porque nesta área não existe
certo ou errado; existe apenas o que soa bem ou não. O
método de microfonação vai depender muito do estilo que será
apresentado, pois, há estilos que exige um som mais estridente, outros
não. Veremos mais sobre microfonação de instrumentos em módulos mais adiante. PHANTON POWER E BIAS VOLTAGE (Voltagem de Polarização) Muitos
usuários de equipamentos de áudio profissional acham que não existem
diferenças entre Phanton Power e Bias Voltage. Isto não é verdade, elas
não se confundem. Phanton
Power é normalmente fornecida pela mesa de som, mas, podem também ser
suprida por uma fonte de Phanton Power externa, adquirida separadamente. Phanton
Power requer um circuito balanceado onde os pinos 2 e 3 do conector XLR
transportem a mesma voltagem CC relativa ao pino 1. Ex: Se
uma mesa de som fornecer 48 Volts de Phanton Power, os pinos 2 e 3 XLR
de um cabo de microfone transportarão 48 Volts CC cada um em relação ao
pino 1. É claro que o cabo do microfone transporta a voltagem Phanton
Power bem como o sinal de áudio. As
mesas de som que fornecem Phanton Power possuem resistores limitadores
de corrente que atuam como válvula de controle. Se o microfone ou cabo
estiver com a fiação impropriamente conectada, estes resistores limitam
o fluxo corrente para o microfone prevenindo danificações ao circuito
de fornecimento de Phanton Voltage. Um
microfone dinamicamente balanceado não é afetado pela Phanton Power,
entretanto, um microfone dinâmico desbalanceado será afetado.
Provavelmente o microfone não será danificado, mas, não irá trabalhar
apropriadamente. Bias Voltage: É uma voltagem CC (de 1,5 a 9
Volts) que é fornecida através de um condutor único. Diferente do
Phanton Power, a voltagem de polarização (bias) não requer um circuito
balanceado. A voltagem de polarização é fornecida a um transistor conhecido como (JFET) conectado à saída de um microfone de eletreto. O
JFET atua como um conversor de impedância que é uma necessidade para
qualquer microfone projetado para usar um capacitor como elemento
(microfone capacitivo).
IMPEDÂNCIA
Impedância
é a versão CA (Corrente Alternada) do termo resistência em um circuito
CC (Corrente Contínua) e significa a oposição do fluxo da corrente de
elétrons em um circuito e é expressa em ohms. A
impedância que é abreviada com “ Z ” inclui a reatância capacitiva e a
reatância indutiva somadas à resistência CC. A reatância está
relacionada principalmente com a freqüência do sinal que flui no
circuito. A reatância
capacitiva aumenta quando a freqüência diminui e a reatância indutiva
aumenta com o aumento da freqüência. Por causa desta relação com a
freqüência, a impedância não é medida diretamente com um multímetro
como é feito com a resistência CC.
MICROFONE CALIBRADO
Os
microfones para medições também chamados de “ Microfones Calibrados ”
devem ter resposta plana, tipicamente dentro de mais ou menos 1dB
dentro da banda de áudio (20Hz a 20.000 Hz) ou acima. É necessário
também que sejam omnidirecionais para captar todo o som ao seu redor,
macios, para captar os sons de baixa intensidade, e possuírem um
pré-amplificador interno com uma boa extensão dinâmica como, por
exemplo, 100 dB ou maior. Abaixo temos o microfone ECM 8000 da Behringer: 
O
ECM 8000 possui resposta de freqüência linear e é omnidirecional
permitindo realizar as tarefas de medição e alinhamento com boa
precisão.
Este
microfone acompanha o ULTRA-CURVE PRO DSP8024, mas também pode usado
com qualquer outro RTA (real-time analyzer) e adquirido separadamente.
Germano Lins para MUSICAUDIO
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