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Microfonação
de bateria
Tipos de
Microfones
Cada fonte
sonora tem suas próprias características tais como forma de onda, dinâmica
do som, características da fase e faixa de freqüência. Dificilmente um
microfone responderá fielmente a essas características, porém existem
microfones específicos que melhor se aplicam a cada tipo de som. Por esse
motivo, temos uma gama imensa de microfones no mercado a nossa disposição.
Microfones são
unidades eletro-acústicas que convertem energia acústica em energia
elétrica. Todo microfone tem uma membrana (cápsula) que é excitada por uma
onda sonora. Os microfones são caracterizados em dois tipos: pressão e
velocidade. Microfones de pressão tem uma única superfície que é exposta a
fonte sonora, então o sinal de saída corresponde à pressão sonora
instantânea que atinge a cápsula. É associado com características
omnidirecionais. São microfones de gradiente de ordem zero. A segunda
classe é de Microfones de velocidade, onde a onda sonora é obtida através
da diferença ou gradiente entre a onda sonora que atinge a frente e a
parte de trás da cápsula. A saída elétrica corresponde a essa mínima
diferença de velocidade (Ballou, 2002). Podemos classificá-los também em:
-
Omnidirecional: a captação é igual em todas as direções.
-
Bidirecional:
a captação é igual nos dois lados opostos.
-
Unidirecional:
a captação é só em uma direção (cardióide).
Microfones Ominidirecionais
Omnidirecional,
ou esférico, a cápsula é exposta somente às ondas acústicas pelo lado da
frente do microfone, por isso, não há cancelamentos por haver sons
chegando por ambos os lados no mesmo tempo. Esse tipo de microfone é capaz
de produzir sons muitos planos (flat), com uma resposta de freqüência, em
todo o espectro do áudio, sem buracos (Ballou, 2002).
Microfones
omnidirecionais começam a se tornar mais direcionais quando o tamanho do
diâmetro do microfone se aproxima do comprimento da onda da freqüência em
questão, por isso os microfones têm que ter o menor diâmetro possível se
as características omidirecionais são desejadas em altas freqüências. Isso
é devido ao efeito da difração que ocorre quando o comprimento da onda é
muito superior em relação ao tamanho de um objeto, no caso o microfone.
Como o comprimento de onda se torna pequeno em relação à cápsula, ela não
consegue envolvê-la e passa sem ser captada. Assim, só as ondas que
incidem direcionalmente na cápsula são captadas. Essa freqüência é dada
por:
f = v/10D,
onde v é a
velocidade do som em metros por segundo e D o diâmetro da cápsula em
metros (Ballou, 2002).
Por causa do
padrão de captação ser esférico, a eficiência na captação da energia em
qualquer ponto é de 100%, e a relação de resposta entre frente e costas é
de 1:1, ou seja, sinais de qualquer parte têm a mesma sensibilidade de
captação. Portanto, é altamente indicado para gravações de orquestras e
quando se deseja captar o som do ambiente. E não é indicado quando num
local barulhento (Ballou, 2002).
Família de
padrões polares mostrando o estreitamento progressivo da resposta para
altas freqüências.
Bidirecional
São microfones
que captam somente os lados opostos (frente e atrás) igualmente, o padrão
de captação é conhecido como figura oito.
Esse padrão
resulta do fato do som atingir a cápsula pelos dois lados simultaneamente.
Ondas sonoras que chegam pela frente ou por trás causam movimentação da
cápsula, gerando um sinal elétrico. Uma característica importante é que o
padrão de captação independe da faixa de freqüência.
Padrão polar
Figura oito.
Microfones Unidirecionais
Microfones
unidirecionais têm uma sensibilidade muito maior para sons frontais do que
para qualquer outra direção, na media de 20db-30db a mais de sensibilidade
para ondas sonoras que chegam pela frente, do que por trás do microfone.
São normalmente conhecidos como cardióides ou direcionais, supercardióides,
hiper-cardióides.
Tal
característica é obtida através de pequenas aberturas na parte de trás da
cápsula que possibilitam a entrada das ondas sonoras por trás da membrana
da cápsula. Daí então, um circuito elétrico altera a fase destas ondas de
modo que o som que incide frontalmente esteja em fase com o som que incide
na parte de trás da membrana, gerando se assim o padrão unidirecional.
