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Gravar Baterias
por Paulo Costa
Utilizar
samples de bateria nas suas gravações, pode ser mais barato e mais
rápido do que usar uma bateria real, mas ainda se notam bastantes
diferenças quando é um baterista a tocar numa bateria real.
Para efectuar uma boa gravação deste instrumento é necessário utilizar
arte e engenho se quiser capturar um som fidedigno, sem se fazer notar
os sons e ruídos indesejados. Além disso, um dos factores
importantíssimos é a qualidade e experiência do músico. Por mais bom
material e condições que se tenha, nada consegue combater a falta de
jeito e inexperiência de um baterista.
A melhor solução é instalar a bateria num ambiente acústico controlado,
especialmente configurado para esse efeito, com um bom isolamento,
embora possa ser muito útil o baterista poder ver o resto da banda. As
opiniões sobre o ambiente acústico ideal diferem: alguns podem querer
ter um chão de madeira e paredes de pedra para dar vida ao som,
enquanto que outros podem querer ter o chão com carpetes e materiais
absorventes para "secar" o som. A melhor acústica vai depender
claramente do estilo musical em que se deseja enquadrar a bateria, mas
talvez seja melhor preferir um ambiente "morto", pois irá permitir a
criação de diferentes acústicas para obter uma grande variedade de sons
sem ter a necessidade de recolocar a bateria e os microfones.
Se um ambiente acústico controlado não estiver disponível, a bateria
terá de ser colocado na mesma sala que o resto dos instrumentos, o que
irá obrigar a uma selecção acústica, já que o som da bateria irá
misturar-se com os restantes instrumentos e vice-versa.
Posicionamento dos microfones
A
técnica mais simples para gravar bateria, e que se continua a usar nos
dias de hoje, é a abordagem dos 3 microfones. Esta técnica, serve como
base para outra mais elaboradas
Posicione dois deles por cima, de modo a captar todo o som emitido
pelos pratos, caixa e timbalões - são estes microfones “overhead” que
irão cobrir o stereo principal de todo o som da bateria; Utilize outro
no bombo para lhe dar mais definição e destaque.
Este método, apesar de simples, funciona extremamente bem e obtém
resultados muito naturais e puros. Uma verdadeira lufada de ar fresco
para os inúmeros processos de compressão e sintetização a que estávamos
habituados nestas ultimas décadas.
Qualquer uma das técnicas habituais de gravação pode ser utilizada na
disposição dos microfones “overhead”, mas a mais comum será um par com
espaçamento. Os microfones de condensador e dinâmicos são geralmente
usados pela sua aptidão para capturar transições muito rápidas, com um
microfone posicionado em cada um dos lados da bateria, em direcção as
extremidades exteriores por cima dos pratos, mas colocados de forma a
que capturem alguma parte da bateria.
Quando a bateria está montada numa cabine separada, os "overheads"
podem ser colocados a uma altura elevada e a uma distância maior o que
irá permitir gravar um som mais amplo e aberto — no entanto tenha
cuidado para evitar capturar demasiado som ambiente (da sala), pois
este não poderá ser removido mais tarde! Se a bateria estiver colocada
na mesma sala que os restantes instrumentos, terá de colocar os
“overhead” bastante próximos desta. No entanto se os “overheads”
estiverem próximos demais, os pratos terão uma sonoridade mais
metálica, o som manter-se-á por mais tempo e o seu balanço em relação
ao resto da bateria será mais pobre.
Uma abordagem alternativa, consiste num par de microfones direccionados
para o centro da bateria. Isto permite obter uma imagem stereo muito
precisa e como os microfones não estão dirigidos para nenhum dos
pratos, estes podem ser colocados com mais proximidade do que os
“overheads” espaçados, sem interferir com o balanço.
Se a bateria estiver colocada num bom ambiente acústico, poderá obter
uma boa gravação colocando apenas dois microfones com espaçamento (1m
ou 2m) dependendo da sala.
O Bombo
Resumidamente, as opções que tem para captar um bombo é colocar um microfone dentro ou fora dele.
