Roland RAP-10 - placa de áudio/MIDI
O Roland Audio Producer, um sistema desenvolvido para computadores PC (386, 486, etc) rodando ambiente Windows, é o mais recente produto da Roland para a produção integrada de áudio e MIDI. Ele se compõe de três ítens: a RAP-10, uma placa de áudio, que incorpora também um sintetizador e recursos para interfaceamento MIDI; o MCB-10, um conectador/adaptador para interfacear a placa com instrumentos MIDI externos; e o software Audio Toolworks, o responsável pelo controle do sistema, que oferece alguns recursos bastante surpreendentes.
A RAP-10 pode ser conectada em um slot interno de 16 bits do computador, e possui três conectores de áudio, estéreo, em tamanho mini-plug: saída de áudio (que pode ser conectada a um mixer, amplificador, ou mesmo fones), entrada de áudio (mic ou line, selecionável por software) e entrada auxiliar (permite ligar um equipamento externo de áudio). Há ainda um conector de 15 pinos que liga a RAP-10 à caixinha adaptadora MCB-10, e contém dois conectores de MIDI (In e Out) e a porta para joystick. O adaptador MCB-10, embora seja um rabicho externo, possui um cabo de comprimento suficiente para não ficar esticado, e a caixa onde estão os conectores tem peso suficiente para não ser arrastada pelo pelos cabos MIDI conectados à ela. A placa provê três funções ao sistema: gravação/reprodução áudio digital, sintetizador e interfaceamento MIDI (não compatível com MPU-401), e dois processadores de efeitos, que podem adicionar reverb, chorus, flanger e eco tanto sobre o áudio digital, quanto sobre o som do sintetizador.
O software Audio Toolworks é um conjunto integrado com diversas ferramentas úteis para a composição de música e áudio no computador, possuindo alguns recursos excelentes, e proporcionando uma enorme eficiência ao trabalho musical em estúdios de pequeno porte, com um investimento bastante reduzido. Basicamente, o software é composto de quatro módulos principais: um para gravação e edição de áudio (Wave Editor), um para a montagem de trilhas de áudio (Wave Composer), um seqüenciador para a montagem final das trilhas de áudio e MIDI (WaMI Sequencer) e outro para a operação e gravação dos controles (volume, pan, chorus, reverb, etc) sobre aquelas trilhas (WaMI Mixer).
O produto vem num pacote, com a placa, o software (5 disquetes HD de 3.5), manual da placa, manual do software (um original, em inglês, e uma versão em português), o adaptador MCB-10 e um cabo de áudio.
Instalação
A instalação da placa segue os mesmos procedimentos de outros dispositivos para computadores PC. Por meio de micro-chaves, pode-se escolher (8 opções) qual o código de endereço, bem como selecionar também qual o código de interrupção (4 opções) mais adequados para a placa, de forma a não conflitar com outras já instaladas no computador. A RAP-10 usa canal de DMA (essa configuração é feita por software, na instalação do driver para Windows), e pode operar com os canais 5 ou 6, juntos ou separados.
Como a RAP-10 foi desenvolvida para aplicativos Windows, seu funcionamento naquele ambiente depende de uma rotina de driver, que acompanha o software fornecido. A instalação e configuração deste driver procede-se da mesma forma que qualquer outro driver para Windows, sem grandes dificuldades para aqueles que já têm alguma experiência com aplicativos e dispositivos para Windows. Não há nenhuma rotina para teste da RAP-10, já instalada, e portanto seu funcionamento só pode ser checado após a instalação completa do software Audio Toolworks, ou por outro aplicativo Windows (de áudio ou de MIDI) que possa usá-la.
Uma vez instalada a placa, seu driver e o Audio Toolworks, a RAP-10 passa a ser um recurso de áudio/MIDI disponível ao Windows, e a partir de então ela pode ser usada por qualquer aplicativo, como softwares seqüenciadores, editores de áudio, etc. Do ponto-de-vista MIDI, a RAP-10 possui uma única porta de saída, de forma que, se um seqüenciador envia notas musicais para a placa, essas notas serão tanto executadas pelo sintetizador interno, quanto transmitidas pela saída MIDI Out da placa. Embora o músico não possa tocar os instrumentos da placa diretamente pelo Audio Toolworks, poderá fazê-lo usando qualquer seqüenciador para Windows, desde que configurando como entrada a MIDI In da RAP-10.
Sintetizador
O sintetizador existente na RAP-10 é uma versão derivada do Sound Canvas SC-55, e possui 16 partes timbrais (uma para cada canal de MIDI, incluindo uma parte de percussão) e polifonia total de 26 notas. Ele é um sintetizador GM (General MIDI), o que proporciona plena compatibilidade com as numerosas seqüências já produzidas conforme aquele padrão. Há algumas diferenças sutis em relação ao SC-55, como a ausência de ajuste de sensibilidade de toque (key velocity) e certas alterações de timbre, perceptíveis em poucos timbres. No entanto, a qualidade sonora foi preservada, sendo todos os instrumentos bastante limpos e, na maioria, bastante reais.
