O seu site de Tecnologia Digital aplicada à Música. Aqui você encontra informações técnicas relativas à construção de seqüências MIDI, gravações de áudio, loops, compactação de arquivos, manuais traduzidos para o português de softwares musicais consagrados, download de softwares, plug-ins e utilitários para quem utiliza a informática como ferramenta musical, além das notícias mais atuais do que está acontecendo no mundo da música digital.

GUIAS E VÍDEOS EM PORTUGUÊS   DICAS E ARTIGOS ON-LINE     DOWNLOADS     AUDIO E MIDI NO LINUX   BALCÃO DE TESTES     NOVIDADES    FALE CONOSCO


 

Roland JV90 - teclado sintetizador
JV90



A Roland preencheu uma lacuna importante do mercado de instrumentos musicais ao lançar o JV-90 Expandable Synthesizer, um sintetizador de altíssima qualidade que, com algumas características adicionais, pode ser classificado como um meio-termo entre seu antecessor JV-80 e a workstation JV-1000, mantendo a mesma estrutura básica de geração de sons e preservando a incontestável qualidade sonora.


Aspecto Geral

O JV-90 é um sintetizador multitimbral, capaz de operar simultaneamente em até 8 canais de MIDI (modo Performance), o que permite usá-lo junto com um seqüenciador, para a produção completa de arranjos. O que se destaca logo à primeira vista é o teclado de 76 teclas (Mi a Sol), que dão ao músico extensão suficiente para explorar todas as possibilidades sonoras do instrumento. Apesar do teclado grande, a aparência geral é de leveza, graças ao perfil baixo, bastante semelhante ao do saudoso D-70, o que é confirmado pelo seu peso reduzido (menos de 10 kg).

O teclado é sensível tanto a key velocity (intensidade) quanto a aftertouch (pressão), e o músico pode usar esses recursos para controlar diversos parâmetros diferentes. Sua ação é igual a de outros teclados de plástico usados em sintetizadores - um pouco leve para pianistas - mas oferecendo bom controle sobre a expressividade. Para isso, inclusive, há recursos de ajuste por curvas de sensibilidade, que permitem adequar a resposta do instrumento ao toque do músico.

Como nos demais sintetizadores da Roland, à esquerda do teclado há uma alavanca que integra as funções de pitchbend (movendo-a para os lados) e modulation (para frente). À frente desta alavanca existem três controles deslizantes, que efetuam as funções de controle de volume, presence e C1 (este último pode ser programado pelo usuário para controlar um dentre vários parâmetros do instrumento). Há mais de 60 botões no painel, que permitem acessar diretamente diversas funções de edição e de performance, que facilitam bastante os processos de operação no instrumento, que conta ainda com a eficiente ajuda dos oito controles deslizantes localizados ao lado esquerdo do display que servem para variar individualmente valores de até oito parâmetros mostrados na tela, em modo Play ou Edit. O display (LCD iluminado) de 40 caracteres e 2 linhas mostra os parâmetros selecionados para alteração (pelos controles deslizantes ou botões).

Na parte de trás estão todos os conectores: um par de saídas de áudio (estéreo) para o som do sintetizador, um par de saídas de áudio (estéreo) para o som da placa de expansão opcional, uma entrada MIDI In para controlar externamente a placa de expansão opcional, três tomadas MIDI (In, Out e Thru) para interconectar o sintetizador com outros equipamentos, três entradas para pedais (um de sustain e dois de funções programáveis) e uma saída (estéreo) para fones (esta poderia ficar na frente do instrumento, como em outros instrumentos da Roland, para facilitar a passagem do cabo). Ainda no painel traseiro estão a chave de liga/desliga e dois slots para a inserção de cards opcionais para ampliar a capacidade de memória interna para armazenamento de timbres (DATA CARD) e amostras digitais (PCM CARD).


Operacionalidade

A arquitetura funcional do JV-90 segue a mesma estrutura dos últimos sintetizadores da Roland, onde os timbres (patches) são formados por até quatro amostras digitais (tones), possibilitando a obtenção de sons bastante complexos e ricos. Há dois modos diferentes de se configurar essa estrutura, chamados de Patch Play e Performance Play. No modo Patch Play, o músico pode tocar um timbre de cada vez, usando apenas um patch e um único canal de MIDI para recepção e para transmissão. Um detalhe operacional do JV-90, essencial para uso em apresentações ao vivo, é que o músico pode trocar de patch enquanto ainda pressiona teclas, isto é, as notas ainda soando não são cortadas ao se chamar um novo patch.

