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Introdução à síntese subtrativa
Autor:
Xabier Blanco, traduzido por Germano Lins
Neste tutorial damos uma vista geral neste tipo de síntese e o iniciamos em seus conceitos fundamentais.
Diferentemente do restante dos
instrumentos, que possuem um timbre próprio cuja essência
não pode ser modificada sem afetar a natureza do instrumento, os
sintetizadores pretendem construir novos sons. Um
piano pode ser tocado de diversas maneiras, mas sempre irá soar
como um piano; os sintetizadores aspiram a criar seu próprio
som, algo completamente original no mais
amplo sentido da palavra. Para fazer uma comparação,
podemos dizer que o som de um piano é um quebra-cabeças
já montado que pode ser pintado de mil cores diferentes, e o som
de um sintetizador é um quebra-cabeças que está
para ser montado.
Existem muitas formas de criar sons a partir do nada ou de poucos
elementos (isto é, de sintetizá-los), mas a
síntese subtrativa tem-se mostrado como a mais popular.
A partir de seu nombre (subtrair = restar) podemos entender a sua
essência: um sintetizador subtrativo parte de um sinal dado e o
modifica e filtra para alcançar um som concreto através
de uma série de processos.
Em um passado próximo, esta cadeia de processos estava separada; é por isso que os primeiros sintetizadores erammodulares.
Cada módulo realizava uma função na
síntese, e os módulos podiam se interconectados entre si
de muitas formas. Entretanto, sendo esta uma solução
muito flexível, resultava demasiado complicada, e pouco a pouco
passou a se padronizar uma série fixa de módulos que
sempre eram utilizados, conectados da mesma forma, e se integraram
juntos em um só sistema e num só aparato. Seguramente
esta foi a maior contribuição do Moog Minimoog (figrua ao lado), o subtrativo mais famoso da história; e assim funcionam agora a maioria dos sintetizadores.
Nesta cadeia de processos,
o som básico nasce de um oscilador, no qual se pode aplicar
filtros com os que se seleciona as frequências desejadas. Este
sinal pode ser afetado pelos envelopes e pelo LFO, que lhes dão
dinâmica e expressividade. Finalmente, o som se amplifica e sai
para o exterior.
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Partes da síntese subtrativa
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Os osciladores
São as fontes primária do som de um synth subtrativo. Os
osciladores dos primeiros tempos produziam ondas elétricas
controladas por voltagem (osVCO, Voltage Controlled Oscillator).
Estes componentes elétricos, ao oscilar, geravam ondas sonoras
básica que logo podiam ser filtradas e processadas para resultar
no timbre desejado. Muita gente hoje procura por sintetizadores
baseados em VCOs devido a sua calidez e seu comportamento às
vezes imprescindível, visto que os VCO costumam ser
instáveis com respeito a sua afinação.
O problema da instabilidade foi resolvido nos primeiros anos da
década de 80 com a aparição dos DCO (Digital Controlled Oscilator).
Estes osciladores continuavam produzindo ondas elétricas, mas
eram controladas por um chip digital que evitava as
variações imprevistas de tonalidade. O famoso Juno da
Roland pertence a essa família de sintetizadores. Atualmente, os
sintetizadores digitais eliminaram a necessidade de possuir componentes
elétricos para os osciladores, recriando-os através de
simulações ou samples.
Podemos nos deparar com diversos tipos de onda gerados
pelos osciladores. As mais básicas são estas (clique
sobre elas para ouvir um mp3 ilustrativo; cuidado com o volume):

Senoidal
Quadrada
Serra
Pulso
Com certos aparatos digitais não
estamos atrelado à ondas de tipo elétrico, já que
nos permitem utilizar samples. Isto abre novas
possibilidades: por exemplo, se usarmos samples de instrumentos
acústicos, processando-os de maneira adequada, poderemos
conseguir imitações de grande realismo.
Os filtros
São circuitos que somente deixam passar uma série de
frequências selecionadas. Como no caso dos osciladores,
inicialmente eram controlados por voltagem (VCF), e mais à
frente por chips digitais (DCF). Os filtros totalmente digitais cumprem
a mesma função, mas simulando-a à base de
cálculos matemáticos. Em geral, nos encontramos com
diferentes classes de filtros de acordo com o efeito que produzam; estes são os mais elementares:
· Passa-altas: deixa passar todas as frequências acima de um determinado valor dado (o chamdo cutoff ou corte de filtro), eliminando as que ficam abaixo.
· Passa-baixas: deixa passar todas as frequências que não superem o cutoff, e elimina todas as demais que ficarem acima.