Como o sintetizador não possui painel (pois está montado na placa), a única maneira de acessar seus parâmetros é por software ou via MIDI. Alguns parâmetros internos podem ser alterados via mensagens MIDI Sys-Ex, mas o software que acompanha não usa esses recursos. Seria interessante a Roland incluir nas versões futuras um editor dos timbres do sintetizador, para os usuários mais audaciosos.
Audio Toolworks
O software que acompanha a placa é certamente o maior destaque do pacote. São ao todo seis ferramentas, que permitem o trabalho completo para a gravação e edição de áudio digital e a sua combinação com seqüências MIDI. O uso desses módulos (alguns bastante poderosos) não chega a ser complicado e, nos casos de dúvida, há um help on-line, baseado em ícones, descrevendo as funções de cada tópico, além do que, clicando-se com o botão da direita do mouse sobre qualquer botão ou item das telas, imediatamente é mostrado o nome da sua função.
O primeiro módulo do Audio Toolworks é o chamado Rack, uma três-em-um virtual, onde há um gravador de áudio, um MIDI player e um CD player (este requer um drive de CD-ROM instalado no computador), que podem ser usados, respectivamente, para a gravar/reproduzir arquivos WAV de áudio digital, tocar música MIDI (em arquivos Standard MIDI Files), e controlar o drive de CD-ROM para tocar discos CD. O Rack tem ainda um painel com botões de controle de volumes, efeitos (reverb e chorus), e que podem ser configurados como botões rotativos ou deslizantes, e em cada um dos três módulos, pode-se incluir diversos programas a serem executados (16 waves no gravador, 48 seqüências no MIDI player e as músicas do CD, no CD player).
Para a criação dos arquivos de áudio, o Audio Toolworks dispõe de uma ferramenta bastante poderosa, que é o Wave Editor. Com ele, pode-se não só gravar áudio no disco rígido pela RAP-10 (o que também pode ser feito pelo gravador do Rack), mas também editar a gravação, de diversas formas diferentes. Pode-se ter até 16 janelas de edição abertas, independentes, e o software usa um recurso chamado de virtualization, que permite que arquivos de áudio muito grandes sejam carregados do disco, mostrados na tela e, de certa forma, manipulados, com mais rapidez do que a forma normal. Entretanto, quando operando com arquivos virtualizados, algumas funções de edição não podem ser usadas, e por isso pode-se optar por trabalhar com virtualização ou não. O áudio digitalizado é armazenado sempre em arquivos do tipo WAV, padrão do Windows, mas suas características podem ser definidas dentre uma variedade de opções de resolução (8 ou 16 bits), taxa de amostragem (11.025, 22.050 ou 44.100 Hz) e modo (mono ou estéreo). Essas características devem ser determinadas conforme as necessidades de qualidade (de som) e quantidade (de disco a ser ocupada) que se deseja. Só a título de comparação, um arquivo com 1 minuto de áudio, em 8 bits e 11.025 Hz, mono, ocupa cerca 110 kB de espaço do disco, enquanto 1 minuto de áudio em 16 bits, 44.100 Hz, estéreo, que teria qualidade de CD, ocupa cerca de 10,6 MB no disco. A diferença é brutal, tanto em qualidade quanto em espaço. Na documentação do manual, não é condenado o uso de discos compactados (ex: utilitários Stacker ou Doubler), mas é alertado que o uso de discos nessas condições, em computadores lentos, pode acarretar problemas de engasgo em determinadas situações, principalmente com arquivos grandes. Na análise, usei um 486DX2, com disco sem qualquer compactação, de forma que não percebi qualquer problema desses. Ao usar o sistema em discos compactados, além do possível problema de velocidade, pode haver confusão para determinar o espaço ainda disponível, por causa das variações de percentual de compactação.
No Wave Editor há vários recursos para se manipular o som digitalizado, incluindo os mais comuns, que permitem cortar e colar (cut & paste) trechos do áudio livremente, em qualquer posição, sendo que a função crop permite marcar um trecho, e cortar o restante, que não estiver marcado. Há uma função para eliminar ruídos do tipo hiss e pop, uma para alterar o ganho (amplitude), uma para inverter o trecho, uma para criar fade-in e fade-out, outras para inserir e remover trechos em silêncio. Pode-se ainda gerar efeitos de delay, chorus e flanger sobre o trecho, configurando os parâmetros (características) desejadas para os efeitos. Essas funções atuam muito bem, conseguindo-se excelentes efeitos de dobra de voz com o chorus, assim como efeitos muito bons de flanger (esses efeitos são independentes do chorus da RAP-10, citado anteriormente). Ainda não está implementada, mas já está em desenvolvimento, uma função para a manipulação independente de afinação (pitch) e tempo, o que permitirá aumentar/diminuir o tamanho do trecho de áudio sem alterar a afinação, e vice-versa.