É conhecido como
cardióide por ter o formato de um coração. Esses microfones são os mais
utilizados porque evitam vazamentos de ruídos e sons indesejados, dentre
as vantagens estão menos ruídos de ambiente, maiores volumes sem dar
microfonia (principalmente em lugares abertos) e captação de uma única
fonte sonora (Ballou, 2002).
Padrão
Cardióide com equação polar 5 + 5Cos[ q ], onde q é o ângulo em relação ao
microfone.
Microfones Dinâmicos e Condensadores (condensers)
Microfones
Dinâmicos, também conhecidos como de pressão ou magnéticos, possuem uma
pequena membrana acoplada num imã que, ao ser atingida por uma onda
sonora, se movimenta em um campo magnético gerando uma corrente elétrica
proporcional a pressão a qual foi exposta.
Algumas
vantagens de microfones dinâmicos:
Microfones
condensadores, também conhecidos como microfone de capacitor, geram uma
corrente elétrica proporcional a pressão sonora, a partir da diferença da
capacitância causada pela incidência da onda sonora em uma ou duas lâminas
de um capacitor. Necessita de phantom power, ou seja, uma corrente
elétrica disponível na maioria dos mixers e consoles presentes no mercado.
Algumas
vantagens de microfones condensadores:
-
Podem ser bem
pequenos;
-
Resposta de
freqüência plana e de grande espectro;
-
Pouco ruído,
silencioso;
-
Pouca
interferência de difração devido ao pequeno tamanho, o que preserva
características omnidirecionais em alta freqüência.
Microfonando a bateria
O grandes
estúdios de hoje, são muitas vezes julgados pelo som de bateria. É uma
grande tarefa atingir o som desejado com orçamento disponível. Mas, o que
seria um bom som de bateria? O melhor som é o que, principalmente, soa
melhor aos ouvidos dos músicos e do produtor. São eles quem decidem se
está bom ou não. Cabe aos técnicos a desenvoltura necessária para
satisfazê-los.
Apesar de muitas
pessoas pensarem que o computador pode suprir um bom músico, isso ainda
não é verdade. Um ponto chave ainda é a qualidade do músico. Um músico
experiente, principalmente em gravações, faz quase qualquer estúdio ou
técnico soar bem. Mas, infelizmente, nem sempre podemos contar com isso.
Fora o músico,
devemos nos concentrar em várias coisas essenciais e uma das mais
importantes é a microfonação do instrumento.
Existem tantos
métodos de microfonação quanto desejarmos. Existem muitas maneiras
comumente usadas, mas a principal é a captação individual para cada peça e
com o microfone próximo (closed caption). Para isso o instrumento deve ser
de boa qualidade e estar devidamente afinado com peles em boas condições (Ballou,
2002).
Microfonando cada peça
O modo mais
utilizado atualmente consiste em um microfone para cada peça do
instrumento e um ou mais microfones suspenso acima da bateria para captar
o som geral ou principalmente pratos. O quão perto o microfone deve estar
vai depender de várias características como:
-
quantidade de
ambientação (som da sala)
-
tipo de som
desejado. Um som mais limpo e grave (closed caption)
-
problemas de
isolamento e vazamentos de sons de um microfone para outro
-
nível de
perigo em termos do instrumentista se empolgar e acertar o microfone
-
se o pré-amp
ou console é capaz de agüentar o sinal sem distorcer
Bumbo
Para gravação, o
bumbo normalmente é usado só com a pele da frente. Quando tem as duas, a
pele de trás é furada. Isso depende somente do som desejado, podendo ter
as duas peles sem furo nenhum (Ballou, 2002).
Quando há
somente a pele de trás, costuma se colocar o microfone dentro do bumbo na
direção do eixo do batedor, à uma distância de aproximadamente 5 cm.
Experimentações devem ser feitas. Quanto mais próximo, mais médio e médio
agudo da batida na pele é captado. Quanto mais longe, mais médio grave e
grave, porém sem muita definição do ataque.
Uma outra forma
interessante, que é pouco abordada, é a colocação do microfone dentro do
bumbo com as duas peles. O cabo do microfone sai pelo furo da saída de ar.
O resultado que obtido é um som muito mais grave. Existem empresas que
fabricam esse sistema, porém muitas vezes fica inviável obtê-lo.
