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Como gravar um baixo elétrico
Apesar
da maioria dos sintetizadores modernos já virem com bons efeitos para
guitarras baixo incluídos, não existe nada comparável ao verdadeiro
instrumento, desde que seja bem tocado, e que se saiba como
gravá-lo.
Hoje em dia, o baixo tem um papel proeminente em diferentes géneros
musicais. O Dub Reaggae não chegaria muito longe sem o baixo, assim
como muitos géneros com bastante ritmo, como estilos latinos ou os
provenientes da América do Sul. Mesmo até fora destes estilos, o baixo
é uma peça fulcral para a sonoridade e para o "felling" de uma música.
Um baixo bem tocado e bem gravado é vital para qualquer secção rítmica,
e vale a pena o esforço, de forma a obter o som correcto.
Um bom som para um baixo começa com um instrumento razoavelmente bom e
bem tocado. Após este ponto de partida terá de decidir se quer ligar o
microfone a um amplificador de baixo ou adoptar um dos métodos de
ligação directa - DI - possíveis, ou, poderá ainda, combinar estes
dois, uma abordagem comum de alguns engenheiros de som.
O método mais simples é ligar o baixo a uma box DI, mas, a não
ser que o instrumento possua pickups activos (poderá necessitar de uma
pequena bateria), não o poderá ligar a um input de uma mesa de mistura
e estar a espera de bons resultados - haverá uma discrepância
grande de impedâncias.
O método para fazer este processo correctamente, é utilizar uma box DI
com uma impedância de input de pelo menos 500k (ómega) e de preferência
mais alta do que 1M (ómega). Virtualmente, todas as boxes DI activas
que apresentam um input para instrumentos, preenchem estes
requerimentos.
Com o instrumento adequado e uma boa técnica da parte do baixista, esta
abordagem mais simples pode produzir bons resultados, mas à medida que
os outros instrumentos são adicionados a mistura, o som do baixo
tenderá a perder potência, e o tom obtido não é o mesmo do que se
estivesse a utilizar um amplificador, pois os amplificadores para
guitarras e baixos não possuem uma resposta de frequência linear.
Os equalizadores das consolas mais simples não são capazes de emular
correctamente um amplificador de guitarra, por isso, um processador
"outboard" será uma melhor aposta.
Colocar um equalizador de gráfico ou paramétrico de qualidade, após a box DI poderá melhorar muito o resultado final.
A maioria dos músicos sabe que adicionar um "boost" de 80Hz irá
"engordar" a linha das frequências "baixas" do baixo, mas se
ouvir atentamente os sons durante uma gravação, provavelmente irá
descobrir que também irá atingir bastante os alcances médios e mais
baixos - a maioria das colunas hi-fi domesticas não conseguem
reproduzir esses níveis de frequências.
A solução é experimentar com o equalizador dentro da região
compreendida entre os 120Hz e os 350Hz, já que é aqui que o "som
verdadeiro" é definido.
Outra técnica que pode utilizar, envolve combinar o equalizador com um
simulador de colunas, como o "Palmer Junction Box". Os simuladores de
colunas são desenhados para duplicar o rolloff das altas-frequências ou
colunas reais, por isso pode continuar a utilizar o seu equalizador
para dar forma às frequências baixas e médias, para de seguida permitir
ao simulador de colunas tratar dos níveis superiores.
Compressão
A maioria dos engenheiros de som utilizam sempre algum nível de
compressão para a guitarra baixo, o que é uma boa ideia por muitas
razões.
Se o baixista, utilizar uma técnica baseada em slapping ou pulling,
o parâmetro de ataque das notas poderá ser muito elevado, por isso, se
não o comprimir ou o limitar, correrá o risco de sobrecarregar o som
final, ou terá de definir o nível da gravação tão baixo que o corpo
principal do som proveniente do instrumento será demasiado
pequeno.
