Edirol UA-25
Fortalecendo a sua posição no mercado de interfaces de áudio, a Edirol renova a linha de produtos com uma série de interfaces de áudio e de MIDI, dentre elas a UA-25, que é analisada neste artigo.
Embora seja mais conhecida no Brasil por seus sintetizadores e teclados, a Roland é uma das empresas pioneiras em equipamentos de áudio digital. Em 1992 ela lançou o DM-80, um dos primeiros sistemas de gravação em disco-rígido, e em 1994 lançou a placa RAP-10, que embora fosse chamada de placa “multimídia”, possuía conversores de alta qualidade para os padrões da época, e um sintetizador SoundCanvas embutido.
Atualmente, a marca Roland aparece nos sistemas de gravação de áudio mais sofisticados, como a série VS. Os produtos voltados para o mercado doméstico (“desktop music”) e para estúdios de pequeno e médio porte estão por conta da Edirol, uma empresa do grupo Roland, que desde 1994 se dedica a soluções na área de informática musical.
A Edirol possui uma linha variada de interfaces de MIDI e de áudio, além de teclados controladores e acessórios, com opções apropriadas a cada tipo de necessidade. No Brasil, a distribuição de produtos Edirol vem sendo ampliada, com uma oferta maior de opções para um mercado que cresce a cada ano. Tive a oportunidade de testar a UA-25, uma interface com conversores de 24 bits / 96 kHz e vários recursos interessantes.
Visão geral
Embora a proposta principal da UA-25 seja o interfaceamento de áudio no computador, ela também incorpora outros recursos bastante úteis para pequenos estúdios: pré-amplificadores para microfone e instrumento, limitador de nível de sinal, e interface de MIDI. A UA-25 é montada em uma caixa de alumínio fosco, com as bordas arredondadas. Sua aparência é robusta, com um visual é moderno e bastante agradável, e seu tamanho e peso são apropriados para que seja utilizada em cima do gabinete do computador.
Na parte frontal estão as entradas de áudio, seus respectivos conectores e botões para controle de nível dos sinais, uma chave de seleção de alta impedância (para conexão de guitarra ou baixo), o seletor de entrada digital, os controles de monitoração direta (falaremos mais sobre isso), o conector para fone de ouvido estéreo, e o controle de volume de saída. Uma luz azul indica que a interface está conectada corretamente ao computador, e há ainda mais três luzes que indicam a atuação do limitador, a ativação da entrada digital, e a ativação da monitoração direta. Na parte traseira estão os conectores de saída de áudio (P10 e RCA), os conectores S/PDIF ópticos, os conectores de MIDI, o conector USB, e as chaves para ligar limitador, phantom power, selecionar modo de operação do driver, e selecionar taxa de amostragem. Para facilitar o manuseio pelo usuário, estão impressos em cima da interface, nas respectivas posições, os nomes dos conectores e chaves do painel traseiro. Na parte de cima da interface também há um diagrama em blocos que ajuda a entender o fluxo do sinal e as funções das chaves.
Seguindo a tendência geral das interfaces de áudio modernas, a UA-25 é um dispositivo externo, e é conectada ao computador pela porta USB. Isso dispensa a instalação de placa dentro do gabinete (o que facilita a instalação e diminui riscos de acidentes), e possibilita o seu uso com notebooks. A UA-25 não possui cabo de energia nem precisa de fonte AC, pois sua alimentação elétrica é feita através da própria conexão USB.
Instalação
A UA-25 pode operar tanto com computadores PC quanto Mac. Para o PC, os requisitos recomendados pela Edirol são: processador Celeron, Pentium ou compatível com Pentium, com clock de pelo menos 600 MHz, 256 MB de memória RAM, e sistema operacional Windows 98SE, Me, 2000 Professional, XP Home ou XP Professional. Testei a interface em dois computadores bastante parecidos, um Athlon XP2600+ (com Windows XP Home) e um Athlon XP2000 (com Windows XP Professional), ambos com 512 MB de RAM. Não tive qualquer tipo de problema na instalação, e nem consegui perceber falhas de operação. Para o Macintosh, os requisitos mínimos recomendados pela Edirol são: G3 400 MHz com 256 MB de memória RAM, e sistema operacional OS9 ou 10.2. Não testei a UA-25 no Mac.