Tambores
Usualmente a
microfonação superior e padrão cardióide são adotados. O microfone é
colocado a mais ou menos 3 cm da pele de cima, num ângulo de 45 graus. Um
detalhe que deve ser observado é o vazamento sonora de outras peças,
principalmente os pratos
(escutar). Quando há uma sobra excessiva dos pratos nos canais dos
toms, a equalização fica prejudicada. Ao colocar agudo nos tons, na faixa
de 7 kHz por exemplo, os pratos ficam sujos e estridentes. Para evitar
isso, ou ao menos minimizar, é só usar o fato da captação cardióide ser
frontal. Colocando se o microfone de costas para os pratos , temos uma
redução significante do vazamento (Bartlet, 2001).
A afinação é
importantíssima, principalmente quanto a propagação de harmônicos. Os
tambores são frequentemente fixados no bumbo, quando o bumbo é tocado eles
vibram gerando uma sobra de harmônicos graves que atrapalham a definição
do som. Cortando um pouco a sustentação na afinação, esse fenômeno é
evitado. A relação de notas também é importante para que cada tambor soe
distinto um do outro. O estilo vai determinar se deve ser mais grave ou
mais agudo.
HiHats e over heads
Os HiHats podem
ser microfonados tanto por cima quanto por baixo, mas a microfonação
superior é mais usada. Os over heads são posicionados, como o próprio nome
diz, em cima do instrumento captando o som geral e principalmente os
pratos. Normalmente, são microfones condensadores colocados segundo
técnicas de microfonação em estéreo (ab, xy, etc). Os padrões de captação
do microfone (cardióide, hipercardióide, omnidirecional, figura oito) são
escolhidos conforme a técnica utilizada. O quanto alto deve ficar depende
do efeito desejado. Quando colocado relativamente alto, observa-se um
aumento da influência da acústica do ambiente (Ballou, 2002).
Os over heads
influem muito na sonoridade geral, principalmente nas freqüências médias e
altas, por isso é indispensável.
Microfones
indicados para o HiHat:
-
ATM 4041
-
Neumann KM-84
-
SM-81
-
451 AKG
Overheads e
microfones para ambiência:
-
AKG C-12
-
ATM 4050
-
AKG 414
(escutar)
-
Shure SM81
-
DPA
-
AT3031
Caixa
A caixa seja
talvez a peça mais difícil de se gravar e mixar, muitas coisas influem no
seu som. Ela ainda define todo um padrão estético da música e do estilo.
A afinação é o
primeiro passo para um bom som. Cada estilo pede um modo diferente de
afinação, mais grave, mais aguda, sem abafadores, com mais ou menos
esteira, isso deve ser resolvido pelo produtor e pelo músico.
Usualmente são
usados microfones dinâmicos, com padrão cardióide e com alto SPL (sound
pressure level). Os SM-57 ou Beta 57 , ambos da Shure, são mundialmente
usados. Eles são colocados a 45°, a aproximadamente 3 cm da pele com a
parte de trás em baixo do HiHat afim de se evitar vazamentos. Quanto mais
perto da borda da caixa o microfone é colocado, mais os harmônicos de alta
freqüência aparecem. Mais próximo do centro o som fica mais seco e com
mais ataque.
Há também a
possibilidade de se colocar um microfone na pele de baixo da caixa (escutar)
para reforçar o som da esteira que pode, dependendo da situação, não ter
sido devidamente captado pelo microfone de cima. Deve se tomar cuidado com
cancelamentos de fase, o problema é resolvido invertendo se a fase do
microfone de baixo através de recursos do console ou do computador (Bartlet,
2001).
Caixa:
Outra maneira de microfonar o instrumento
Outro modo
interessante de microfonação consiste em captar o som da bateria só com os
over heads e, opcionalmente, com um microfone no bumbo. O som vai depender
muito da sala e do baterista, pois o volume de cada peça será ajustado por
ele .O som tem que chegar pronto ao gravador, pois não restam muitas
opções na hora da mixagem.
Microfonação Estéreo
Microfones Coincidentes
Um método de
captação muito versátil consiste na Técnica de Microfones Coincidentes.
Isso significa que dois microfones são usados para captar a mesma fonte
sonora. Eles, teoricamente, não podem ocupar o mesmo espaço no mesmo
tempo. Mas, devem ser postos de maneira que fiquem o mais junto possível.
