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Staff GM6 - tecnologia MIDI brasileira amplia as possibilidades dos
bateristas
Desenvolver tecnologia no Brasil sempre foi uma tarefa difícil. Não por falta de
"cérebros", pois temos técnicos e engenheiros tão bons quanto os do Primeiro
Mundo, mas, sobretudo, pela escassez de recursos financeiros disponíveis à
pesquisa. Num país onde a taxa real de juros passa dos 40% ao ano, qual é a
empresa que vai se aventurar em desenvolver alguma coisa? Mas, felizmente, ainda
há pessoas com determinação e persistência, que apostam em inovações
tecnológicas "tupiniquins", como é o caso da
Staff Drum, que ousou e colocou no
mercado um equipamento que converte em comandos MIDI os sinais gerados por
tambores eletrônicos (pads).
Em 1998, o empresário paulista Roberto Hayashida fundou a Staff Drum, para
produzir estruturas metálicas (racks) e suportes para equipamentos. Logo em
seguida a empresa introduziu o sistema de tambores ("pads") para controle de
sintetizadores de bateria, que obteve um grande sucesso no mercado.
Há cerca de um ano atrás, conversando com o Roberto, comentei o quanto seria
interessante se tivéssemos um dispositivo que recebesse os sinais dos diversos
pads da Staff Drum e os convertesse em comandos MIDI, pois assim seria possível
comandar qualquer sintetizador (módulo ou teclado) dotado de timbres de bateria.
Isso libertaria a Staff da obrigação de ser usada sempre com um módulo de
bateria específico para pads e triggers (Alesis D4, DM5, etc). Algum tempo
depois, recebi do Roberto a boa notícia de que um protótipo já estava em fase de
testes, para em seguida ser colocado no mercado até o início de 2002.
O projeto foi financiado pela própria Staff, e contou com a participação de dois
engenheiros contratados para desenvolver o hardware e o software interno do
produto. Foi implantado também na empresa um laboratório para testes e montagem
dos equipamentos.
Visão Geral
O módulo GM-6 é bem montado e tem as dimensões de um rack de 1 unidade. A fonte
de alimentação é interna, o que aumenta a sua confiabilidade em uso no palco, e
há uma chave seletora de tensão da rede. O acabamento é bastante simples, mas
nem por isso o equipamento é feio.
O painel frontal contém 16 botões para programação, um botão de Reset, um visor
de 2 dígitos e 12 leds indicativos. Apesar da simplicidade e baixo custo no
acabamento, a Staff usou uma membrana cobrindo todo o painel, o que impede a
penetração de poeira e umidade, garantindo assim uma vida útil prolongada para
os componentes, mesmo em aplicações ao ar livre.
No painel traseiro estão as tomadas para conexão dos cabos vindos dos pads e
triggers (8 mono e 2 stereo), entrada para o pedal de acionamento do
contra-tempo (hi-hat), saída MIDI Out, chave seletora de canal de MIDI, chave
seletora de tensão de alimentação (110 ou 220 volts) e ainda um soquete com
fusível.
Na tampa superior do GM-6 há uma tabela impressa com os códigos hexadecimais das
notas MIDI que correspondem aos instrumentos de percussão no padrão GM, que
ajuda bastante na hora de reprogramar as funções dos pads. O GM-6 vem também com
um cabo MIDI e um manual de instrução bem simples.
Testando o GM-6
O GM-6 vem configurado de fábrica para ser utilizado com equipamentos MIDI
compatíveis com o padrão GM de instrumentos de percussão (veja tabela). Ao todo
são 12 entradas de triggers (todas com jack P10 de 1/4"), sendo que duas delas
(8/9 e A/B) são do tipo stereo, para acionamento com pads de dois sensores.