O clássico AKG D12 é um clássico, assim como o seu sucessor D112. O
Electrovoice RE20, sennheiser MD421 ou o Beyerdynamic M88, são também
bastante populares, mas basicamente qualquer microfone robusto do tipo
dinâmico servirá para este trabalho, claro que o SM57s ou até o 58s
também funcionam bem mas não serão os mais adequados. Tenha em conta
que ao colocar um microfone a poucos centímetros do bombo, vai
sujeitá-lo a enormes pressões sonoras e a grandes variações, estes
factores vão cobrar mais do diafragma do microfone. Por consequência, a
melhor opção é marcar um ou dois microfones especificadamente para esta
tarefa ou usar um modelo apropriado como o D112.
Uma técnica alternativa é utilizar microfones do tipo “pressure-zone”,
como o AKG C547 ou o Crown PCC160 (ambos possuem resposta cardióide) e
colocá-los numa almofada dentro do próprio bombo, ou no chão mesmo na
sua frente.
Existem duas opções principais para o posicionamento do microfone: em
frente ao bombo ou dentro deste. Como as ressonâncias da bateria são
extremamente complexas é impossível especificar um posicionamento ideal
para o microfone – ou seja triagem e erros estão inerentes a este
processo. Porém existem princípios gerais e pontos de partida. Por
exemplo, evite o posicionamento do microfone exactamente no centro e em
frente da pele do bombo, já que assim o som tenderá a ser registado sem
vida quase “morto” porém com um nível de sinal muito elevado. Ao mover
o microfone para uma das extremidades geralmente irá dar-lhe um maior
balanço das ressonâncias e atenuar as grandes variações acústicas.
Algumas peles frontais do bombo possuem um pequeno orifício - Coloque o
microfone dentro desse buraco e a poucos centímetros da pele dianteira
(confirme que nem o microfone nem o cabo estejam em contacto com o
bombo), nesta posição o som gravado será preciso e bem definido, o
ideal para trabalhar na fase da mistura.
Ao
aproximar o microfone do batente irá progressivamente apanhar mais
ressonância da pele, adicionando assim mais peso e corpo mas com
bastante definição e ataque. A colocação perto das extremidades tende a
capturar um som muito “boomy” (som caracterizado por frequências
médias, sem agudos e com intervalos apertados nas baixas frequências) e
pouco definido.
Equalização, reverb e dinâmica
Em principio se tiver necessidade de utilizar exageradamente
equalização é porque utilizou os microfones errados ou posicionou-os de
forma não muito correcta, mas no entanto, devido as variações inerentes
a este instrumento, poderá ter equalizar um pouco.
No caso em que os microfones “overhead” são usados apenas para cobrir
os pratos em vez da imagem stereo principal, a extremidade inferior
(abaixo de 700Hz) pode ser filtrada para reduzir limitar o mais
possível as frequências dos pratos, de modo a não captar tanto os
restantes sons envolventes provenientes das restantes peças da bateria.
Na outra extremidade do espectro de frequências, poderá remover tudo
acima dos 5kHz no microfone do bombo, de forma reduzir a influência do
prato de choques, pratos e restante bateria.
Reverb
Não aplique reverb antes do tempo: aguarde sempre até a mistura estar
completa antes de tomar qualquer decisão e use o mesmo programa para
todos os efeitos de reverb: lembre-se que está a tentar criar a ilusão
que a bateria está localizada numa sala real e ao utilizar programas
diferentes para a caixa, bombo e “overheads” apenas servirá para
confundir e misturar todo o som!
Um pouco de compressão, ou limitar a caixa e o bombo, poderá ajudar a
manter um nível consistente e sem distorção, mas não exagere!
Experimente uma relação de compressão na ordem de 3:1 ou 5:1, com uma
redução modesta no ganho em cerca de 8dB.
Não existe uma resposta 100% correcta e especifica para cada situação,
pelo que se deverá adaptar todos os parâmetros em função do tipo de som
pretendido e da configuração da bateria.