A princípio, tem se a impressão de que não há resultados de estereofonia
com essas configurações, mas há.
Essa técnica foi
desenvolvida na década de 30 junto com as primeiras gravações em estéreo
pelo engenheiro Alan Blumlein. Ele usou dois microfones ribbon figura oito
montados como na figura do
setup 01.
Técnica XY
Os dois
microfones são usualmente unidirecionais idênticos e são orientados de 90º
a 120º um em relação ao outro (45º a 60º em relação à linha da fonte
sonora) de forma que fiquem com as pontas juntas. Essa técnica pode ser
diversificada por mudanças no ângulo entre os microfones ou usando
microfones bidirecionais, o que resulta em sons com mais reverberação e
ambiência (Ballou, 2002).
O efeito estéreo
é produzido pela diferença de amplitude gerada nos dois microfones por
exemplo, o microfone apontado à esquerda L (que é o direito) capta com
muito mais intensidade o lado esquerdo do que o direito R do palco. Ou
seja, microfone da esquerda produz um sinal maior em R do que em L e vice
versa. O som frontal incide igualmente em L e R. O mesmo processo pode ser
feito com microfones omnidirecionais. Essa técnica funciona muito bem com
padrão figura oito, porém há uma menor captação da ambiência (Ballou,
2002).
Cancelamentos de
fase podem ser minimizados se as cápsulas forem postas no mesmo eixo
vertical, assim o tempo de chegada do som é idêntico, reduzindo
consideravelmente o problema
(escutar).
Técnica MS
Consiste em uma
técnica de microfonação em estéreo, MS significa Mid-Side onde um
microfone unidirecional é posto de forma a captar o som central e outro
microfone figura oito é colocado junto, de forma a captar os sons que
incidem pelos lados produzindo os lados direito e esquerdo do estéreo,
portanto é compatível com sistemas em mono (Bartlett, 2002).
(escutar)
A técnica MS é
muito utilizada também em rádio e televisão justamente por ser compatível
com sistemas mono. O sinal do microfone unidirecional (M) é responsável
pela parte mono e o sinal do figura oito (S) pela parte estéreo.
Porém esse
método necessita de um decodificador para dividir o sinal estéreo em L e
R. Esse decodificador realiza operações de somas e diferenças de sinal
para extrair informações de volume do sinal L e R, assim como informações
sobre a fase.
Mas, existe um
método de fazer isso num mixer (em que tenha como se inverter a fase do
canal) ou no computador. Vamos ao método:
Colocar o sinal
M num canal com volume 0 e pan 0.
Duplicar o canal
do sinal S (S-left S-right) e colocar essas duas pistas em dois canais
separados do console.
Inverter a fase
do S-left e abrir os pans do S-Left e S-Right (respectivamente para
esquerda e para direita).
Colocar os 3
canais para tocar e subir o volume do canal M até a sensação de
cancelamento de fase do som sumir.
Ajustar o quanto
os pans dos canais S-Left e S-Right. Quanto mais aberto, maior a sensação
de estéreo e maior a ambiência.
Posicionamento MS usando um componente M cardióide e um componente S
figura oito.
Par espaçado
Consiste em um
par de microfones espaçados a uma distância de 1 a 5 metros que reproduzem
um efeito de estéreo bem definido. Deve-se tomar cuidado com cancelamentos
de fase e também com o som proveniente da parte central, a fim de não
deixar buracos ou regiões mal captadas (Borwick, 1996.)
(escutar)
ORTF
Consiste em uma
variação da técnica XY. Neste método, os microfones são colocados de forma
angulada como em XY, porém com as grades (pontas) espaçadas alguns
centímetros. Quanto maior o espaço e o ângulo entre eles, maior a sensação
de estéreo.
Uma configuração
padrão ORTF consiste em colocar os microfones a uma distância de 17cm um
do outro e com ângulo de 110º (Bartlett, 2002).
(escutar)
Baffle
Este método usa
dois microfones com o espaçamento semelhante ao dos nossos ouvidos e
separados por um anteparo (baffle). Para criar o estéreo, ele usa
diferença de tempo para baixas freqüências e diferença de volume para
altas freqüências (Bartlett, 2002). É um método interessante, e pode ser
usado atrás do baterista na altura dos seus ouvidos.