A melhor forma de tratar este tipo de técnica é utilizar um compressor
que possua um limitador separado, pois o método tradicional, para
manter o parâmetro de ataque num som comprimido, é definir o parâmetro
de ataque do compressor para algumas décimas de milissegundos, de forma
a deixar passar sem compressão o impulso inicial. O tempo de "release"
é geralmente definido para cerca de 1 quarto de segundo, mas isto irá
variar de modelo para modelo, por isso vá experimentando. Utilizar
definições automáticas para o parâmetro de ataque e para o "release",
também podem produzir bons resultados pois estas definições podem-se
adaptar às diferentes dinâmicas e aos diferentes estilos de tocar de
cada artista, dentro da mesma música.
Permitir que as
variações mais abruptas possam passar inalteradas devido ao compressor
pode produzir um bom som, mas são essas mesmas variações (ou a falta
delas) as causadoras dos problemas de sobrecarga nas gravações, por
isso ter um limitador independente após o compressor, é extremamente
útil. O "threshold" do limitador deve estar definido logo abaixo do
nível máximo da gravação (perto do limiar de distorção) para que este
entre em efeito só nos picos mais altos.
Mesmo que o baixo seja tocado de uma forma mais tradicional, a
compressão continua a ser útil, já que equilibra o nível de diferentes
notas e, igualmente importante: aumenta a energia média do som, isto é,
faz com que o som pareça mais alto ao mesmo nível dos picos.
Pode ainda reduzir ligeiramente o parâmetro de ataque do compressor
para acentuar o começo duma nota, mas esteja atento aos níveis da
gravação.
Uma dica útil para o caso de não possuir um compressor com um limitador
separado, é utilizar um compressor de canal duplo é por a saída do
canal 1 na saída do canal 2. Defina o canal 1 para fazer a compressão
normalmente, mas ponha o canal 2 para limitar utilizando uma relação
mais alta combinando-o com um parâmetro de ataque muito rápido e o
tempo de "release" mais veloz que conseguir utilizar.
Ajuste o "threshold" do canal 2 para que o ganho na redução só ocorra
quando o nível do som esteja a poucos dBs de atingir a região de
sobrecarga nos medidores do gravador. Claro que aqueles que ainda
utilizam cassetes analógicas podem se dar ao luxo de não serem tão
"formais" em relação aos níveis - de facto um pouco de saturação na
cassete, pode fazer maravilhas ao som do baixo. O que nos leva a falar
de "¦.
Distorção
Algum dos melhores sons da guitarra baixo provêm dos amplificadores de
válvulas, e como todos os guitarristas e baixistas sabem, os
amplificadores de válvulas distorcem duma maneira muito musical quando
são puxados ao máximo.
Um grande número de processadores de estúdio modernos ou incluem
equipamentos a válvulas ou emuladores, com diferentes graus de
sucesso, consoante a qualidade do material.
Pode até arranjar boxes DI a válvulas, como a "Ridge Farm Gás Cooker".
Ao utilizar uma destas pode ainda dar mais potência ao som do baixo sem
o tornar obviamente distorcido. Claro que se quiser obter o som do
baixo "Stranglers", um set apropriado de pedais overdrive pode-lhe oferecer-lhe bons resultados.
O dispositivo de válvulas ou o emulador na corrente do sinal serão
colocados exactamente onde soarem melhor, mas se quiser ser mesmo um
purista, deverá posicioná-los antes do emulador de colunas, se o
estiver a utilizar, claro. Isto porque num amplificador real, qualquer
distorção criada dentro do circuito do amplificador é filtrada pela
resposta limitada das colunas.
Se quiser ter a vida facilitada, alguns pré-amplificadores desenhados
especificamente para guitarras também funcionam bem para o baixo"¦
Gravar o Baixo
Como é claro, existem puristas que se recusam a ligar um baixo a uma box DI. Ligar um bom. Apesar
de poder utilizar um microfone dinâmico, (o qual pode servir para
várias finalidades) na gravação do seu baixo, irá descobrir que a
maioria deste tipo de microfone possuem uma atenuação considerável para
frequências baixas, de forma a compensar o efeito de proximidade quando
é utilizado na gravação de perto.