Gravar com proximidade
Os “overheads” e o microfone do bombo irão dar uma boa cobertura e uma
boa imagem stereo, mas poderá desejar mais ataque e definição da caixa
e/ou timbações. Talvez queira a flexibilidade de poder processar
individualmente cada elemento da bateria de maneiras diferentes como a
equalização, compressão, efeitos e outros. Uma boa separação e
isolamento, são a chave do sucesso e a solução é gravar com proximidade
cada elemento da bateria. A única desvantagem é que a partir do momento
em que optar por utilizar este método, será obrigado a adicionar muito
mais material extra, como microfones, mesa de mistura com mais canais,
mais periféricos e potencialmente mais pistas de gravação
independentes, por isso, esteja preparado para o trabalho e custos
aumentarem exponencialmente!
Para capturar a caixa, um microfone direccional é essencial —
geralmente um cardióde ou hiper-cardióide. Já que o microfone está
colocado muito perto, o efeito de proximidade será muito forte, o que
irá adicionar muito “peso” ao som, por isso tome isto em conta quando
estiver a nivelar a caixa e timbalões. Um microfone dinâmico tenderá a
capturar um som com mais “corpo” do que um microfone de condensador,
porque a sua inércia vai abrandar a resposta para as situações de
variação mais rápidas de som. Os microfones de condensador, terão ?
partida melhores parâmetros de ataque e um som mais cristalino e
definido.
O Shure SM57 e o Beyerdynamic M201 são a escolha clássica para captar a
caixa, mas no entanto, qualquer microfone robusto do tipo dinâmico
obterá resultados satisfatórios. O M201 tem a vantagem de ter um padrão
cardióide muito apertado o que ajuda na separação dos sons. Nos
microfones de condensador apropriados (a título de exemplo), incluem-se
o Neumann KM184, Audio Technica AT4041, AKG C460/CK61, o AKG C1000S,
Blueline CK91 e o Sennheiser MKH40.
O microfone tem de ser direccionado para a extremidade da batter head,
pois será atingido se for colocado noutro local. A principal armadilha
a evitar é posicionar o microfone da caixa num sítio onde este não leve
com rajadas de ar provenientes dos pratos. Ajustar o ângulo do
microfone de forma a favorecer o centro ou o lado da pele da bateria
resultará na obtenção de uma maior escala de tonalidades, mas o aspecto
mais critico do seu posicionamento, é a minimização de distorção não
desejados dos pratos.
Se o baterista for experiente, o som da caixa será bem mais elevado do
que o do prato de choques, e este ultimo será gravado mais
eficientemente através do lado do microfone da caixa. A posição
relativa destes irá definir o equilíbrio inicial entre os dois (Pode
ser usado um equalizador para afinar o balanço). Se um microfone do
tipo “figure-of-eight” for utilizado entre a caixa e o prato de
choques, uma correcta escolha do seu ângulo e posicionamento também irá
permitir que o balanço entre os dois possa ser optimizado, e em teoria
a qualidade dos pratos de choques vai melhorar. Se for bem aplicada,
esta técnica aumentará a separação dos sons dos timbações devido ao
lado nulo do padrão polar do microfone.
Para alguns géneros musicais, pode ser bastante útil adicionar um
segundo microfone por baixo da caixa - geralmente é um microfone de
condensador. Uma combinação de um microfone de condensador por baixo e
um moving-coil por cima funciona muito bem, mas é importante lembrar
que os microfones estão acusticamente fora de sintonia entre eles.
Equilibrar todo o equipamento
Quando tem ? sua frente uma floresta de microfones ? volta da sua
bateria, conseguir equilibrar todo o equipamento pode dar muito
trabalho. A primeira coisa que deve fazer é ouvir cuidadosamente cada
microfone de proximidade e ajustar todos os processos dinâmicos (gating
ou compressão) para cada efeito desejado. Aplicar uma equalização
correctiva é aconselhável para minimizar a interferência dos microfones
uns com os outros .
De seguida ajuste a panorâmica para combinar com as perspectivas
criadas pelos “overhead’s”. O faseamento de cada microfone de
proximidade terá de ser verificado em relação aos “overheads”. Para
isso terá de subir o nível de cada um dos microfones, um de cada vez, e
mudar a sua polaridade para encontrar a posição ideal.