· Passa-banda e banda eliminada: Deixa passar somente ou elimina as frequências compreendidas numa faixa determinada (a chamada largura de banda ou Q).
Muitas vezes se inclui no filtro um circuito de realimentação que chamamos de ressonador;
o que ele faz é aumentar ou diminuir a
amplificação nas frequências mais próximas
ao ponto de corte. Se acrescentarmos mais ou menos ressonância,
essas frequências destacarão com maior ou menor
intensidade. Um efeito já clássico da música
eletrônica moderna é a varredura de filtro, que
normalmente se realiza configurando uma ressonância alta e
abrindo o cutoff de um filtro passa-baixas desde as
frequências mais baixas às mais altas, descobrindo assim
gradualmente todo o espectro do som.
Clique [aqui] para
ouvir a varredura de um som arpegiado básico. Ouça como
começa a soar somente nas frequências baixas e
progressivamente vai se incorporando nas médias e nas altas (MP3
247 Kb).
Outro fator a destacar dos filtros é o número de polos ou seu pendente.
Esta característica se refere à capacidade do filtro para
atenuar ou aumentar um maior ou menor número de
frequências, ou seja, a sua suavidade ou agressividade.
Atualmente os mais comuns são os de 2, 4 ou 6 polos, já
que ir mais além os 8 polos resulta em complexidade e tem um
custo muito elevado. Um filtro de 2 polos possui uma pendente de 12 dB
por oitava; um de 4, 24dB por oitava, e o de 6, 48 dB por oitava.
Os envelopes
Como as ondas gerada pelos osciladores são contínuas e
sem matizes, necessitamos um gerador de envelope para lhes dar dinâmica e
expressividade. Com o filtro podemos variar o conteúdo
harmônico, mas os envelopes nos permitem ademais aplicar
alterações no tempo (dinâmicos), afetando
diferentes parâmetros. Atuam por "passos" progressivos, e os mais básicos são:
· Ataque (attack):
indica o tempo que levará um parâmetro a alcançar
seu nível máximo, partindo do nível zero.
· Decaimiento (decay):
uma vez que o parâmetro chega no nível máximo,
transcorrido o tempo de ataque, entra na fase de decaimento; se refere
ao tempo que leva o parâmetro em cair a um nível já
sustentado.
· Sustentação (sustain): marca o nível em que permanece o parâmetro durante o tempo de sustain.
· Liberação (release):
transcorrido o tempo de sustentação, chega a fase final;
a liberação nos marcará o tempo que leva o
parâmetro em cair de nível sustentado ao nível zero.

Com as iniciais desses passos cria-se o nome deste envelope ADSR;
existem envelopes mais complexos, com mais passos
intermediários, mas em geral são variações
do mesmo conceito. Por outro lado, de acordo com quais sejam os parâmetros que afeta os envelopes, estes podem ser classificados desta forma:
· Envelope de tonalidade:
afeta a afinação dos osciladores. Por exemplo, se
configuramos este envelope com um ataque lento, o som levará um
certo tempo em alcançar o seu tom normal, fazendo assim um
efeito de glissando.
· Envelope de amplitude:
afeta o volume de saída do amplificador. Se escolhemos aqui um
ataque rápido, o som começará a soar com sua
máxima potência de imediato (muito apropriado para um
baixo). Se escolhemos um ataque lento, o som começará a
ser ouvido em um volume baixo e irá subindo pouco a pouco
(característico dos pads ou de um oboé, por exemplo).
· Envelope de filtro:
afeta o funcionamento do filtro. Isto permite controlá-lo para
que atue não a todo momento, e sim em diferentes pontos no tempo
e de diversas maneiras. Se configuramos um filtro passa-baixas com o
corte situado nas frequências mais baixas, e escolhermos um tempo
de ataque mais lento para este envelope, o som começará
mostrando todas suas frequências e gradualmente irá
eliminando as médias e altas, sem necessidade de atuar
manualmente sobre o filtro.
O oscilador de baixa frequência (LFO, Low Frequency Oscillator)
Este oscilador difere dos anteriores comentados já que produz
seu som nas frequências subsônicas (as mais graves), e se
utiliza para modular e controlar o
resto dos parâmetros do sintetizador, mais que para criar som
tonal. O fato de ser um oscilador nos permite modular o som de forma
repetitiva, em loops. Por exemplo, se aplicamos um LFO no amplificador,
podemos conseguir um efeito de tremolo, que será
mais ou menos rápido de acordo como configuremos a velocidade de
oscilação do LFO. Da mesma forma, e o aplicando no tom,
conseguiremos um vibrato. Estes efeitos serão mais ou menos intensos dependendo do ratio que escolhermos para o LFO.
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