A janela de edição mostra o sinal de áudio em duas partes: vista total e em detalhe (zoom, ajustável). Há 4 displays que mostram a posição do cursor, o tamanho do segmento marcado, a posição onde termina o áudio e o tamanho total do sinal, e pode-se escolher qual o formato de tempo dos displays (SMPTE, nº de amostras, min:seg:mseg ou tempos musicais). A opção scrub permite fazer com o sinal de áudio andar devagar para a frente ou para trás, sob o comando do mouse, de uma forma muito semelhante ao que se faz em gravadores de rolo, para escolher o ponto do áudio onde parar a fita.
É também possível converter o arquivo WAV do editor para qualquer um dos formatos suportados pelo Audio Toolworks, embora, evidentemente, um arquivo original de 8 bits não poderá ter sua qualidade melhorada se for convertido para 16 bits, e podem ser feitas algumas transformações com arquivos de mesmo formato, como transformar dois arquivos mono em um estéreo, ou vice-versa, além de ser possível mixar dois arquivos em um só (função Integrate).
Pan/Xfade
Além do editor já descrito, existe o Wave Composer, que permite combinar até 16 arquivos WAV em um único arquivo, de forma que vários trechos de áudio que foram gravados separadamente podem ser adicionados e posicionados em um novo arquivo. Isso permite fazer vocais dobrados, incluir efeitos junto com outros trechos, etc. O Wave Composer só pode somar os trechos, de forma que seus volumes têm que ser ajustados individualmente, por meio do Wave Editor, mas o posicionamento dos trechos no Wave Composer pode ser feito com grande precisão.
Embora o Audio Toolworks (como o nome sugere) seja mais poderoso para a manipulação de áudio digital, há recursos para a combinação do áudio com música MIDI. Isso possibilita que se produzam trabalhos instrumentais (feitos em MIDI) junto com vocais (gravados em áudio digital). Para tanto, é necessário ter-se a seqüência MIDI já pronta (no Audio Toolworks não é possível gravar MIDI), e então gravar a(s) trilha(s) de áudio desejada(s). Os recursos que permitem essa combinação são o WaMI Sequencer e o WaMI Mixer. O primeiro é a ferramenta por onde se pode posicionar graficamente os trechos de áudio (até duas trilhas, totalmente independentes) e trechos MIDI (até 16 canais de MIDI). Feito o posicionamento (gráfico), usa-se o WaMI Mixer para criar as variações de volume, de pan (posição no estéreo) e intensidade de efeitos (chorus e reverb) para cada uma das 2 trilhas de áudio e cada um dos 16 canais de MIDI. O mixer possui, portanto, 18 canais independentes (16 de MIDI, 2 de áudio), sendo que cada um deles tem fader de volume, botões de pan, reverb e chorus, e mais um cuja função é programável (nos canais de áudio, pode atuar como controle de agudos). Há ainda botões de solo e de mute, e bargraph, para indicação visual do volume de sinal, também em cada canal. Estando os trechos (de MIDI e de áudio) devidamente posicionados na música, pode-se gravar a mixagem, efetuando-se os movimentos dos controles do mixer.
O software pode armazenar o trabalho de duas formas diferentes. Na primeira, as seqüências MIDI são salvas em arquivos MID, as trilhas de áudio em formato WAV, e os ajustes efetuados durante a gravação da mixagem, no WaMI Mixer, salvos em um arquivo WAM, que contém também as referências de quais arquivos de MIDI e de áudio pertencem àquela sessão. A outra forma de salvar o trabalho é em um arquivo com extensão EWM, que incorpora em si todos os arquivos pertencentes à sessão, e por isso seu tamanho pode se tornar muito grande.
No Audio Toolworks, o processo de reprodução combinada de MIDI e áudio se processa um pouco diferente do que se faz convencionalmente com gravadores de fita e seqüenciadores, pois a execução da seqüência MIDI não ocorre efetivamente sincronizada com e áudio. Na realidade, os trechos de áudio digital (arquivos WAV) são disparados à medida que a música MIDI atinge os pontos onde eles foram posicionados (no WaMI Sequencer). Isso pode parecer um pouco estranho para aqueles que estão acostumados a usar fita magnética, mas possibilita economia de espaço de disco, pois os trechos da música onde não há áudio (por ex: voz cantada) não precisam existir, e somente as partes realmente cantadas são alocadas em trechos (arquivos) separados, posicionados corretamente, ao longo da seqüência. No que diz respeito a sincronismo, o Audio Toolworks pode ser sincronizado com outros equipamentos externos, usando mensagens de tempo em formato MIDI Time Code (MTC).
O módulo Session Manager é uma espécie de lista de referência, que indica quais os arquivos de áudio que estão sendo usados no trabalho (que podem ser batizados por nomes mais claros do que os nomes dos arquivos), e permite acessar diretamente o Wave Editor. Esta lista também pode ser salva, sob a forma de um arquivo WVS.
Conclusões
A qualidade de som da RAP-10 é impressionante. Embora o sintetizador tenha algumas sutis diferenças de nuances em alguns timbres, o áudio digital possui excelente qualidade, superando facilmente os portastudios convencionais. Com os recursos de edição e composição disponíveis no Audio Toolworks, e considerando a sua relação custo/benefício, fazem do Audio Producer uma opção a considerar, na hora de montar um sistema básico de gravação e MIDI.
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