Um balanço mais primário pode então ser construído, e aqui existem duas
abordagens. Poderá começar com os “overheads” e ir adicionado os outros
microfones, para preencher o som como achar necessário. Adicione
simplesmente o suficiente de cada um, para que atinja o peso e a
definição desejada, a começar pelo bombo, de seguida adiconar a caixa,
prato de choques e por fim os timbações. A técnica alternativa é
construir um núcleo de som com os microfones de proximidade antes de
adicionar os “overheads” para obter mais definição ao nível dos pratos.
Esta abordagem pode comprometer um pouco o processo de captação, já que
geralmente resulta numa imagem stereo um pouco confusa— a panorâmica
dos microfones de proximidade pode compensar a imagem gerada pelos
“overhead”.
A próxima etapa é aplicar a equalização que achar necessária, mas isto
terá de ser feito com toda a mistura efectuada em vez de o fazer
individualmente para cada pista, já que o objectivo é fazer cada parte
do instrumento soar bem no contexto geral. A chave para uma boa
equalização é adicionar ou subtrair apenas o necessário — analise o que
está errado e arranje isso antes de seguir para o próximo problema.
Lembre-se que o ouvido é facilmente enganado e pensa que mais alto e
com mais brilho é melhor, por isso compare sempre o som equalizado com
o original, compensando qualquer nível de diferença. Escute tudo com
atenção para ter a certeza que ouve de facto melhoramento na qualidade
do som, mude o balanço da mistura com os botões da mesa ou simplesmente
ponha uma parte do instrumento mais alto e brilhante!
Se a sua mesa possuir entradas em pós-equalização, talvez seja
necessário reajustar o “threshold” de qualquer processo dinâmico após
definir a equalização. Uma forma para evitar este problema, que
funciona durante a mistura e quando está a gravar com microfones
pré-amplificados, é ligar os processos dinâmicos entre a tape return e
a própria mesa. Uma vez definidos, os processos dinâmicos não serão
afectados por qualquer alteração na equalização.
Timbações e Pratos
Na altura em que o sistema de gravação inclui um par de “overheads”,
caixa, prato de choques, bombo e três ou mais microfones para os
timbalões, a bateria terá desaparecido por trás de uma floresta de
metal cromado. Se o espaço for um problema, ou não possuir todo este
equipamento, uma boa solução é utilizar um microfone especializado como
o Sennheiser 504s desenhado para encaixar directamente no lado das
várias componentes da bateria. Estas são muito discretas, podem ser
facilmente posicionadas, e capturam um som bastante fiel.
Um
método alternativo para a gravação dos timbalões que não possuam peles
na extremidade inferior consiste em colocar o microfone dentro destes
por baixo – exactamente como no bombo. Dentro das vantagens incluem-se
uma melhor separação do som para o resto da bateria, ma a maior
vantagem é que o baterista não consegue atingir o microfone! Por outro
lado com este método o som gravado pode ser algo estranho, com falha no
ataque mas com uma maior ressonância, ou seja poderá ter que usar muito
mais equalização.
Poderá também pensar numa mistura das duas técnicas: um microfone por cima e outro por baixo.
O único elemento da bateria que ainda não foi tratado é o prato de
choques, que geralmente pode ser controlado efectivamente através de um
posicionamento cuidadoso do microfone da caixa. No entanto se tiver a
necessidade de colocar mais um microfone além deste, um microfone de
condensador é geralmente o mais indicado. Posicione o microfone por
cima do prato do lado oposto ao da caixa e apontado para baixo. Nunca
ponha o microfone de lado apontado para o meio dos pratos, pois é põe
este lado que o ar é expelido cada vez que os eles fecham, o que iria
provocar um som um pouco confuso. Direccionar o microfone para
favorecer a extremidade exterior torna o som mais puro e cheio,
enquanto que se o apontar para o sino central o som ficará mais
metálico. Não esquecer a anulação do padrão polar e como usar este
aspecto de forma a maximizar a separação entre a caixa e/ou overhead’s
dos pratos.
2 Regras de ouro no uso de microfones de proximidade:
1) Assegure que nenhuma das pernas de apoio dos microfones esteja em
contacto com a bateria e os seus suportes de forma a evitar sons
mecânicos sejam capturados por estes.
2) Tenha
cuidado na colocação dos microfones de forma a evitar que o baterista
lhes possa acertar, o microfone pode até sobreviver, as suas colunas é
que provavelmente não.
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