(escutar)
Regra dos 3:1
Essa regra deve
ser aplicada toda vez em que dois microfones forem utilizados para a
captação de um mesmo instrumento.
Imagine que
estamos gravando uma bateria com um par de over-heads em par espaçado
(AB). Quando tocamos a caixa, ela é captada pelos dois microfones. Porém
ela esta mais próxima do microfone da direita do que do microfone da
esquerda. Essa diferença de distância causa uma pequena diferença no tempo
de chegada da onda nos microfones. Essa pequena diferença de tempo entre
os dois microfones, causa um cancelamento de fase (comb filter) quando os
dois canais são tocados juntos no.
Para se evitar
esse tipo de cancelamento, recomenda-se colocar os microfones a uma
distância de 3 vezes, um em relação ao outro, da distância em que eles se
encontram da fonte sonora. Por exemplo, se forem postos a 70 cm de altura
em relação aos pratos, deverão ser colocados a 2.1 metros um do outro.
Assim o mesmo som que está incidindo no microfone da direita, incide no
microfone da esquerda com menor volume, minimizando assim os cancelamentos
e sem causar "buracos" centrais no som captado.
Mixagem
Planejando sua Mixagem
Depois de todas
as sessões de gravação encerradas, overdubs feitos e tudo já editado,
chegamos na hora da mixagem. É hora de parar e planejar direito como as
coisas serão feitas daí para frente.
Algumas idéias
já devem existir da pré-produção, mas só agora se pode ter uma idéia de
fato de como a música está, timbres, dinâmicas, etc. O fato é, que a
partir de agora teremos somente quatro elementos para intensificar todas
as emoções e idéias contidas na canção, são eles: equalização,
processamento dinâmico ou de efeitos (compressor, gate, reverb, etc),
volume (faders) e pan.
Com esses quatro
elementos, temos que fazer a canção soar o melhor possível. Como fazer
isso? Primeiro passo: Quantos são os elementos da música (vocais,
guitarras, teclados, metais, bateria, baixo, etc...)?
Então, agora que
já sabemos o "tamanho" da nossa mixagem deveremos saber aonde cada coisa
deve estar a fim de caber todo mundo. Devemos estabelecer uma imagem
desses elementos em nossa mente.
Um modo muito
eficiente de se ter um ponto de partida é sabermos com qual estilo de
música estamos trabalhando. Mas, como já está tudo gravado, é natural que
saibamos! Então, podemos partir de certos parâmetros que são
características de cada estilo e, com um toque de criatividade e
personalidade, criarmos nossa própria mixagem porém com esses elementos
chave.
Sabendo do
tamanho e do estilo da mixagem fica mais fácil de montarmos essa imagem,
pois teremos uma idéia da quantidade de efeitos, equalizações em cada
instrumento, volumes, compressores, etc. Como o nosso escopo de trabalho
aqui é Bateria, então não abordaremos os outros instrumentos, mas uma
ótima referência sobre o assunto é "The art of mixing" do David Gibson,
editora Mix Books.
Vamos então
primeiro estabelecer uma tabela com 6 divisões de acordo com intensidade
de som, sendo o nível 1 o mais alto e o nível 6 o mais baixo (Gibson, D.
1997).
|
1
|
2
|
3
|
4
|
5
|
6
|
|
Despertadores
|
Vocal Principal
|
Acompanhamento principal
|
Acompanhamentos de cama
|
Efeitos |
Suspiros e respirações
|
|
Explosões |
Boom |
Vocal principal
|
Pads de cordas
|
Bumbo (jazz)
|
Falas |
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Gritos |
Ataque de metais
|
Tambores |
Bateria (Jazz)
|
Hums
(cantarolados)
|
Ruídos |
|
Sirenes |
|
Caixa |
Backing Vocals
|
Backing Vocals
|
Dobras |
|
|
|
Bumbo (metal)
|
Cordas |
|
|
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|
|
HiHat (Jazz)
|
Reverb |
|
|
|
|
|
Efeitos altos
|
|
|
|
Cuidado, estamos
discutindo volumes aparentes o que depende da forma de onda. Um som com
forma de onda dente de serra soa mais alto do que uma flauta, mesmo
estando exatamente no mesmo volume.