Por causa disto, a não ser que o coloque mesmo próximo da fonte sonora,
irá aperceber-se que o som em algumas frequências tenderá a perder
potência.
A melhor aposta será utilizar um microfone dinâmico (não-vocal), que
possua uma resposta razoável ? s frequências baixas, ou então
experimentar um daqueles microfones dedicados para baixo/bombo da
bateria, colocando-o entre 15 cm a 30 cm em frente da coluna. Se
estiver a utilizar um amplificador de válvulas, irá descobrir que não
necessita de adicionar compressão ou pelo menos não muita, mas se o
amplificador for do tipo "solid-state", e não possuir um compressor
incorporado, então ai será uma boa ideia tentar adicionar pelo menos um
pouco de compressão, na tentativa de melhorar o resultado final. A
abordagem mais segura neste caso é deixar a compressão para depois da
mistura a não ser que atinja níveis tão graves que gerem
distorção.
Pode fazer mudanças nos tons se mover o microfone - o som mais
brilhante é conseguido ao apontar o microfone para o centro da coluna,
enquanto que se o mover um pouco para o lado irá registar um som mais
quente, menos directo (less-in-your-face).
Também
será uma boa ideia variar a distância a que este é colocado para obter
outros resultados. Tente ajustar o posicionamento do microfone de forma
a obter os melhores resultados possíveis antes de adicionar a
equalização. Se conseguir deixar a equalização para a mistura final irá
deixar as suas opções em aberto. Ao fim de contas o que lhe pode soar
bem em isolamento pode não ficar tão bem juntamente com o resto da
mistura.
Amplificador
para baixo não é um problema, desde que esteja a trabalhar num ambiente
que lhe permita tocar o instrumento com a altura suficiente e que
possua um bom microfone.
O melhor de dois mundos
Se realmente quiser ir mais longe com o som do baixo, experimente
combinar um amplificador com microfone incorporado com uma das técnicas
de DI que foram mencionadas anteriormente. Esta abordagem combinada é
utilizada por muitos profissionais. As fases em que o som é gravado e
submetido a uma box DI, irão ter um efeito profundo no trabalho final,
por isso possivelmente terá de fazer uma inversão de fase a uma das
fontes, de forma a obter o melhor resultado possível.
Como a equalização pode não ter o mesmo efeito em relação ao som como
um todo, experimente equalizar cada fonte individualmente assim como o
seu balanço. Similarmente, se alterar a distância entre o microfone e
as colunas também irá afectar a fase dos sons combinados, por isso esta
teoria pode-o ajudar a ajustar correctamente o resultado final.
Como se pode ver, existem vários métodos de gravação de uma guitarra
baixo, no entanto, se quiser manter as suas opções em aberto até
mistura final, pode sempre utilizar uma box DI (flat) para não
processar em demasia o som, talvez até combinar com um limitador para
que possa detectar e eliminar qualquer pico excessivo para de seguida
aplicar um dos métodos aqui explicados neste artigo durante a fase de
mistura.
Se possuir faixas suficientes poderá gravar o som natural e o som
processado em faixas distintas. Se tiver possibilidade experimente este
método mas se estiver a gravar directamente do amplificador - tudo o
que necessita é de uma box DI entre o instrumento e o amplificador (a
maioria possui um conector para ligar o áudio) com a box DI ligada a
uma entrada livre do gravador.
Os usuários de computadores também possuem varias opções quando se fala
de tratamento de som, além da comum compressão e equalização, neste
momento existe vário software que emulam amplificadores que podem
produzir resultados muito convincentes. A verdadeira beleza de um
Homestudio é que você não está sujeito às mesmas pressões de tempo como
num estúdio comercial, por isso pode-se dar ao luxo de experimentar e
ver quais os métodos que funcionam melhor para si.
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