A interface vem com o cabo USB e um CD-ROM contendo o driver para instalação e configuração no sistema operacional. A instalação foi realizada sem dificuldade, seguindo os passos indicados no manual (em inglês). O procedimento é muito fácil, e em alguns minutos a interface já está pronta para ser usada (o próprio CD-ROM contém uma música em MP3 para que se possa fazer um teste imediato da reprodução de áudio).
No Windows, o driver da UA-25 tem suporte para operação nos modos MME, WDM ou ASIO 2. No Mac, o driver tem suporte para ASIO 2 (OS 9), CoreAudio (OS X), e também para OMS/FreeMIDI (OS 9). Usei todas as opções de drivers para Windows. experimentando-os em alguns softwares diferentes (Windows Media Player, Sonar, Sound Forge, Cool Edit, e outros), e não detectei problemas de configuração ou de operação.
Assim como acontece com outros dispositivos similares, é possível configurar o driver ASIO da UA-25 tanto pelo Painel de Controle do Windows (através do Gerenciador de Dispositivos) como também pelo software de áudio (desde que este tenha suporte para ASIO, é claro).
Entradas, saídas e funções
A UA-25 é uma interface de áudio estéreo (dois canais de entrada e de saída), e seus conversores de 24 bits que podem operar com taxa de amostragem de 44.1, 48 ou 96 kHz. Quando a taxa de amostragem está selecionada para 96 kHz, a interface não pode funcionar em “full-duplex” (gravação e reprodução simultâneas). Na verdade, esta limitação é decorrente do limite da taxa de transferência na conexão USB, e não do equipamento em si.
As duas entradas analógicas de áudio são balanceadas e implementadas com conectores do tipo “combo”, que aceitam tanto plugs XLR quanto P10. Cada canal de entrada possui um botão individual de ajuste de ganho. Os conectores XLR podem receber sinais balanceados de microfone com níveis de -60 a -20 dBu, e podem fornecer “phantom power” de +48 V para microfones capacitivos (uma chave no painel traseiro liga e desliga a alimentação em ambas as entradas). Já os conectores P10 podem receber sinais (balanceados ou não balanceados) de microfone ou linha, com níveis de -36 a +4 dBu. Fiz alguns testes de gravação com um microfone capacitivo, e o resultado sonoro foi bastante limpo. O pré teve uma atuação muito boa com diferentes tipos de microfones, com nível de ruído bem baixo e tolerável. A entrada 2 também pode ser configurada para operar com alta impedância (pressionando a chave Hi-Z), para que se possa conectar adequadamente à interface um instrumento como guitarra ou baixo. Este recurso é uma facilidade para guitarristas que querem gravar a guitarra “limpa” e processá-la no software, com simuladores de amp e outros plug-ins do gênero.
Ambas as entradas analógicas possuem um circuito limitador, que pode ser ativado por meio de uma chave no painel traseiro. Esse circuito permite reduzir certos tipos de transiente no sinal, e pode ampliar a faixa dinâmica nas entradas da interface em cerca de 4 dB (veja gráfico) sem que haja saturação nos conversores.
Sendo um equipamento econômico, é de se esperar um painel “enxuto”, e por isso não existem indicadores individuais de nível de sinal de entrada (VU meters). Entretanto, é possível monitorar as situações extremas através do LED de “peak/limiter”. Se o limitador estiver ligado, a luz se acenderá em verde sempre que o circuito limitar (reduzindo) o sinal da entrada. Se o limitador estiver desligado, a luz se acenderá em vermelho sempre que o sinal saturar na entrada.