Discussão dos
níveis aparentes de volume.
-
Nível 1:
Sons nesse volume são extremamente altos. Dificilmente sons com
essa amplitude são usados numa mixagem Se um instrumento normal é posto
nesse volume, vai parecer errado. Só em casos específicos como os
citados, explosões, gritos, sirenes como no começo de "Speed King" do
Deep Purple.
-
Nível 2:
Os sons primários usados nesse nível são os vocais e os
instrumentos solo em músicas onde esses são os focos principais de
atenção Exemplos: Mariah Carey, Janis Joplin, Paula Cole, Coldplay. Em
muitos estilos de Rock`n Roll os vocais são baixos na mixagem Se há um
instrumento solo ele também fica nesse volume. Bumbos e tambores em
Heavy Metal e os booms de Hip Hop também usam essa faixa de intensidade.
-
Nível 3:
Consiste em partes rítmicas primárias como bateria, baixo, guitarra
e teclados. Vocais na maioria dos Rock`n Roll, bumbo em heavy metal,
caixa em dance music, tons e pratos na maioria dos estilos. HiHats de
jazz e dance music usualmente usam esse volume. O genial Phil Collins,
foi talvez, o primeiro a colocar reverb na bateria nesse nível de volume.
-
Nível 4:
Sons nesse volume incluem camas e pads de vozes, pianos de
acompanhamento, teclados e guitarras de fundo. Bateria em pequenos
grupos de jazz, em big bands e em rock and roll suaves estão nessa faixa.
Quando o reverb é percebido como um som separado, ele está aqui. Backing
vocals e cordas também são colocados aqui.
-
Nível 5:
Bumbo de jazz e big bands, efeitos e reverb que só podem ser
ouvidos com uma audição cuidadosa, alguns backing vocals estão nesse
volume. Alguns instrumentos de preenchimento, que não podem ser
definidos, mas que fazem diferença na mixagem são colocados aqui.
-
Nível 6:
Sons com essa intensidade são tão suaves que são difíceis de serem
percebidos. Pink Floyd é bem conhecido por colocar pequenos sussurros ou
sons quase subliminares que afundam o ouvinte na mixagem Se esses sons
não forem muito bem postos, podem soar como ruídos.
Agora, vamos dar
uma olhada especifica em cada peça da bateria e tentar traçar um ponto de
partida de como essas são trabalhadas em alguns estilos.
Outras formas de controle de dinâmica
Trabalhar com os
faders pode ser muito interessante. Na maioria das vezes, os volumes são
acertados e fim da história. Mas, principalmente hoje com tudo
computadorizado, devemos prestar muito bem a atenção a como todos os
instrumentos estão se comportando com relação ao volume na nossa imagem da
mixagem
Muitas vezes,
por exemplo, a interpretação do vocalista foi ótima quando gravada em cima
da guia. Mas, ao se adicionar todos os outros elementos, acabou faltando
volume, por exemplo, no refrão. Isso é muito comum. Todas as dinâmicas dos
outros instrumentos quando juntas, produzem um aumento grande de volume. É
hora então de partir para as automações, ou seja, corrigir o volume
daquela pista somente naquele momento. Como disse o Enrico de Paoli uma
vez: "muitas vezes, a mudança é muito pequena. Mas, faz toda a diferença.
A pessoa que está ouvindo no rádio não sabe o que é 1dB e muito menos o
que isso faz de diferença, até porque ela nunca ouviu aquilo de outro
jeito. Mas, esse 1dB pode fazer ela se emocionar um pouco mais e isso é
muito importante. Isso sim é importante."
Então devemos
ser atentos e não ter preguiça, porque fazer automação, principalmente no
mouse, é bem desagradável.
Outra coisa
interessante é ousar nos fade in e fade out. Ter criatividade em não só
usar isso no começo e fim da música. Por exemplo, no meio da canção fazer
um fade out da bateria, fazer alguns arranjos e de repente ela voltar com
toda força. O Lenny Kravitz usa um fade in no começo de uma faixa no disco
Mama Said.
Quando tudo só
os faders não forem suficientes, e isso representa a maioria das vezes,
devemos apelar para compressores e limiters.