No modo Performance Play, entretanto, o JV-90 opera de forma multitimbral, podendo dispor de até oito partes timbrais independentes (isso sem placa de expansão), cada uma usando um patch e operando em um canal próprio de MIDI. Esse é o modo adequado para se usar o equipamento em um sistema MIDI controlado por um seqüenciador, para a produção completa de arranjos com vários instrumentos. No modo Performance, o músico pode também criar combinações de timbres que ocupem regiões separadas (splits) ou superpostas (layers) ao se tocar pelo teclado. Isso permite obter sonoridades compostas, bastante ricas e interessantes, embora reduza a capacidade total de polifonia (28 vozes).

O JV-90 possui instrumentos de percussão, que podem ser tocados também pelo teclado, quando então cada tecla aciona um deles. Ao todo, há cinco kits de percussão, sendo quatro presets (fixos) e um reprogramável pelo usuário, no qual podem ser alterados e rearmazenados diversos dos parâmetros do som. Embora a maioria dos instrumentos de bateria mais comuns (bumbo, caixa, pratos) sejam acionados pelas notas padronizadas do padrão General MIDI (GM), alguns outros (certos pratos, cuíca e instrumentos de percussão) não seguem aquele padrão, o que pode acarretar incompatibilidade quando usando o JV-90 para executar trilhas de percussão criadas em outros equipamentos.

O instrumento possui dois processadores de efeitos, que podem produzir diversos tipos de reverb, delay e chorus. Eles são totalmente programáveis, em qualidade (6 tipos de reverbs, 3 de chorus e 2 delays) e intensidade de atuação, permitindo ao músico obter texturas ainda mais ricas e naturais sobre os timbres gerados pelo sintetizador. Os efeitos são programados para cada patch e cada performance (quando operando em modo Performance, prevalece o ajuste da performance, ignorando-se o ajuste individual de cada patch). Os dois processadores, além de serem programáveis, podem ser dispostos em paralelo ou em série na saída de áudio. Como acontece nos instrumentos multitimbrais, no modo Performance os dois processadores de efeitos são compartilhados por todas as partes timbrais, podendo-se, entretanto, graduá-los individualmente, para cada parte.

Pelo display e pelos leds dos botões do painel, o músico tem sempre informações suficientes sobre a situação do instrumento. No modo Performance, por exemplo, é possível visualizar em uma única janela do display, ao mesmo tempo, os ajustes de volume das oito partes timbrais (o mesmo podendo ser feito também para ajuste de pan, patch e outros), podendo-se então usar cada um dos oito controles deslizantes para alterar diretamente cada um dos parâmetros das oito partes. É uma facilidade extremamente útil, pois dá ao músico acesso imediato ao parâmetro que deseja - em todas as partes timbrais - sem ter que mudar de janela no display. Esses controles também podem ser usados para controlar volume e pan de equipamentos externos, conectados via MIDI ao JV-90. No modo Patch Play, por sua vez, os controles deslizantes também podem ser usados para alterar diretamente parâmetros dos tones do timbre. Os leds dos botões abaixo do display indicam quais partes timbrais estão sendo usadas no modo Performance, ou quantos tones formam um timbre, no modo Patch Play.

No painel, há ainda dois botões que permitem ativar ou desativar diretamente os processadores de efeitos (reverb e chorus). Isso é eficiente, pois evita que o músico tenha que chamar a função correspondente no display para alterá-la. Há também dois botões para transposição de oitava, que permitem subir ou descer imediatamente uma oitava no timbre tocado pelo teclado (modo Patch Play). Além do pedal de sustain, o JV-90 pode usar mais dois pedais cujas funções são totalmente programáveis, o que possibilita controlar por meio deles praticamente qualquer parâmetro.

Todos os recursos de visualização e controle disponíveis no JV-90 o tornam um instrumento versátil e de operação bastante facilitada, fazendo seu uso extremamente adequado para apresentações ao vivo, onde informação imediata e controle preciso são fundamentais ao músico.

A seleção de programas (de Performance ou de Patches) é efetuada pelos botões da direita do painel: escolhe-se o tipo de memória onde está o programa, pressionando-se os botões User (memória RAM) ou Preset (memória ROM), seleciona-se o grupo (A, B, C ou D) pela tecla apropriada e então digita-se o número do programa. No modo Performance, são 16 programas em cada grupo e no modo Patch são 64 em cada grupo (oito bancos com oito patches).

Dessa forma, a capacidade total da memória do JV-90 é a seguinte: 320 patches (256 timbres fixos e 64 timbres programáveis), 80 performances (64 presets fixos e 16 programáveis) e 5 kits de percussão (4 presets fixos e 1 programável). O JV-90 ainda pode configurar dois bancos de presets compatíveis com o JV-80, cada um com 64 patches e 32 performances, e mais dois kit de percussão. Adicionalmente a esses programas, pode-se usar um DATA card (opcional), com mais 64 patches, 16 performances e 1 kit de percussão.