Tabela 1 - Programação Inicial
das Entradas de Triggers
Canal
Cód. Hexa
Nota MIDI
Instrumento
0
2F
47
Low Mid Tom
1
30
48
Hi Mid Tom
2
2E
46
Open Hi Hat
3
31
49
Crash Cymbal 1
4
24
36
Kick Drum 1
5
33
51
Ride Cymbal
6
34
52
Chinese Cymbal
7
2D
45
Low Tom
8
25
37
Side Stick (Snare)
9
26
38
Snare Drum 1
A
38
56
Cowbell
B
39
57
Crash Cymbal 2
A nomenclatura utilizada no GM-6 a princípio pode deixar o usuário um pouco
confuso: a Staff chama de "canais" as entradas dos sinais dos triggers (e isso
nada tem a ver com o canal de transmissão MIDI, que é sempre o 10), e os números
das notas MIDI acionadas pelos triggers são apresentados em hexadecimal.
Caso o equipamento MIDI a ser usado com o GM-6 não seja compatível com o padrão
GM, o usuário poderá reprogramar a configuração livremente, designando para cada
trigger o instrumento de percussão (nota MIDI) que quiser. Infelizmente, essa
reconfiguração não é memorizada, e nesse caso o usuário deverá refazê-la sempre
que ligar o GM-6.
Bateria em tempo-real
Durante nossos testes, contamos com a valiosa colaboração do baterista
Cássio Cunha (Moraes Moreira, Alceu Valença) que, usando um kit de pads
também da Staff Drum, experimentou o conversor GM-6 em três equipamentos: a
bateria eletrônica Yamaha RY-9, o módulo Roland JV-1080 e o sintetizador
virtual Roland VSC. Esse teste foi bastante interessante porque possibilitou
avaliar a resposta do conjunto pads/conversor em equipamentos distintos.
Cássio achou a resposta do conjunto boa, comparável a um sistema com módulo
específico, como a Alesis DM5, por exemplo, e sugeriu a inclusão de um
recurso para a memorização da configuração de kits. A resposta de dinâmica
foi considerada boa para este tipo de bateria (com pads), embora os oito
níveis de sensibilidade na conversão do GM-6 limitem um pouco a capacidade
de resposta disponível nos módulos sintetizadores (128 níveis de
sensibilidade). Apesar disso, Cássio aprovou a resposta do sistema da Staff,
e destacou principalmente o bom desempenho do pedal de contra-tempo. Mesmo
controlando o software sintetizador Virtual Sound Canvas, dentro do Cakewalk
SONAR, a resposta ainda foi suficientemente precisa, não criando atraso que
comprometa a execução do músico.
Conclusões
O GM-6 vem preencher um espaço no mercado, desobrigando os "bateristas
eletrônicos" da necessidade de ter um módulo de bateria específico para conectar
seus pads ou triggers. Seu desempenho não deixa nada a desejar, o que faz do GM-6
uma ótima alternativa para os bateristas e estúdios brasileiros. Com o GM-6,
abre-se um grande universo de possibilidades para os músicos, que poderão agora
disparar qualquer timbre de bateria de qualquer teclado, módulo ou mesmo de
sintetizadores virtuais no computador.
Dentro da proposta de ser um equipamento barato, o GM-6 possui as
características necessárias na relação custo/benefício, sendo bem construído,
funcional e confiável. Para melhorar ainda mais o equipamento, fica a sugestão
de se poder memorizar uma ou mais programações de configuração de triggers.
Ficha Técnica - Staff Drum GM-6
Conversor MIDI p/ pads e triggers de bateria
Configuração básica conforme o padrão GM de bateria
7 entradas para sensores (pads/triggers) simples
2 entradas para sensores (pads/triggers) duplos
1 entrada para pedal de acionamento de contra-tempo
1 saída MIDI Out
Canal de transmissão MIDI selecionável (10 ou 11)
Display alfanumérico de 2 dígitos
Botões de programação
Botão de Reset
Alimentação direta na rede elétrica (110 ou 220 volts)