Compressores e limitadores (limiters)
Assim como os
faders podem criar uma enorme faixa de dinâmica, os compressores também
podem ser usados para criar dinâmicas na música. Apesar de muitas vezes
serem usados por razões técnicas como, por exemplo, para se obter uma
melhor relação entre sinal e ruídos, são também muito usados como um
elemento criador de expressões musicais. O compressor pode ser encarado
como um escultor da forma de onde. É através dele que nós determinamos o
ataque, a sustentação, limites de volume e expressões. E se tivermos
também gate, podemos definir até as durações dos sons.
Os sons
normalmente são comprimidos em função da sua própria dinâmica. Por exemplo,
um vocalista que grita bastante (Axl Rose, Janis Joplin, etc.) deve ser
bastante comprimido já que as diferenças de dinâmica são enormes de uma
palavra para outra.
Outra função
muito importante dos compressores é a de estabilizar a imagem dos
instrumentos na mixagem Quando não comprimimos um instrumento, suas
diferenças instantâneas de volume causam uma instabilidade da imagem deste
na mixagem, pois essas flutuações deixam caótica a posição deste som o que
influi diretamente na percepção que temos dele. Este fato está intimamente
ligado à presença do som na música, ao comprimirmos um som, estamos
estabilizando sua posição quanto às variações súbitas de volume e com isso
melhorando sua presença na música. Quanto mais instrumentos na música
tocando junto, maior a compressão em cada um. Isso se dá justamente pelo
fato de se exigir uma maior clareza de cada instrumento já que temos muita
informação sonora junta.
Já na a bateria,
nas peças onde as diferenças de volume de uma batida para outra podem ser
mais aparentes, devemos usar mais compressão. A caixa é onde se costuma
usar maiores quantidades de compressão.
Como ajustar o
compressor para se ter ataques exagerados em qualquer peça da bateria (Gibson,
B. 1996)
(escutar)
Ajusto o ratio
entre 3:1 e 10:1
Ajuste o release
aproximadamente 0.5 segundos (isto depende da duração do som da caixa).
Tenha certeza que todos os leds que mostram a redução do ganho estejam
apagados antes da próxima batida na peça, isto não se aplica às viradas,
só, por exemplo, se a caixa tiver tocando no 2 e no 4, os leds devem estar
apagados antes de cada uma delas.
Neste ponto,
ajuste o ataque no ponto mais rápido possível.
Ajusto o
threshold entre 3dB e 9dB de redução de ganho.
Finalmente,
reajuste o tempo de ataque. Quando mais lento o tempo de ataque do
compressor, menos ele age nos transientes de ataque, mas continua agindo
no resto do som, salientando o ataque da peça.
Equalizações
No começo, os
equalizadores eram usados para fazer o som parecer mais natural, como ele
era de fato na sala onde foi tocado. Mas, como fazer isso já que ele não é
mais natural? Os padrões foram se perdendo, e o que hoje escutamos como
sendo "natural" é sempre mais cheio brilhante ou "gordo" do que o natural.
Ou seja, tornou-se muito difícil saber o que é ser realmente natural. Se
escutarmos um som verdadeiramente próximo do ao vivo, acústico, talvez
achemos que esteja fora do padrão que acabamos sendo acostumados.
Muitas vezes
isso acaba sendo um meio que os técnicos e produtores acham para consertar
problemas no arranjo. Músicas muito carregadas, principalmente com vários
instrumentos tocando juntos ao mesmo tempo e na mesma faixa de freqüência,
ou um som vazio, que tem buracos em certas regiões de freqüência. Logo, o
técnico tenta amenizar o problema trabalhando delicadamente os
equalizadores e então a mixagem acaba perdendo a naturalidade.
A grande idéia
então é tornar o conjunto, a combinação dos instrumentos, mais agradável.
Quando tudo estiver tocando junto, devemos ter duas coisas: uma textura
sonora interessante e clareza em cada instrumento, a fim de realçar o
arranjo. Portanto, devemos ter um enorme cuidado com os equalizadores. Se
o som for bem captado e arranjado, seja mais cuidadoso ainda.
A seguir, há uma
tabela com algumas dicas de equalização para a bateria.