Sons

Os sons são uma qualidade incontestável dos sintetizadores da série JV da Roland, e o JV-90 de forma alguma diminui este prestígio. Alguns aspectos, como a diferença de região de oitava em timbres de mesma família, foram devidamente corrigidos nos presets aproveitados do JV-80.

A arquitetura de síntese basicamente é a mesma usada nos instrumentos anteriores, onde cada patch (timbre) é formado por até quatro tones. Pode-se imaginar um patch como sendo uma soma de até quatro sintetizadores, cada um podendo produzir um som completamente diferente. Essa superposição de tones, entretanto, consome uma voz da polifonia para cada um, o que faz com que um patch que use quatro tones ocupe, portanto, quatro vozes do instrumento para cada nota tocada. É um compromisso que às vezes compensa, principalmente pelo fato do JV-90 oferecer uma polifonia total de 28 vozes.

O tone - célula fundamental na síntese - se compõe de um oscilador que reproduz uma amostra digital (wave) que é modificada por um filtro com ressonância e gerador de envoltória (TVF), um amplificador com outro gerador de envoltória (TVA) e dois osciladores de modulação (LFO). O JV-90 oferece 152 waves diferentes, entre amostras de instrumentos acústicos, percussão e sons sintéticos, incluindo algumas amostras antes disponíveis somente nas placas de expansão Pop e no card PCM Grand Piano. Todas as amostras são muito limpas, possuindo clareza e fidelidade dignas de destaque. Além das amostras da memória inrterna, pode-se ter ainda mais waves usando-se um card de PCM e/ou uma placa de expansão de waves e timbres (série SR).

Destaque deve ser dado ao filtro TVF, que pode ser configurado para atuar como low-pass ou high-pass e possui freqüência de corte e ressonância plenamente ajustáveis, o que possibilita ao músico criar sons sintéticos (zzzibilantes) bastante impressionantes, como no patch Mouse Pad. A envoltória programável do TVF tem atuação bastante eficiente e permite obter respostas expressivas em instrumentos naturais como pianos e saxes. O JV-90 conta ainda com recursos de portamento, legato, analog feel e alguns outros itens de ação interessante que, infelizmente, não temos espaço para descrever. Toda essa programação de tones é independente, isto é, cada tone que compõe um patch pode ter seus parâmetros ajustados e controlados independentemente, o que faz do JV-90 um instrumento com um potencial imenso de síntese.

Há uma série de recursos versáteis na programação dos patches, que possibilitam ao músico direcionar elementos de controle (key velocity, aftertouch, modulation) para diversos parâmetros diferentes do som, como afinação, freqüência de corte e ressonância do TVF e intensidade do vibrato produzido pelo LFO. Isso torna possível a criação de timbres como o sintético Wa-Saw Phaze (C44), onde o aftertouch controla a abertura do TVF, produzindo o efeito de wah-wah.

O porcesso de programação no JV-90 é facilitado pelos controles deslizantes, que permitem alterar diretamente os valores mostrados no display. Para aqueles que preferem o processo mais comum, entretanto, há as teclas de cursor e de INC e DEC, pelas quais pode-se também alterar os valores.

Dentre os inúmeros patches disponíveis, os baixos são muito bons e as cordas - uma tradição da Roland - são excelentes. Alguns dos pianos acústicos são de muito boa qualidade, mas para alguns músicos pode ser necessário adequar a resposta do teclado, o que é feito facilmente escolhendo uma das curvas de sensibilidade a key velocity que melhor atenda à sua maneira de tocar. Outros sons convencionais, como órgãos, trompetes e saxes também se destacam. Os sons mais impressionantes, no entanto, são os pads, como New Age Vox e Analog Pad 1 (originais do JV-80), Nature Pad, Ebb Tide Pad e Tangerine, que com suas sonoridades envolventes permitem ao músico realmente criar um clima. Os leads sintéticos também são muito bons, como é o caso do Old Saw, que recria a textura dos Minimoogs e Arps do passado.

Os timbres de percussão que compõem os kits também podem ser alterados (mas só um kit pode ser armazenado na memória RAM interna), de forma que o músico pode ajustar a sonoridade também das peças da bateria, afinando, ajustando volumes e alterando envoltórias de instrumentos.

Os processadores de efeitos, embora não ofereçam inúmeras opções, como distorções, rotary speaker e enhancers, são extremamente eficientes para a maioria das aplicações e mantêm uma alta qualidade sonora. Pode-se ajustar tempos e realimentações de reverberação e eco, velocidade e profundidade do chorus, dentre outros itens.