Os sinais dos dois canais de saída de áudio são repetidos em dois pares de saída no painel traseiro, implementados por conectores P10 TRS (balanceados) e por conectores RCA. Isso dá uma boa flexibilidade para de rotear o sinal da interface para ser monitorado através de um mixer ou de monitores amplificados, ou para ser gravado em algum tipo de equipamento externo, por exemplo. O mesmo sinal estéreo da saída também é mandado para a conexão frontal de fone de ouvido.
O nível do sinal de saída estéreo pode ser ajustado por meio de um botão específico, à direita do painel frontal. Aliás, cabe observar que os botões rotativos, embora pequenos, têm uma dimensão adequada e possuem uma “pegada” muito boa, graças à textura emborrachada. Achei que a visualização da posição do botão às vezes fica difícil, porque a marca indicativa no topo do botão é muito pequena, mas como os botões não são ajustados com freqüência, isso não chega a comprometer a operacionalidade.
Além das conexões analógicas, a UA-25 também pode transferir áudio em formato digital, através de conexões S/PDIF ópticas (do tipo TosLink), que operam com 16 ou 24 bits, em 44.1, 48 ou 96 kHz. Uma chave no painel frontal faz a comutação para a operação com entrada digital.
A UA-25 também faz a função de interface de MIDI, possuindo uma entrada MIDI In e uma saída MIDI Out, localizadas no painel traseiro.
Operação
Existem dois modos de operação possíveis para a UA-25. O modo “Advanced” é o recomendado para se trabalhar com a interface, pois só nele é possível obter toda a funcionalidade e capacidade do equipamento. Para operar no modo “Advanced”, é necessário ativar a respectiva chave no painel traseiro, e ter instalado no computador o driver específico disponível no CD-ROM que acompanha a interface. A operação com driver ASIO, as taxas de amostragem de 48 e 96 kHz, e as conexões de MIDI só estão disponíveis quando a UA-25 opera no modo “Advanced”.
Já o modo “Standard” pode ser considerado como um modo de emergência, pois permite que a UA-25 funcione com o driver genérico do Windows para dispositivos de áudio USB. Neste o modo, a UA-25 só pode operar em com resolução de 16 bits e taxa de 44.1 kHz, e não pode funcionar como interface de MIDI (restrições do driver genérico).
Como a UA-25 não vem com qualquer software de gravação de áudio ou de seqüenciamento MIDI, para você poder usar a interface terá que ter um desses softwares instalados no computador. Nos testes que fiz com o Cakewalk Sonar, a UA-25 comportou-se muito bem, apresentando valores de latência bem baixos tanto no driver ASIO como no WDM. A latência é o atraso que ocorre no fluxo do áudio desde a entrada do sinal, nos conversores A/D, até a sua saída para monitoração através dos conversores D/A, passando pelo driver, sistema operacional, software, etc. A latência baixa permite o uso da interface em aplicações profissionais, onde é necessária uma monitoração precisa do material que está sendo gravado. Um valor baixo de latência também é essencial para quem quer aplicar algum efeito de ambiência (ex: reverb) na monitoração do cantor ou da cantora, durante a gravação do vocal. Outra situação que requer uma latência bem baixa é quando se toca um sintetizador virtual, para que não haja atraso entre o toque no teclado e a saída do som do instrumento.
Pessoalmente, em geral eu prefiro usar drivers ASIO, por me parecerem mais estáveis e apresentarem menor latência, mas no que eu pude testar com a UA-25 ambos os formatos (ASIO e WDM) funcionaram muito bem, com valores de latência abaixo de 5 ms. O ajuste da latência, na verdade, depende de outros fatores, além da eficiência do driver em si. O desempenho do computador é um ponto crucial para que se possa obter baixa latência, e está associado à velocidade do processador, à quantidade de memória, à velocidade de acesso ao disco, etc.