Bumbo:
-
30Hz-100Hz:
Região de subgrave. Cuidado, se você não tiver um sistema de referência
adequado é bom ir de leve nessa região
-
100Hz a 400Hz:
Chamada de muddy zone. Parece quando estamos com os ouvidos entupidos,
som escuro. Essa faixa é crucial. Para heavy metal, rock, pop costuma-se
atenuar essa faixa. Já em Hp Hop e rap, pode adicionar um pouco,
principalmente se o bumbo tiver um pouco de sustentação, é
característico do estilo.
-
500Hz-1500Hz;
Cuidado, se você abusar aqui pode parecer que você está chutando uma
caixa de papelão. Normalmente, o baixo cobre essa região muito bem. Som
de Jazz Bass.
-
4Khz-6Khz: O "kick"
do bumbo está por aqui, o ataque. Principalmente em sons pesados como
heavy metal, é normal se dar um ganho nesta faixa. Já em Hip Hop costuma-se
atenuar essa faixa.
Caixa:
-
300Hz-500Hz:
Aqui temos a parte mais escura da caixa. Se a intenção for um som mais
gordo, adicione um pouco dessa região.
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700hz-1000Hz:
Corpo da caixa, região principal, principalmente na equalização do
reverb.
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2Khz-3Khz: O
ataque da baqueta, principalmente em ring shot, está nessa faixa.
Cuidado, principalmente com caixas finas de 3.5"e 4.5" elas podem soar
feito latas. A esteira também realça bem dando um ganho nessa região.
-
5Khz-6Khz: É
muito comum dar um boost nessa região para realçar os harmônicos da peça
e para dar presença. Muitas vezes, não adianta só aumentar o volume, é
necessário realça-la um pouco na equalização.
Tambores
Essa é a parte
mais subjetiva de todas. Os tambores são as peças mais fáceis de soarem
diferentes. Peles, tamanhos, profundidade da peça, marca, modelo da
bateria e afinações, tudo isso faz uma diferença enorme, muito mais do que
nas outras peças.
Muitas vezes
temos dez discos com estilos muito próximos em que a caixa, o bumbo e os
pratos têm sonoridades próximas, mas os tambores são diferentes em todos.
Portanto, fica muito difícil estipular parâmetros ou partir de um ponto
certo de equalização para cada estilo.
Devemos ficar
atentos às sobras na região dos 100Hz-300Hz e também se houver vazamento
dos pratos nos microfones dos tambores prestar bastante atenção na região
dos 4Khz para não "sujar" o som da bateria inteira.
HiHat
Normalmente é
necessário tirar o grave. Se você tiver um equalizador tipo highpass
filter , pode filtrar toda a região abaixo dos 300Hz até 700Hz. Também é
interessante dar um boost na região dos 10Khz para realçar o brilho da
peça, assim como, se necessário, tirar um pouco da região dos 1Khz até
4Khz que costuma ser irritante, som de lata. Porém cuidado, se for tirado
muito, o HiHat pode soar meio bobo e sem graça. Muito magrinho.
Over Heads
Os overs
costumam ser outra parte complexa da mixagem Tudo que devemos saber é o
quanto e como queremos que eles apareçam? Se for só para ter os pratos,
podemos filtrar as freqüências graves e dar um brilho com um boost por
volta dos 10Khz. Mas, se o interesse for tê-los como uma captação completa
da bateria e da sala, podemos pensar em equaliza-los como se todo os seus
microfones fossem esses. Ou seja, equalizá-los de forma que o som, só com
esses dois microfones, fique completo. A seguir, adicionar os outros
microfones e equalizá-los a fim de completar alguma coisa que tenha
faltado nos overs.
Esse processo,
aparentemente inverso, dá ótimos resultados. Só devemos tomar cuidado com
excessos, por exemplo, por bastante grave nos overs e depois no bumbo e
nos tons também.
Referências Bibliográficas
• BORWICK, John - Sound Recording Practice, 3ªed – New York - Oxford
University,1996
• BARTLET, Bruce - Pratical Recording Techniques 3ª Ed - Boston - Focal
Press 2002.
• DICKREITER, Michael - Tonmeister Technology – New York –T. Enterpriser
-1989.
• BALLOU, Glen (editor) - Handbook For Sound Engineers 3ª Ed –
Indianapolis - Sams - 2002
• GIBSON, David – The AudioPro Home Recording Course – Vallejo – MixBooks
- 1996
• GIBSON, David – The Art Of Mixing – Vallejo – MixBooks - 1997
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