MIDI

Embora não seja denominado como tal, o JV-90 possui diversas funções peculiares a um teclado master controller. Ele é capaz de transmitir simultaneamente em até oito canais de MIDI, cada qual associado à uma região do teclado, sendo que a extensão de cada região é programada, permitindo-se dividir ou sobrepor regiões, livremente. O canal de transmissão MIDI de cada uma das regiões pode ser ajustado pelo músico, que também pode ligar e desligar a transmissão de cada região imediatamente, a qualquer momento. Para cada uma das oito regiões pode-se efetuar, individualmente, transposição de notas, e a intensidade das notas (key velocity) de cada região também podem ser ajustadas, limitando-se valores mínimos e máximos, ou mesmo alterando-as por meio de curvas de dinâmica.

Pode-se predeterminar valores de program change, volume e pan para serem transmitidos por cada região (canal de MIDI) ao ser chamado um programa de performance. Além disso, por meio dos oito controles deslizantes o músico pode transmitir, em tempo-real, as alterações de volume e pan que desejar.

As variações de posição dos pedais e do controle deslizante C1 também podem ser transmitidas via MIDI, dependendo da funções para as quais tenham sido programados.

Quando operando controlado por um seqüenciador, o JV-90 pode atuar como um instrumento simples (se estiver em modo Patch Play), onde apenas um timbre será controlado, ou então como um equipamento multitimbral (modo Performance), onde até oito partes diferentes poderão ser tocadas, cada uma recebendo em um canal de MIDI, e executando notas e timbres próprios.

O JV-90 usa mensagens de Sys-Ex para transferir dados de sua memória interna de programas, podendo transferir bancos inteiros ou programas individuais (patches, performances ou kit de percussão) para um dispositivo de armazenamento (um seqüenciador ou computador).


Expansão

Uma das qualidades que merecem mais destaque no JV-90 é a sua possibilidade de expansão, através de placas eletrônicas especiais. Dois tipos de placas de expansão podem ser usados para expandir a capacidade do instrumento: as placas da série VE, que ampliam o número de vozes e o número de waves e timbres e as placas da série SR, que ampliam o número de waves e timbres.
Pode-se usar uma placa de cada tipo, ou seja, pode-se ter duas placas de expansão instaladas no instrumento, uma da série VE e outra da série SR. A programação e a manipulação de parâmetros das placas de expansão VE são efetuadas pelos mesmos botões e controles do JV-90, bastando selecionar a opção V-EXP, por meio de um botão específico já existente no painel.

Na série VE há duas opções para ampliação do número de vozes. A placa VE-GS1 adiciona mais 16 partes timbrais e mais 28 vozes ao instrumento, e é nada menos do que um sintetizador GS (Roland SC-33), com timbres compatíveis com o padrão GM, reverb e chorus próprios. A placa VE-JV1, por sua vez, possui uma arquitetura igual à do próprio JV-90, com 28 vozes, oito partes timbrais, reverb e chorus.

As placas de expansão de voz série VE são, na realidade, verdadeiros sintetizadores, que se hospedam na estrutura do JV-90 (botões e display do painel, fonte de alimentação, conectores) para poder operar. Dessa forma, o músico passa a ter mais um instrumento dentro do JV-90 (um sintetizador GS/GM ou um outro JV-90).

Quando instalada uma placa de expansão VE, pode-se ter sua saída de áudio independente, através dos dois conectores (estéreo) específicos já existentes no painel traseiro do JV-90. Também há uma entrada MIDI In que permite que a placa seja controlada independentemente do restante do JV-90.

Já as placas de expansão da série SR permitem ampliar a capacidade de memória de armazenamento de amostras digitais (waves) e patches. Há quatro tipos de placas disponíveis para isso, com patches característicos para gênero musicais específicos (Pop, Classical, Vintage, etc).

Com as placas de expansão, o JV-90 pode chegar a uma polifonia total de até 56 vozes, e multitimbralidade de 24 vozes, contendo até 14 MB de amostras digitais (waves).


Conclusões

A Roland atendeu à reivindicação de muitos músicos que precisavam de um teclado grande, leve, mas não desejavam certos recursos adicionais como seqüenciador, que normalmente encarece o instrumento e complicam sua operação. Embora não traga inovações radicais no que diz respeito ao processo de geração de sons, pois segue a mesma estrutura de síntese já usada há alguns anos pela Roland, o JV-90, assim como os modelos anteriores da série JV, tem merecido destaque por sua qualidade sonora.

Os recursos de controle do instrumento podem torná-lo uma peça eficiente e fundamental tanto no estúdio quanto no palco, e a possibilidade de expandir memória e polifonia, dão margem ao JV-90 para crescer ainda mais, atendendo de forma prática - e até mesmo econômica - às eventuais necessidades futuras do músico, como, por exemplo, a incorporação de um instrumento General MIDI.

 


 

 

Copyright 2007 by MUSICAUDIO