Quando não se consegue ajustar a latência para um valor adequadamente baixo, aparecem alguns problemas, como o já citado atraso na execução de sintetizadores virtuais. Mas certamente o mais incômodo na gravação é o atraso que se percebe ao monitorar, através do software, o sinal que está sendo gravado. Apesar de dispor de drivers (WDM e ASIO) capazes de operar com baixa latência, a UA-25 também oferece a possibilidade de “monitoração direta”, isto é, ouvir o sinal de entrada através da própria interface, sem passar pelo software. Dessa forma, se no seu computador você não conseguir ajustar a latência para um valor adequadamente baixo, ainda assim o cantor poderá se ouvir perfeitamente, sem atraso, graças ao recurso de “Direct Monitor”, que mistura o sinal analógico da entrada com o sinal gravado que vem do software, na saída da interface. Esse recurso pode ser ativado a qualquer momento por uma tecla no painel frontal, onde também se pode optar por ouvir a entrada em mono ou estéreo, e ajustar o nível da monitoração. De acordo com o manual da UA-25, é possível também comutar pelo software este recurso de monitoração direta, mas eu não consegui fazer isso pelos softwares que testei, nem pelo painel de controle.
Embora a UA-25 possa operar com taxas de amostragem de 44.1, 48 ou 96 kHz, a seleção da taxa em que a interface irá operar não pode ser feita através do computador (via software), sendo necessário posicionar uma chave específica (no painel traseiro) na opção desejada. Isso tem que ser feito com a interface desconectada da porta USB (para que o driver seja inicializado na nova taxa). Como a UA-25 não pode operar em “full-duplex” com taxa de amostragem de 96 kHz, ao escolher esta taxa é preciso definir, por meio de outra chave no painel traseiro, se a interface vai gravar ou vai reproduzir áudio. Essa característica não chega a ser uma limitação, considerando que o usuário a que se destina a UA-25 dificilmente irá trabalhar com seus projetos (gravar e reproduzir) em 96 kHz, mas permite que ele ouça um trabalho que tenha sido gravado em 96 kHz, em um estúdio de maior porte.
Conclusões
Embora no mercado internacional haja uma imensa variedade de interfaces de áudio, no Brasil sempre tivemos poucas opções. Novas alternativas de produtos sempre são bem-vindas, sobretudo quando o preço é atrativo. Ainda que a linha de produtos comercializados pela Edirol no Brasil seja pequena, ela amplia nossa chance de escolha.
Mesmo que não venha com qualquer software de gravação, a UA-25 se destaca pela qualidade sonora, pela perceptível qualidade do material, e pelas funções extras que possui. A integração de interface de áudio e de MIDI num mesmo equipamento aumenta a funcionalidade e proporciona uma economia de investimento e de espaço. Além disso, os recursos adicionais (pré-amps para microfone, circuito limitador, entrada Hi-Z) podem ser diferenciais decisivos na avaliação de custo/benefício na hora de escolher.
Características principais (conforme dados fornecidos pelo fabricante)
- 2 canais de entrada de áudio através de conexões balanceadas XLR (2) e 2 P10 (2)
- 2 canais de saída de áudio através de conexões P10 balanceadas (2) e RCA (2)
- Operação em Full-duplex (exceto em 96 kHz)
- Conversores A/D e D/A de 24 bits
- Taxas de amostragem de 44.1, 48 ou 96 kHz
- Resposta de freqüências: 20 Hz a 40 kHz (em 96 kHz); 20 Hz a 22 kHz (em 48 kHz); 20 Hz a 20 kHz (em 44.1 kHz)
- Ruído residual na saída: -96 dBu (relação sinal/ruído: 105 dB)
- Conexões digitais de entrada e saída ópticas S/PDIF
- Saída para fone de ouvido (P10 estéreo)
- Alimentação “phantom power” nas entradas XLR
- Conexões de MIDI In (1) e MIDI Out (1)
- Conexão com computador via USB (alimentação também via USB)
- Compatibilidade: PC (WDM, MME, ASIO 2) e Mac (ASIO 2, CoreAudio, OMS/FreeMIDI)